Inflação na Argentina fica abaixo de 2% pelo 4º mês consecutivo

Já no acumulado de 12 meses até agosto, a inflação ficou em 33,6%, desacelerando em relação aos 36,6% registrados no mês anterior

atualizado

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Imagem de Javier Milei, presidente da Argentina, discursando em um púlpito. Ele sorri e mexe nos óculos - Metrópoles
1 de 1 Imagem de Javier Milei, presidente da Argentina, discursando em um púlpito. Ele sorri e mexe nos óculos - Metrópoles - Foto: Tomas Cuesta/Getty Images

A taxa mensal de inflação na Argentina se manteve estável em agosto deste ano e ficou abaixo de 2% pelo quarto mês consecutivo, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (10/9) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

Segundo o levantamento do Indec, a inflação no país governado pelo ultraliberal Javier Milei foi de 1,9% no mês passado, mesmo resultado de julho.

Já no acumulado de 12 meses até agosto, o índice ficou em 33,6%, desacelerando em relação aos 36,6% registrados no mês anterior.

Os dados vieram praticamente em linha com as estimativas da maioria dos analistas do mercado, que eram de 2% (mensal) e 33,7% (anual).

Em agosto, segundo o Indec, o segmento que apresentou a maior alta de preços foi o de transportes (3,6%), seguido por bebidas alcoólicas e tabaco (3,5%).

A inflação de alimentos e bebidas não alcoólicas foi de 1,4%.

No mês passado, o único segmento que registrou queda nos preços foi o de roupas e calçados (-0,3%).

Crise política

Os dados de inflação na Argentina são divulgados em meio a uma crise no governo do presidente Javier Milei, que sofreu uma derrota importante nas eleições da província de Buenos Aires, no último domingo (7/9).

A Força Nacional, coalizão peronista que faz oposição a Milei, venceu a disputa com cerca de 41%, ante 34% do partido La Libertad Avanza, do atual presidente.

A Argentina se prepara para as eleições legislativas, programadas para o fim de outubro, que são consideradas por alguns analistas uma espécie de “referendo” sobre o governo Milei.

Se, em outubro, houver uma derrota similar, analistas do mercado temem que o governo argentino terá dificuldade para prosseguir com as reformas econômicas em curso no país.

A Argentina passa por condições financeiras instáveis, com desvalorização do peso, queda da bolsa e denúncias de corrupção na administração. Acusações pesam, por exemplo, contra Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência.

Inflação em queda livre no governo Milei

No começo do ano passado, a inflação acumulada em 12 meses na Argentina beirava os 300%. Durante o governo Milei, o índice anual recuou para os dois dígitos.

Em abril deste ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou um acordo com o governo da Argentina que prevê um empréstimo de US$ 20 bilhões. Na ocasião, o Banco Mundial também anunciou a liberação de um pacote de US$ 12 bilhões para o país.

De acordo com a instituição financeira, o aporte visa a contribuir com as reformas econômicas implementadas pelo governo argentino, além de impulsionar a geração de empregos no país.

Segundo a instituição, o pacote representa “um forte voto de confiança nos esforços do governo para estabilizar e modernizar a economia”.

Desde então, governo argentino vem utilizando os novos recursos para quitar dívidas do Tesouro junto ao Banco Central, buscando reduzir o endividamento e dar mais previsibilidade ao mercado financeiro.

“Quebramos o último elo da corrente que nos mantinha presos. Eliminamos o controle cambial para sempre”, afirmou Milei, na época, em um vídeo de 22 minutos de duração, gravado diretamente da Casa Rosada.

No mesmo dia, o governo argentino anunciou o fim das restrições para a compra de dólares por pessoas físicas – o chamado controle cambial. Assim, depois de 6 anos de vigência dessa política (estabelecida ainda no governo do ex-presidente Mauricio Macri, em 2019), os argentinos não precisam mais seguir o limite de US$ 200 para compra de divisas no mercado oficial de câmbio.

Desde 14 de abril, é possível comprar dólares sem restrições ou limites no mercado oficial. A cobrança de imposto sobre essas operações também foi eliminada – ela continua valendo apenas para turismo e gastos com cartão no exterior.

FMI vê Argentina “na direção correta”

Também em abril, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que a política econômica levada a cabo pelo governo Milei está indo “na direção correta”.

Em entrevista coletiva na abertura de uma reunião do FMI, Georgieva elogiou o forte ajuste fiscal promovido pelo governo Milei e defendeu reformas econômicas, regulatórias e comerciais para impulsionar o crescimento global.

Segundo a diretora-geral do FMI, a tendência é a de que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino termine 2025 registrando um avanço de 5% em relação ao ano anterior. “Mas é claro que isso dependerá dos efeitos das tensões globais”, ponderou.

Agência de risco eleva nota argentina

Em julho, a Moody’s, uma das três principais agências de classificação de risco do mundo, aumentou a nota de crédito da Argentina pela segunda vez neste ano.

A agência elevou a nota argentina em dois níveis, de Caa3 para Caa1.

As agências de classificação de risco são empresas privadas que avaliam a saúde financeira de países e de outras empresas. Com base em critérios como juros, dívida, capacidade fiscal e outros, as agências concedem uma nota de crédito.

Em seu comunicado, a Moody’s destacou o esforço fiscal levado a cabo pelo governo do presidente da Argentina, Javier Milei, que tem conseguindo bons resultados na economia.

“A melhora reflete a diminuição do risco de um evento de crédito, à medida que a retirada gradual das restrições cambiais permite uma transição para um regime cambial mais robusto, ancorado na construção de reservas internacionais”, disse a Moody’s.

Em janeiro deste ano, a Moody’s já havia subido a nota de crédito da Argentina, de Ca para Caa3, e mudado a perspectiva de estável para positiva.

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