Venda de mineradora põe Brasil no centro de duelo EUA x China. Entenda

Serra Verde, em Goiás, é única produtora em larga escala fora da Ásia de 4 elementos de terras raras. Empresa foi vendida à USA Rare Earth

atualizado

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Divulgação/Serra Verde
Imagem de unidade da mineradora brasileira Serra Verde, em Goiás - Metrópoles
1 de 1 Imagem de unidade da mineradora brasileira Serra Verde, em Goiás - Metrópoles - Foto: Divulgação/Serra Verde

O anúncio da empresa norte-americana USA Rare Earth de que comprou a mineradora brasileira Serra Verde colocou o Brasil no centro de uma disputa que vem concentrando as atenções do mercado e das grandes potências econômicas globais nos últimos anos – o embate comercial entre Estados Unidos e China pelas chamadas terras raras.


Entenda

  • A Serra Verde Pesquisa e Mineração é uma empresa de mineração que opera no município de Minaçu, em Goiás. Trata-se da única produtora em larga escala fora da Ásia de quatro elementos de terras raras críticas: neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, considerados essenciais para motores de veículos elétricos e turbinas eólicas.
  • A USA Rare Earth, por sua vez, é uma empresa dos EUA focada na mineração, processamento e produção de elementos de terras raras e ímãs permanentes. A companhia atua na integração da cadeia de suprimentos de materiais críticos, essenciais para tecnologias como defesa, aeroespacial, veículos elétricos e eletrônicos.
  • Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a tecnologia moderna (seja no mercado de eletrônicos, em ímãs de alta potência, nos motores de carros elétricos, entre outros). Sua extração e separação são caras e complexas.
  • A produção desses minerais está concentrada em poucos países, entre os quais a China – que responde atualmente por cerca de 70% da mineração de terras raras, mais de 90% do refino e quase 100% da produção de ímãs permanentes.
  • O Brasil tem uma das maiores reservas mundiais. O país conta com reservas potenciais de 21 milhões de toneladas totais de óxidos de terras raras, atrás apenas da China no ranking mundial, segundo dados do Serviço Geológico dos EUA.

O negócio

A compra da Serra Verde pela USA Rare Earth envolve o pagamento de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,49 bilhão, pela cotação atual), em dinheiro, além da emissão de 126,8 milhões de ações pela companhia norte-americana – que ficarão sob posse dos controladores da mineradora brasileira. O negócio foi avaliado em US$ 2,8 bilhões.

Com isso, as empresas que controlam atualmente a Serra Verde – as norte-americanas Denham Capital e EMG e a britânica Vision Blue – se tornarão sócias majoritárias da USA Rare Earth.

Caso seja concluída e aprovada, a transação resultará em uma nova companhia com operações distribuídas no Brasil, nos EUA, na França e no Reino Unido. A empresa atuará ao longo de toda a cadeia, da mineração à fabricação de ímãs essenciais para a indústria de alta tecnologia.

“Líder global” em terras raras

De acordo com a USA Rare Earth, o objetivo do negócio é criar um líder global no setor de terras raras. A Serra Verde deve responder por mais de 50% da oferta desse tipo de mineral fora da China até 2027.

Segundo o comunicado da empresa norte-americana, o acordo de compra da mineradora brasileira já foi formalizado entre as partes. A aquisição, contudo, não está finalizada operacionalmente. A previsão é que o fechamento do negócio ocorra no terceiro trimestre de 2026.

Em janeiro, a USA Rare Earth fechou um acordo de um pacote de financiamento de US$ 1,6 bilhão junto ao governo dos EUA. A Serra Verde, por sua vez, concluiu, em fevereiro, um acordo de financiamento no valor de US$ 565 milhões com Washington.

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