Lei Orgânica da Cultura tem avanços, mas falha em pontos primordiais

Após três anos de longos debates entre gestores e comunidade artística, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) encaminhou à Câmara Legislativa, no final de 2016, projeto da Lei Orgânica da Cultura (LOC), que institui o Sistema de Arte e Cultura do DF (SAC/DF). O projeto já foi aprovado na Comissão de Educação, Saúde e Cultura com […]

Autor Leonardo Hernandes

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Daniel Ferreira/Metrópoles
Teatro Nacional Claudio Santoro
1 de 1 Teatro Nacional Claudio Santoro - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Após três anos de longos debates entre gestores e comunidade artística, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) encaminhou à Câmara Legislativa, no final de 2016, projeto da Lei Orgânica da Cultura (LOC), que institui o Sistema de Arte e Cultura do DF (SAC/DF). O projeto já foi aprovado na Comissão de Educação, Saúde e Cultura com emendas e segue sua tramitação agora com a volta das atividades da Casa.

O complexo e ambicioso projeto revoga quase toda a legislação distrital que trata das políticas culturais e se torna, praticamente, o único marco legal sobre o tema. O texto tem importantes avanços, como a desburocratização do Fundo de Apoio à Cultura (FAC/DF).

O projeto em tramitação, busca descentralizar a gestão cultural, em um modelo sistêmico, similar ao Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, o texto é falho: concentra excessivamente as decisões na função do secretário de Cultura esvaziando o poder do atual Conselho de Cultura do DF (CCDF)

O projeto não cria mecanismos efetivos, por exemplo, para a descentralização das políticas e recursos entre as regiões do DF, apenas inclui essa atribuição da descentralização entre os princípios e objetivos. Sem esses dispositivos não haverá Sistema.

O Plano de Cultura não ficaria atrelado efetivamente à gestão do Sistema. Não há nenhum dispositivo que obriga a vinculação orçamentária da Secretaria de Cultura e a execução dos recursos para o alcançar as metas previstas.

Outra iniciativa de resultado duvidoso é a criação de duas fundações públicas de direito privado. Uma para tratar do patrimônio histórico e artístico e outra para cuidar das artes no DF. Afora o debate da opção do governador Rollemberg de transferir para a administração privada as políticas públicas, causa estranheza a proposta de uma fundação que não resolverá o problema da preservação do patrimônio, pois não terá o poder para emitir laudos e licenciamentos ou embargar obras.

A segunda fundação tem um papel confuso. Apresentada como uma estrutura para executar as políticas para as artes, têm como suas principais atribuições o fomento e a economia criativa. O fomento é responsabilidade do Sistema de Financiamento (FAC e Lei de Incentivo) que ficam ainda mais concentrados na Secretaria e sem vínculo previsto com a nova fundação. A economia criativa é um conceito amplo que envolve setores da inovação, tecnologia, moda, gastronomia, etc.

Portanto, embora a apresentação da LOC seja um episódio para se comemorar e contenha avanços normativos, o presente projeto está ainda distante de resolver o desafio de estruturar uma política pública de cultura que seja capaz de fazer chegar a população de todas as cidades o acesso à cultura e à vivência artística.

Leonardo Hernandes é ator, produtor e especialista em gestão de políticas públicas

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?