A importância do psicólogo no ambiente escolar

“Fica claro que a discussão sobre a presença de um psicólogo nas escolas vai muito além de uma questão de despesa”

Autor Conceição de Maria Couto Machado e Patrícia Villa da Costa Ferreira Mendonça

atualizado

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professor Preschool kid raise arm up to answer teacher question on whiteboard in classroom,Kindergarten education concept
1 de 1 professor Preschool kid raise arm up to answer teacher question on whiteboard in classroom,Kindergarten education concept - Foto: iStock/Foto ilustrativa

No início de outubro, o presidente Jair Bolsonaro vetou integralmente o projeto de lei que tornaria obrigatória a contratação de psicólogos e assistentes sociais em escolas públicas. O motivo alegado é que a proposta cria despesas sem indicar uma fonte de receita. Deputados e senadores ainda vão analisar o veto e podem derrubá-lo.

Do nosso ponto de vista, a presença de profissionais de psicologia nas escolas é benéfica e necessária sob inúmeros aspectos. A questão deveria ser considerada sob um escopo mais amplo que o orçamentário.

Pela proposta vetada pelo presidente, equipes com profissionais dessas áreas de conhecimento deveriam atender os estudantes dos ensinos fundamental e médio, buscando a melhoria do processo de aprendizagem e das relações entre alunos, professores e a comunidade escolar. O texto ainda estabelece que, quando houver necessidade, os alunos devem ser atendidos em parceria com profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

A lei daria prazo de um ano para que as escolas públicas incluíssem psicólogos e assistentes sociais em seus quadros. Em setembro deste ano, associações profissionais de psicólogos divulgaram uma carta em apoio à aprovação da proposta. Assinaram o documento o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (Abrapee), a Associação Brasileira de Ensino da Psicologia (Abep) e a Federação Nacional de Psicólogos (Fenapsi).

Gostaríamos de nos juntar a essas associações na defesa da importância do psicólogo escolar, tanto no sistema público quanto no privado. Boa parte das escolas particulares já conta com psicólogos, mas algumas, assim como as escolas públicas, carecem desse profissional em seus quadros. A verdade é que todas as instituições educacionais deveriam se valer da psicologia escolar.
Acúmulo de atribuições

Na ausência do psicólogo, o coordenador pedagógico acaba acumulando atribuições desse profissional. As funções do profissional de pedagogia são encampar a proposta pedagógica da escola, orientar professores com relação a cronogramas e planos de aula, e alunos quanto aos estudos, entre outras.

Já ao psicólogo, cabe lidar com situações de bullying, aconselhamento familiar ou até mesmo detectar a necessidade e fazer o encaminhamento do aluno para um atendimento mais especializado. Sua ação também pode ser preventiva. O psicólogo pode ajudar os educadores a lidar com temas complexos, como inclusão, diversidade, sexualidade, drogas e violência.

Um dos papéis do psicólogo na escola é mostrar aos professores sua importância na constituição da personalidade dos alunos. O professor deve ter consciência da subjetividade e da individualidade desses estudantes. O psicólogo pode auxiliá-lo nisso, de maneira que a escola se torne um ambiente acolhedor para os alunos, independentemente de características, necessidades e ritmos de aprendizagem diferentes.

Desafios próprios

A nossa experiência vem do atendimento à comunidade escolar da rede privada, com suas dificuldades e desafios. Os estudantes e os professores da rede pública, por certo, lidam com desafios próprios, para além de questões de infância e adolescência comuns a todos os alunos. Muitas vezes, os professores de escolas públicas estão inseridos em ambientes de grande vulnerabilidade social.

Nesse contexto, o psicólogo escolar pode ajudar os educadores no preparo para abordar as situações advindas dessa vulnerabilidade, bem como a administrar o estresse e os afetos envolvidos. Cabe, ainda, ao profissional, construir, com o apoio da comunidade, uma rede de apoio.

Além disso, o psicólogo escolar pode encaminhar para atendimento nos serviços de saúde competentes aquele aluno e família que dificilmente os acessariam, se deixados por conta própria.

Ante as razões expostas, fica claro que a discussão sobre a presença de um psicólogo nas escolas vai muito além de uma questão de despesa. Aliás, esse termo, “despesa”, não é o mais adequado para o debate. A inserção de psicólogos no ambiente escolar deveria ser pensada como um investimento, poupando gastos com o sistema de saúde pública no futuro.

 

Conceição de Maria Couto Machado é professora e mestra em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Brasília. Especialista em Psicodrama, Psicologia Clínica e Escolar. Psicóloga escolar da Casa Thomas Jefferson desde 2001.

Patrícia Villa da Costa Ferreira Mendonça é professora e doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela Universidade de Brasília. Psicóloga escolar da Casa Thomas Jefferson desde 2010.

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