Balanço da Oncoclínicas traz prejuízo de R$ 3,6 bilhões e expõe crise

Perdas acumuladas em 2025 cresceram 80% na comparação com ano anterior. Dívidas de curto prazo são maior desavio da empresa

atualizado

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A Oncoclínicas, a rede privada de tratamento de câncer, encerrou 2025 com um prejuízo líquido de R$ 3,67 bilhões. O montante representa uma piora de 80% em relação às perdas de 2024, que somaram R$ 717 milhões. Os números constam do balanço divulgado pela empresa na noite de quinta-feira (9/4).

Considerado apenas o quarto trimestre de 2025, o prejuízo líquido da companhia ficou em R$ 1,52 bilhão. No mesmo período de 2024, ele havia totalizado R$ 759,2 milhões. Ou seja, na comparação trimestral, as perdas praticamente dobraram.

Na prática, os dados veiculados na demonstração financeira expuseram a extensão da severa crise pela qual passa a empresa. Um dos principais entraves é o vencimento no curto prazo de dívidas elevadas.

Covenants

Em relação a esse tema, a empresa informou que a obrigação de empréstimos, financiamentos e debêntures reconhecidas no passivo circulante consolidado em 31 de dezembro de 2025 é de R$ 3,2 bilhões. Desse total, R$ 2,9 bilhões estão diretamente impactados pelo não cumprimento de covenants.

Covenants são cláusulas contratuais presentes em acordos de dívidas. Eles impõem obrigações, restrições ou metas financeiras à empresa tomadora de empréstimos. O não cumprimento dessas regras dá aos credores o direito de exigir o pagamento antecipado dos débitos.

Curto prazo

Dos R$ 2,9 bilhões ligados a covenants, a Oncoclínicas afirma que obteve acordos (waivers, no jargão) para um total de pouco mais de R$ 1 bilhão. Restam, contudo, vencimentos de curto prazo (nesse caso, o tempo considerado é um ano) de R$ 1,88 bilhão.

Mas há uma agravante. Caso as dívidas para as quais a companhia não obteve o acordo tenham seu vencimento antecipado exigido pelos credores, os débitos em torno dos quais a empresa conseguiu o waiver também podem vencer no curto prazo.

Descumprimento

A demonstração financeira pontua que a Oncoclínicas descumpriu duas regras financeiras previstas nos contratos de dívida (os covenants). O índice de alavancagem, que mede a proporção entre dívida líquida e resultado operacional, ficou em 4,27 vezes, acima do limite máximo de 3,5 vezes. O índice de cobertura de juros, que mede a capacidade de pagar os encargos financeiros com o resultado obtido, foi de 1,35 vez, abaixo do mínimo exigido de 1,75 vez.

Caixa

Os números mostram ainda o comprometimento de caixa. O capital circulante da empresa (grosso modo, os recursos necessários para financiar as operações diárias de uma empresa, como estoque, caixa e contas a receber) está negativo em R$ 2,31 bilhões.

No balanço, os gestores afirmam que o consumo de caixa da Oncoclínicas segue em “patamares elevados”, principalmente por causa de dois fatores. O primeiro deles trata-se da inadimplência da Unimed FERJ, cujo valor alcança R$ 864,9 milhões e foi contabilizado integralmente no terceiro trimestre de 2025.

Além disso, acrescenta o documento, a Oncoclínicas registrou perdas de R$ 431 milhões relacionadas aos depósitos mantidos no Banco Master. “Esses dois eventos impactaram significativamente a dinâmica de fluxo de caixa de 2025 e o endividamento”, diz a Oncoclínicas.

Proteção contra credores

Diante dessa situação, a Oncoclínicas confirmou nesta semana que avalia ir à Justiça para se proteger temporariamente da cobrança de credores. A companhia também analisa uma proposta de aquisição feita pelo laboratório Fleury e pela Porto Segura.

A oferta, contudo, abriu um racha interno entre acionistas e integrantes do conselho de administração da empresa (leia mais sobre esse tema neste link). Além disso, as críticas feitas por gestores independentes da empresa incluem problemas no atendimento de pacientes.

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