Preço global de alimentos sobe por causa da guerra no Irã, diz FAO

Índice de commodities da agência da ONU aumentou 2,4% em março, na 2ª elevação seguida, como resultado do salto dos custos de energia

atualizado

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O açúcar sendo derramado em fundo preto. Metrópoles
1 de 1 O açúcar sendo derramado em fundo preto. Metrópoles - Foto: Freepik

O índice de preços de commodities alimentares criado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) registrou média de 128,5 pontos em março. O número representou uma alta de 2,4% sobre o dado revisado de fevereiro, segundo informações divulgadas pela entidade nesta sexta-feira (3/4).

Esse foi o segundo aumento seguido do indicador, cuja primeira elevação ocorreu em fevereiro, depois de cinco meses consecutivos de queda. De acordo com a FAO, a mudança de tendência, em grande parte, é resultado da elevação dos preços de energia, provocada pela guerra no Oriente Médio, cujos efeitos avançam sobre as cadeias de suprimento de alimentos.

O índice da FAO monitora os custos de commodities brutas, como grãos, açúcar, carne, laticínios e óleos vegetais. Embora não acompanhe preços ao consumidor, ele indica que a inflação de alimentos pode persistir, já que o conflito no Irã tem puxado a cotação do petróleo, assim como de fertilizantes, além de interromper fluxos de grãos e insumos essenciais pelo Estreito de Ormuz, no coração do teatro de guerra.

De acordo com a FAO, em março, os maiores aumentos foram anotados em itens como óleos vegetais e açúcar. Mas os valores de carnes, laticínios e cereais também subiram.

Açúcar

O subíndice de açúcar cresceu 7,2%, chegando à maior variação desde novembro de 2025. A expectativa de maior uso de etanol no Brasil ajudou a elevar os valores globais da commodity.

“O aumento, em março, foi influenciado principalmente pela alta dos preços internacionais do petróleo bruto, elevando as expectativas de que o Brasil, maior exportador mundial de açúcar, dependeria mais do etanol de cana-de-açúcar na próxima safra”, disse a FAO, em comunicado.

A nota observa que, apesar da tendência de alta, a expectativa em torno da produção fez com que a ascensão dos preços fosse menor. “O aumento geral dos preços mundiais do açúcar foi contido pela perspectiva geralmente favorável da oferta global para a safra 2025/26, sustentada pelo bom progresso da colheita na Índia e na Tailândia”, afirmou a entidade.

Cereais e carnes

Em março, o indicador para cereais subiu 1,5% em relação a fevereiro, com cotações mais altas para o trigo e o milho. Os óleos vegetais avançaram 5,1%, marcando o terceiro aumento seguido, como resultado de saltos em produtos como soja, girassol e canola.

O subíndice da carne registrou aumento de 1% em março, como consequência da disparada do preço da carne suína em várias regiões do mundo. Já o indicador de lácteos subiu 1,2%, com os valores elevados principalmente na Oceania e Europa.

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