Álbum de Billie Eilish é retrato sombrio de uma geração perdida

A artista se apresenta de maneira reminiscente ao Straight Edge, se tornando uma das maiores cantoras pop com apenas 17 anos

Reprodução do Twitter

atualizado 29/03/2019 18:33

Billie Eilish, uma das cantoras mais comentadas do momento, tem 17 anos e acaba de lançar seu primeiro álbum oficial, WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?, na sexta-feira (29/3). A cantora já chamou atenção por seu estilo street, que dialoga com o hip-hop.

A artista cita o rapper Tyler, the Creator como uma de suas principais influências, assim como Lana Del Rey e Aurora. Ela foi percebida pela primeira vez com seu single de estreia, Ocean Eyes, em 2016, que se manteve no Billboard Top 200 por mais de 18 meses com mais de 5 bilhões de streams globalmente. O primeiro EP chegou ao mercado em 2017.

Por mais que ela explore temas sombrios, a adolescente não faz um esforço para parecer mais velha do que realmente é. A primeira faixa do álbum é apenas uma conversa onde ela diz: “Já tirei meus Invisalign, e esse é o álbum”. Além disso, a primeira canção do disco, Bad Guy, mostra um pouco da malcriação característica de adolescentes enquanto ela tira sarro de um homem e ainda menciona sua “mamãe” que “gosta de cantar [com ela]”.

O álbum da cantora relembra o movimento Straight Edge, uma subcultura do hardcore punk surgido nos anos 1980, defendendo a abstinência em relação a entorpecentes. A canção Xanny, do novo álbum, pode servir como um hino do Straight Edge na Geração Z.

Na faixa, ela canta: “Estou na fumaça de segunda-mão deles, ainda bebendo Coca na lata. Não preciso de um Xanny para me sentir melhor”, se referindo ao Xanax, a droga relacionada à epidemia de opioides afetando sua geração. Enquanto outros rappers, como Lil Xan, exaltam a pílula, Billie usa sua fama para relembrar o lado ruim da droga.

O Xanax já apareceu em exames de toxicologia como um catalisador nas mortes de outros artistas, como Mac Miller e Lil Peep.

A cantora afirmou que o álbum nasceu a partir da música Bury a Friend. “É literalmente [cantada] da perspectiva do monstro debaixo da minha cama”, explica.

O primeiro álbum formal da cantora a estabiliza em uma nova identidade do pop, criada por ela (e seu irmão, Finneas O’Connell). Enquanto ela canta sobre corações quebrados, depressão e perda, sua voz é um megafone que amplifica as ansiedades de um grupo de jovens perdidos.

Na faixa Listen Before I Go, a cantora expande a tristeza de uma canção amorosa, falando: “Se você precisa de mim, quer me ver, melhor se apressar pois estou indo daqui a pouco”.

Ainda é cedo para falar com certeza que Billie Eilish está no rumo do grande sucesso. Sua autoconsciência sobre a fama, o amor e sentimentos são as que diferenciam de outros jovens artistas hoje em dia. Especialmente em uma geração reminiscente daquela que se acabava com drogas nos anos 1980.

Ela é a representante de uma nova revolução, preocupada não somente com a saúde mental, mas também com a integridade pessoal.

Avaliação: Excelente

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