Drag music é respiro de novidade no cenário pop brasileiro

Artistas, como Pabllo Vittar e Gloria Groove, se consolidam no país e criam uma cena que tende a crescer ainda mais

Bruno Pimentel/MetrópolesBruno Pimentel/Metrópoles

atualizado 01/04/2019 15:32

A turnê Nossa História, que marca o retorno aos palcos da dupla Sandy & Junior, é o reflexo do grande momento da música pop no Brasil. Alimentados pelo saudosismo dos fãs, os filhos de Xororó causaram comoção e enormes filas. Se nos anos 1990, eles eram donos sozinhos dessa cena, atualmente, possuem a saudável concorrência das drag queens.

Impulsionadas pelo sucesso do reality show RuPaul’s Drag Race, essas performáticas artistas chegaram ao cenário pop brasileiro e, atualmente, são a alma mais inventiva da indústria fonográfica. Pabllo Vittar é o grande expoente dessa geração e seu sucesso traz junto novos nomes, como Gloria Groove, Lia Clark e Aretuza Lovi.

Gloria Groove, que fez show em Brasília no último fim de semana, inclusive, conseguiu superar a “mestra”. Ela agora é a drag com maior número de ouvintes mensais no Spotify, com 3.123 milhões de streams. Pabllo tem 3.131 milhões.

Boa parte do sucesso das drags se deve à união entre as artistas. Seguindo modelos que tiveram sucesso no sertanejo, as cantoras apoiam novos nomes, gravam parcerias e convidam as colegas para shows. Veja, por exemplo, a reação de Pabllo ao saber do sucesso de Gloria.

Não convém analisar se as artistas são amigas ou não, isso é da esfera pessoal de cada uma delas. Porém, do ponto de vista comercial, essa união é fundamental para a formação da cena drag. Apoiar o surgimento de novos talentos e dar visibilidade a essas vozes é uma forma de manter a indústria ativa, ocupando espaços e fazendo sucesso.

Fortalecidas, as cantoras drags começam a ocupar locais antes “vetados” ao público LGBT. Pabllo lançou parceria com Dilsinho; Gloria já gravou com Leo Santana e Lexa; e Aretuza tem parceria com IZA, Valesca e Solange Almeida.

Unidas, essas artistas produzem, atualmente, o que há de mais original na música pop radiofônica brasileira. Não à toa, cada vez mais aparecem em programas de TV e rádios. Vale a pena deixar o preconceito de lado e se jogar!

Luiz Prisco é editor de entretenimento e gastronomia no Metrópoles

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