Recorde: defasagem do preço do diesel vai a 85% e da gasolina, a 49%
Diferença do valor praticado no Brasil em relação ao mercado global disparou com a guerra no Oriente Médio e coloca a Petrobras sob pressão
atualizado
Compartilhar notícia

A defasagem do preço dos combustíveis no Brasil bateu novos recordes nesta segunda-feira (9/3). De acordo com dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a Petrobras está vendendo o diesel 85% mais barato, na comparação com o mercado global. No caso da gasolina, essa diferença é de 49%.
Sergio Araújo, presidente da Abicom, ressalta que esse descompasso considera a abertura do mercado desta segunda-feira em relação ao fechamento de sexta-feira (6/3). Com o decorrer do pregão, os números, portanto, podem mudar.
O preço internacional da commodity sofre forte impacto dos conflitos entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. No sábado (28/2), antes do início da guerra, a cotação média do barril da commodity (tipo Brent) era de US$ 73. No último fim de semana, ela esbarrou em US$ 120. O valor não ultrapassava a barreira dos US$ 100 desde 2022.
Quanto à defasagem, a última vez que a Petrobras alterou o preço do diesel foi em 6 de maio de 2025. Na ocasião, o valor foi reduzido nas refinarias em R$ 0,16 por litro, passando a R$ 3,27.
No caso da gasolina, a mudança mais recente ocorreu em 27 de janeiro deste ano. O preço do litro para as refinarias caiu R$ 0,14, para R$ 2,57.
Confusão
Para Araújo, da Abicom, é importante que as refinarias da Petrobras alinhem seus preços o quanto antes. “Elas são responsáveis pela produção e comercialização de cerca de 55% do diesel consumido no Brasil”, diz. “E o valor muito defasado provoca numa confusão muito grande no mercado.”
O presidente da entidade de importadores de combustíveis observa que, no domingo (8/3), ouviu relatos sobre locais que estariam com receio de desabastecimento. “Não por falta de produto, mas por dificuldade de precificar”, afirma. “Isso considerando que o preço da Petrobras está muito abaixo da paridade de importação e nem todos os agentes, ou seja, nem todas as distribuidoras têm acesso aos produtos fornecidos pelas refinarias da estatal.”
Petrobras
A alta do petróleo, seguida pelo aumento da defasagem, coloca a direção da Petrobras contra a parede. A cúpula da estatal tenta não repassar a volatilidade dos preços praticados no mercado internacional para os combustíveis nacionais. Na sexta-feira (6/3), no entanto, a presidente da empresa, Magda Chambriard, afirmou que, caso a alta do petróleo fosse muito elevada, o cenário exigiria respostas mais rápidas sobre um potencial reajuste.
