Fictor Alimentos desaba na Bolsa após pedido de recuperação judicial

Por volta das 11h45 (pelo horário de Brasília), papéis da empresa desabavam quase 30% (29,82%) e eram negociados a menos de R$ 1 (R$ 0,80)

atualizado

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Imagem colorida de recepção de empresa do Grupo Fictor
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As ações da Fictor Alimentos, uma das empresas do Grupo Fictor, registravam forte queda, nesta segunda-feira (2/2), após o pedido de recuperação judicial apresentado pela companhia.


O que aconteceu

  • Por volta das 11h45 (pelo horário de Brasília), os papéis da empresa desabavam quase 30% (29,82%) e eram negociados a menos de R$ 1 (R$ 0,80) na Bolsa de Valores do Brasil (B3).
  • Na mínima do pregão até aqui, as ações da Fictor tombaram 32,45%, cotadas a R$ 0,77. É a maior queda do pregão nesta segunda-feira.
  • No acumulado do mês de janeiro, os papéis da companhia registram perdas de 45,19%.

A Fictor Alimentos tem ações negociadas na Bolsa brasileira desde a aquisição da Atom Participações, em 2024. O negócio, que foi feito em parceria com a Conquest, permitiu a entrada da empresa na B3.

A Fictor integra um conglomerado que atua em diversos setores, entre os quais o de alimentos, financeiro, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis.

Recuperação judicial

O Grupo Fictor protocolou, no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), um pedido de recuperação judicial. A holding tem uma dívida de, aproximadamente, R$ 4 bilhões.

A recuperação judicial é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários. Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar um plano para acertar as contas e seguir em operação. Em linhas gerais, a recuperação judicial é uma tentativa de evitar a falência.

Em nota, a empresa afirmou que o pedido de recuperação judicial “é consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master”.

Segundo a Fictor, um consórcio liderado por ela iria adquirir o Master. A instituição que pede a recuperação judicial se diz vítima da ação do Banco Central (BC) no Master.

“A reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, diz trecho do comunicado.

Em 17 de novembro de 2025, o Grupo Fictor anunciou que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões. No dia seguinte, no entanto, o Banco Central decretou a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, e a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, que levou à cadeia o banqueiro e outros integrantes da cúpula da instituição financeira.

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo BC em 18 de novembro de 2025. O BC alegou haver fraude na venda de carteiras de créditos. Desde então, os credores elegíveis tiveram de acionar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para requisitar as garantias – que, somadas, chegam a R$ 40,9 bilhões.

Na esfera judicial, o caso Master tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.

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