Justiça inglesa mantém condenação da BHP por desastre de Mariana
Tribunal de Apelação da Inglaterra rejeitou pedido da mineradora de rever decisão de 2025, que considerou empresa responsável pelo acidente
atualizado
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O Tribunal de Apelação da Inglaterra rejeitou, nesta quarta-feira (6/5), o pedido da BHP para que fosse revista a decisão que reconheceu a responsabilidade da mineradora anglo-australiana pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). O episódio, que ocorreu em 5 de novembro de 2015, representou o maior desastre ambiental da história do Brasil.
Essa foi a segunda derrota da BHP na tentativa de reverter a condenação, proferida em 14 de novembro de 2025. Na ocasião, o Tribunal Superior inglês considerou a mineradora responsável pelo desastre. A nova tentativa de reverter a medida era a última via disponível no sistema inglês para que a sentença fosse contestada.
Com isso, a nova decisão abriu o caminho para o início da segunda fase do julgamento. Ele vai examinar as categorias de perdas e as provas para quantificar os danos sofridos pelas vítimas, além de fixar os valores de indenização aos atingidos. A audiência de julgamento dessa nova etapa, a “Fase 2”, começará em abril de 2027.
“Nossos clientes esperaram mais de uma década por justiça, enquanto a BHP buscou todas as vias processuais para evitar a responsabilização; essas vias agora estão fechadas. Estamos focados em garantir a indenização que centenas de milhares de brasileiros têm direito há muito tempo”, disse, por meio de nota, Jonathan Wheeler, do escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representa as vítimas.
A BHP, em parceria com a Vale, é a administradora da Samarco, a empresa responsável pela barragem que rompeu em 2015. No acidente, 19 pessoas morreram e uma lama tóxica percorreu cerca de 700 quilômetros pelo rio Doce, seguindo de Minas Gerais ao Atlântico.
Nota da BHP
Em nota, a BHP afirmou que “permanece confiante de que o trabalho realizado desde 2015 e o Novo Acordo do Rio Doce, assinado em outubro de 2024, que assegurou R$ 170 bilhões para a reparação, oferecem a solução mais rápida e eficiente para compensar os atingidos” no desastre. De acordo com a empresa, esse trabalho resultou em pagamentos a mais de 625 mil pessoas.
“É importante destacar que a Corte Inglesa, em sua decisão de mérito proferida em novembro de 2024, reconheceu os amplos programas de indenização e validou as quitações assinadas por aqueles que já receberam indenização integral – o que reforça a importância do trabalho realizado no Brasil ao longo da última década”, disse a mineradora.
A empresa observou que “cerca de 40% do total de reclamantes individuais na ação no Reino Unido serão excluídos do processo (por terem aderido a acordos firmados no Brasil) o que reduzirá de forma significativa o tamanho e valor dos pedidos lá formulados”.
A mineradora acrescentou que a “Samarco, a BHP Brasil e a Vale seguem implementando o Novo Acordo do Rio Doce junto aos governos e entidades publicas brasileiras”. “Somente em seu primeiro ano de execução, cerca de R$ 30 bilhões já foram desembolsados, sendo R$ 17 bilhões pagos diretamente a pessoas em indenizações individuais”, afirmou.
