Haddad lamenta reviravolta de Motta no IOF: “Não consigo entender”

Nesta semana, a Câmara e o Senado derrubaram o decreto do governo federal que aumentava o IOF, pegando a equipe econômica de surpresa

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1 de 1 Imagem colorida do ministro da Fazenda, Fernando Haddad - Metrópoles - Foto: Diogo Zacarias/MF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), admitiu nesta sexta-feira (27/6) que até agora não compreendeu a mudança de postura do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em relação às negociações envolvendo o aumento de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Nesta semana, a Câmara e o Senado derrubaram o decreto do governo federal que aumentava o IOF, pegando a equipe econômica de surpresa. No início do mês, Haddad esteve reunido com Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), além de diversos líderes partidários, para debater alternativas à elevação do IOF.

Mesmo assim, o presidente da Câmara pautou a votação que derrubaria as mudanças no IOF para esta semana, apesar do Congresso esvaziado pelas festividades de São João.

“Depois de várias reuniões com o presidente da República e os presidentes das duas Casas, nós levamos para o conjunto de líderes esses dispositivos que foram traduzidos em um novo decreto e em uma Medida Provisória [MP], minuciosamente apresentados durante 5 horas de reunião em um domingo”, disse Haddad em entrevista à GloboNews.

“Isso não implicava que a MP seria aprovada. Não é isso que eu estou falando. Depois do domingo, eu não sei o que aconteceu. Não fui informado por nenhum dos participantes da reunião sobre as razões da mudança de comportamento”, lamentou o ministro.

“Eu saí da casa do presidente Hugo Motta com a certeza de que havíamos dado um encaminhamento para as questões, que seriam debatidas. Ninguém ali tinha fechado questão, mas havia um encaminhamento. Não saí de lá com a sensação de que estava tudo resolvido, mas com a sensação de que estava 100% resolvido o encaminhamento tanto da MP quanto do decreto do IOF. O que aconteceu depois eu não sei, eu não consigo entender”, prosseguiu Haddad.

O chefe da equipe econômica disse ainda que mantém boa relação com o presidente da Câmara. “Eu sempre tive, e ainda tenho, muita proximidade com o Hugo. Eu duvido que um ministro da Fazenda tenha visitado tanto as residências oficiais com os líderes”, observou.

O peso das eleições

Questionado se a resistência do Congresso às mudanças no IOF se devem às eleições de 2026, Fernando Haddad afirmou que o mesmo Legislativo aprovou uma série de projetos da agenda econômica do governo.

“O Congresso fez essa agenda andar, a ponto de nós cumprirmos metas de resultado primário, a LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias], sempre compartilhei a reforma tributária. Sem o Congresso, nada disso teria sido possível. Raramente houve um conflito maior, como no caso da desoneração. Foi a única controvérsia que até agora não foi dirimida. Tirando esse único caso, onde mais as coisas empataram? Tudo andou”, disse.

“Uma economia com a menor taxa de desemprego da história, com a inflação em queda, com o dólar em queda… a quem interessa estragar esse cenário? Só por razões eleitorais?”, indagou Haddad.

“Não vejo espaço para isso. Tudo o que a gente quer é que a eleição do ano que vem seja uma eleição boa para o Brasil, que se discutam ideias, que as pessoas apresentem suas divergências. É normal, no mundo inteiro essa disputa está acontecendo”, completou.

Resistência do PT

Na entrevista, o ministro da Fazenda também foi perguntado sobre uma suposta resistência de amplos setores de seu partido, o PT, à agenda de corte de gastos encampada pela equipe econômica.

“Dentro do PT tem vozes dissonantes. E é normal que seja assim. Agora, eu sou um colaborador do presidente da República e eu estou fazendo as coisas de acordo com as diretrizes estabelecidas por ele em diálogo comigo”, minimizou Haddad.

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