Racha sobre venda para Fleury explica queda de gestor da Oncoclínicas

Desavenças sobre negócio, que também incluía a Porto Seguro como compradora, surgiram de gestora americana e de conselheiros independentes

atualizado

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Um racha profundo entre acionistas e integrantes do conselho de administração em torno da venda da Oncoclínicas para o laboratório Fleury e para a Porto Seguro explica a saída, anunciada nessa terça-feira (7/4), do executivo Marcelo Gasparino da cúpula de gestores da maior rede privada especializada no tratamento de câncer do país.

Gasparino era o presidente do conselho de administração da empresa. Mas, nas últimas semanas, os desentendimentos internos se intensificaram. De acordo com fonte próxima à companhia, na lista de desavenças consta o fato de a gestora americana Mak Capital, que detém 6,3% do capital da Oncoclínicas, ter aumentado o tom das críticas que vinha fazendo ao conselho da companhia.

Em um novo comunicado enviado aos conselheiros pela Mak na última semana, a gestora definiu como crítica a situação da empresa, com riscos imediatos de liquidez, além de relatos de crescentes problemas de atendimento a pacientes.

Na carta, a Mak teria até discutido o quão oportuno seria um eventual pedido de recuperação extrajudicial da empresa, medida que, segundo a gestora, só poderia ser adotada depois de uma ampla discussão e sob a orientação de novo conselho. No documento, ela também sugeriu nomes de novos integrantes para o conselho.

Divergências nas atas

A crise interna, contudo, agravou-se com a divulgação, na última quinta-feira (2/4), no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de duas atas de reuniões do conselho de administração da Oncoclínicas, realizadas nos dias 13 e 15 de março. Os documentos expunham, em diversos pontos, a dissidência de dois conselheiros independentes. No caso, eram Marcos Grodetzky e Raul Rosenthal Ladeira de Matos.

Ambos contestavam, de início, o fato de as duas reuniões não terem sido gravadas, ao contrário do que havia ocorrido em outros encontros recentes. A seguir, criticaram – embora não tivessem descartado – a proposta de aquisição feita pelo Fleury-Porto.

“Inviável”

Nesse aspecto, Grodetzky e Matos afirmam que estudos preparados por assessores financeiros mostravam que a companhia que sobrasse depois da venda não seria viável, pois não poderia nem sequer arcar com o pagamento do principal e dos juros de uma dívida estimada em R$ 1,5 bilhão – hoje, o total de débitos da empresa, contudo, alcança cerca de R$ 4,2 bilhões.

Na reunião do dia 13 de março, os dissidentes também questionaram um pagamento que supostamente teria privilegiado o banco Original, em detrimento dos demais credores, num contexto de escassez.

Grodetzky e Matos afirmam que a companhia deveria “destinar todo e qualquer recurso disponível para comprar medicamentos que estão faltando e são críticos para a continuidade das operações e o tratamento de pacientes, e não privilegiar credores financeiros”.

Saída misteriosa

Na ata da reunião de 15 de março, outro assunto delicado é abordado – e contestado – pelos conselheiros independentes Grodetzky e Matos. Trata-se da renúncia, que surpreendeu o mercado, da executiva Camille Loyo Faria. Ela durou pouco mais de um mês como diretora de Relações com Investidores da Oncoclínicas. Faria havia sido contratada pela rede privada de tratamento de câncer depois de passar três anos à frente da reestruturação das lojas Americanas. Ela também atuou na recuperação judicial da Oi.

A renúncia ocorreu 48 horas depois da divulgação do acordo de aquisição da Oncoclínicas por parte do Fleury-Porto. Segundo os protestos de Grodetzky e Matos, Faria deixou o posto por divergências na minuta do texto que anunciaria ao mercado a venda da rede de clínicas. Segundo os conselheiros dissidentes, o documento preparado por Faria continha um “excesso de informações”. Por isso, ele foi recusado pela cúpula do conselho de administração. A versão final apresentada ao mercado foi assinada por outro executivo.

O Metrópoles entrou em contato com a assessoria de comunicação da Oncoclínicas, que não se pronunciou sobre o tema. O espaço permanece aberto para manifestações da empresa.

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