Qual executivo ganha R$ 6,8 milhões por mês no Brasil? Veja ranking
Levantamento da consultoria Elos Ayta mostra quais empresas listadas no Ibovespa oferecem as melhores remunerações a seus líderes
atualizado
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Os 20 executivos mais bem pagos das empresas que fazem parte do Ibovespa (o principal índice da Bolsa brasileira, a B3) acumularam R$ 2,04 bilhões em remuneração no triênio 2022–2024. É isso o que mostra um levantamento feito pela consultoria Elos Ayta, com base em dados divulgados nos “Formulários de Referência”, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
De acordo com o levantamento, o ranking (veja abaixo) é liderado com ampla vantagem pelo Itaú Unibanco, cujo principal executivo somou R$ 208,6 milhões no período, com média anual próxima de R$ 69,5 milhões, o que perfaz quase R$ 5,8 milhões por mês (em 2024, esse valor foi maior, veja abaixo).
Esse valor faz do Itaú a empresa com maior remuneração executiva entre as companhias do Ibovespa, respondendo sozinho por pouco mais de 10% de toda a remuneração estimada paga pelos 20 maiores pacotes executivos da Bolsa brasileira no triênio analisado.
Na sequência do ranking aparecem Hapvida, com R$ 193 milhões, e Vale, com R$ 164,4 milhões em remuneração estimada para seus principais executivos entre 2022 e 2024. Juntas, as três companhias somam mais de R$ 566 milhões, evidenciando o alto grau de concentração nos maiores pacotes de remuneração executiva do mercado brasileiro.
Quando se ampliam os dados para os cinco maiores pacotes executivos do Ibovespa — Itaú, Hapvida, Vale, Localiza e PRIO — o valor acumulado ultrapassa R$ 825 milhões, representando uma parcela significativa do total estimado para o grupo das 20 empresas analisadas.
Forte concentração
A composição do ranking revela predominância de setores intensivos em capital e geração de caixa, especialmente:
• Bancos: Itaú, Santander e Bradesco
• Exploração, refino e distribuição de energia: PRIO, Cosan e Ultrapar
• Papel e celulose: Suzano e Klabin
• Saúde: Hapvida e Rede D’Or
Esse padrão sugere que empresas com maior escala operacional e maior exposição a mercados globais tendem a oferecer pacotes executivos mais robustos, frequentemente estruturados com forte peso de remuneração variável e incentivos de longo prazo.
Liderança em 2024
No recorte mais recente, o Itaú Unibanco também lidera a remuneração executiva do Ibovespa em 2024, com R$ 81,7 milhões estimados para seu principal executivo, ou ainda, R$ 6,8 milhões por mês.
No total, as empresas que compõem o índice destinaram cerca de R$ 1,35 bilhão em remuneração potencial aos seus principais executivos apenas em 2024, segundo o levantamento.
Entre os setores, destacam-se:
• Exploração, refino e distribuição: R$ 196,9 milhões
• Bancos: R$ 151,3 milhões
• Energia: R$ 98,8 milhões
Esses três segmentos concentram mais de um terço da remuneração executiva estimada do índice no ano.
Maior crescimento
Algumas empresas apresentaram avanços relevantes na remuneração executiva ao longo do período analisado. É o caso da PRIO, cuja remuneração estimada do principal executivo saltou de R$ 24,5 milhões em 2022 para R$ 64,2 milhões em 2024.
A Suzano também registrou crescimento expressivo, passando de R$ 20,7 milhões para R$ 56,4 milhões no mesmo intervalo. Outro destaque é a Embraer, cuja remuneração estimada subiu de R$ 8,2 milhões em 2022 para cerca de R$ 40 milhões em 2024, acompanhando a recuperação operacional da companhia.
Metodologia
O levantamento foi elaborado pela Elos Ayta com base em dados públicos divulgados pelas companhias abertas brasileiras nos “Formulários de Referência” arquivados na CVM.
Como a regulamentação brasileira não exige a divulgação individualizada da remuneração dos administradores, as estimativas utilizam como proxy a maior remuneração potencial atribuível à diretoria estatutária, considerando componentes como remuneração fixa, bônus anual e incentivos de longo prazo.
Os valores estimados não correspondem necessariamente à remuneração efetivamente recebida por executivos específicos, podendo variar em função de metas de desempenho, cláusulas contratuais, programas de incentivo baseados em ações ou diferimentos.
