Construções frágeis: selo ou certificados de qualidade são necessários

Falhas passam pela falta de fiscalização até a depreciação da profissão do engenheiro, segundo professor da UnB

Autor João Bosco Ribeiro

atualizado

metropoles.com

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Hugo Barreto/Metrópoles
viaduto, brasília, desabamento, eixão sul
1 de 1 viaduto, brasília, desabamento, eixão sul - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

“Os culpados serão severamente punidos”. É a declaração pública imediata após desabamento de uma construção. Daí começa a busca por responsáveis e punições. Este ambiente é o pior possível para encontrar causas e extrair ensinamentos da tragédia, pois todos tentam se proteger. O assunto vai para Justiça e foge do âmbito técnico, onde se poderia ter adequada visão das causas, dos responsáveis e de soluções para problemas atuais e futuros.

É importante extrair reflexões em resposta a indagações da opinião pública após um desastre com estrutura de uma ponte ou viaduto. Há mais de quatro meses, caiu o viaduto da Galeria dos Estados, em Brasília, mostrando a carência da manutenção das pontes e viadutos, que nunca tiveram inspeções e recuperações adequadas.

Os problemas das estruturas surgem primeiramente de fiscalização deficiente, em geral apenas cartorial, exercida pelos Crea, prefeituras e outros órgãos. Alguns organismos fiscalizadores se satisfazem com um documento assinado, sem verificação técnica envolvendo o projeto, a construção, o controle e a manutenção da obra.

O problema também se dá devido à depreciação da profissão do engenheiro, que, em função da baixa formação técnica e ética de alguns profissionais, aceitam acobertar situações nebulosas.

Qual é a solução? Passa, primeiramente, por uma tecnificação dos órgãos fiscalizadores e pela conscientização e orientação dos consumidores pelos Procons e Creas, com a valorização dos aspectos da qualidade, de forma que o mercado agregue valor à obra.

Também passa pela realização de inspeção periódica das estruturas por entidades credenciadas, garantida nas obras públicas nos primeiros cinco anos, por uma verba já embutida no contrato de construção e nas obras privadas de edifícios por taxa no custo do condomínio.

A solução seria a instituição de selo ou certificado de qualidade conferido às obras e às estruturas por organizações que trabalhem no sistema, credenciadas por órgãos como o Inmetro.

A implantação de um certificado não representaria aumento de custo, até porque a estrutura de um edifício representa apenas 30% do valor total da obra. O documento permitirá a valorização profissional dos engenheiros e seria um diferencial de marketing para as empresas que fizeram lançamentos com este documento.

Muitas vezes, o engenheiro estrutural recebe uma responsabilidade que não é somente dele, pois o projeto é um dos aspectos da questão. No entanto, está claro para o meio técnico que o seu trabalho é visto pelo público apenas nos momentos de tragédia, já que “não há gloria nas estruturas”. É preciso inverter essa lógica: mercado e sociedade devem valorizar o engenheiro estrutural, sendo um dos caminhos para isso conscientizar consumidores, empreendedores, imprensa e órgãos fiscalizadores.

(*) Engenheiro Civil, professor universitário do UniCeub

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