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Argentina: inflação desacelera para 36,6% em julho, dentro do esperado

Já na comparação mensal, entre junho e julho de 2025, a inflação na Argentina foi de 1,9%, acelerando em relação ao 1,6% do mês anterior

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A inflação na Argentina desacelerou, em bases anuais, para 36,6% em julho deste ano, de acordo com dados divulgados nessa quarta-feira (13/8) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

O resultado ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado, que projetavam uma inflação anual de 36,4%. No mês anterior, o indicador ficou em 39,4% – houve, portanto, uma desaceleração.

Na comparação mensal, entre junho e julho de 2025, a inflação na Argentina foi de 1,9%, acelerando em relação ao 1,6% do mês anterior.

Também em bases mensais, o índice veio em linha com o que esperava o mercado. A média das estimativas indicava 1,8%.

A maior alta registrada em julho foi do segmento de recreação e cultura (4,8%), segundo o Indec. Na sequência, aparecem transporte (2,8%), restaurantes e hotéis (2,8%), comunicação (2,3%) e bens e serviços diversos (2,1%).

Inflação em queda livre no governo Milei

No começo do ano passado, a inflação acumulada em 12 meses na Argentina beirava os 300%. Durante o governo ultraliberal do presidente Javier Milei, o índice anual recuou para os dois dígitos.

Em abril deste ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou um acordo com o governo da Argentina que prevê um empréstimo de US$ 20 bilhões. Na ocasião, o Banco Mundial também anunciou a liberação de um pacote de US$ 12 bilhões para o país.

De acordo com a instituição financeira, o aporte visa a contribuir com as reformas econômicas implementadas pelo governo argentino, além de impulsionar a geração de empregos no país.

Segundo a instituição, o pacote representa “um forte voto de confiança nos esforços do governo para estabilizar e modernizar a economia”.

Desde então, governo argentino vem utilizando os novos recursos para quitar dívidas do Tesouro junto ao Banco Central, buscando reduzir o endividamento e dar mais previsibilidade ao mercado financeiro.

“Quebramos o último elo da corrente que nos mantinha presos. Eliminamos o controle cambial para sempre”, afirmou Milei, na época, em um vídeo de 22 minutos de duração, gravado diretamente da Casa Rosada.

No mesmo dia, o governo argentino anunciou o fim das restrições para a compra de dólares por pessoas físicas – o chamado controle cambial. Assim, depois de 6 anos de vigência dessa política (estabelecida ainda no governo do ex-presidente Mauricio Macri, em 2019), os argentinos não precisam mais seguir o limite de US$ 200 para compra de divisas no mercado oficial de câmbio.

Desde 14 de abril, é possível comprar dólares sem restrições ou limites no mercado oficial. A cobrança de imposto sobre essas operações também foi eliminada – ela continua valendo apenas para turismo e gastos com cartão no exterior.

FMI vê Argentina “na direção correta”

Também em abril, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que a política econômica levada a cabo pelo governo Milei está indo “na direção correta”.

Em entrevista coletiva na abertura de uma reunião do FMI, Georgieva elogiou o forte ajuste fiscal promovido pelo governo Milei e defendeu reformas econômicas, regulatórias e comerciais para impulsionar o crescimento global.

Segundo a diretora-geral do FMI, a tendência é a de que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino termine 2025 registrando um avanço de 5% em relação ao ano anterior. “Mas é claro que isso dependerá dos efeitos das tensões globais”, ponderou.

Agência de risco eleva nota argentina

No mês passado, a Moody’s, uma das três principais agências de classificação de risco do mundo, aumentou a nota de crédito da Argentina pela segunda vez neste ano.

A agência elevou a nota argentina em dois níveis, de Caa3 para Caa1.

As agências de classificação de risco são empresas privadas que avaliam a saúde financeira de países e de outras empresas. Com base em critérios como juros, dívida, capacidade fiscal e outros, as agências concedem uma nota de crédito.

Em seu comunicado, a Moody’s destacou o esforço fiscal levado a cabo pelo governo do presidente da Argentina, Javier Milei, que tem conseguindo bons resultados na economia.

“A melhora reflete a diminuição do risco de um evento de crédito, à medida que a retirada gradual das restrições cambiais permite uma transição para um regime cambial mais robusto, ancorado na construção de reservas internacionais”, disse a Moody’s.

Em janeiro deste ano, a Moody’s já havia subido a nota de crédito da Argentina, de Ca para Caa3, e mudado a perspectiva de estável para positiva.

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