Lula prega união da América do Sul em defesa de terras raras
Presidente Lula prega união de países da América do Sul contra exploração estrangeira de terras raras na região

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pregou mais união entre os países da América do Sul na defesa dos minerais críticos e terras raras do Brasil, durante evento de homenagem póstuma ao ex-presidente uruguaio Pepe Mujica (1935-2025), na noite desta quinta-feira (19/3), em São Bernardo do Campo (SP).
“Acreditamos que a solução para os nossos problemas reside em nós mesmos. A exemplo da exploração colonial, que nos despojou de nossos recursos naturais por séculos, a atual demanda por minerais críticos e terras raras representa um novo desafio. É imperativo que nos unamos para garantir que esses recursos contribuam para a recuperação da cidadania latino-americana e sul-americana”, afirmou o presidente.
Foi a segunda agenda do petista em São Paulo. Pela manhã, ele anunciou que o secretário-executivo Dario Durigan será o próximo ministro da Fazenda, com a saída de Fernando Haddad do cargo, e fez críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Haverá um terceiro evento do dia de Lula no estado, no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo. A expectativa é de que Haddad seja anunciado na ocasião como pré-candidato a governador de São Paulo.
Lula leu uma carta de Mujica que nunca foi publicizada. Nela, o uruguaio reforça a Lula a importância da união dos povos latino-americanos em defesa de suas próprias riquezas e própria gente.
“Um passo no caminho da meta de integração seria ter o mesmo dia do ano em que em todo nosso continente todas as escolas possam se dedicar a esse tema, em português, em espanhol ou em suas línguas locais, cada um em seu lugar e todos juntos. Avançar na integração significa difundir paixão, esperança e conhecimento entre o nosso povo”, diz Mujica em carta lida pelo presidente.
Terras raras
A defesa de Lula da soberania brasileira ocorre no momento em que as terras raras brasileiras e vizinhas vêm sendo cobiçadas tanto por nações estrangeiras como pelo bilionário mercado de carros elétricos, como a Tesla. O CEO da empresa, Elon Musk, chegou a dizer pelo antigo Twitter, em 2020, que “vamos golpear quem quisermos” em referência ao ex-presidente da Bolívia Evo Morales. O país vizinho é rico em lítio, matéria-prima essencial na fabricação de baterias dos carros da marca.
Nesta semana, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), anunciou que assinou um memorando de entendimentos com o governo dos Estados Unidos sobre a exploração de minerais críticos e terras raras no estado brasileiro. Segundo ele, o acordo estabeleceria que Goiás tenha prerrogativa para priorizar a exploração das terras raras e mapear “o potencial mineral” do território, além de captar recursos de um fundo para investir nos estudos dessa tecnologia.
O presidente contou uma anedota sobre uma fábrica de tecelagem com 3mil funcionários na cidade de Belmiro Gouveia, em Alagoas, comprada por ingleses, e depois “destruída” porque os novos donos já não queriam produzir no Brasil.
“Eles não queriam produzir aqui, eles queriam vender. E assim continua sendo. E se nós não nos dotarmos de espírito de brasilidade, de nacionalismo, não é xenofobia falar isso, não, de nacionalismo mesmo, de patriotismo, se a gente não se dotar desse espírito, vai aparecer muita gente querendo vender porque o cara quer ganhar dinheiro e quer vender, mas quer vender o que não é dele, o que é da sociedade brasileira“, criticou.

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