Favorito de Trump para assumir Fed minimiza investigação sobre Powell
“Trata-se de um simples pedido de informações que deve ser atendido em breve. Então, as coisas seguirão em frente”, afirmou Kevin Hassett
atualizado
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O conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, apontado como o principal favorito para suceder o atual presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Jerome Powell, minimizou, nesta sexta-feira (16/1), as investigações lideradas pelo Departamento de Justiça sobre o chefe da autoridade monetária.
Hassett é considerado o líder nas bolsas de apostas sobre quem será o sucessor de Powell à frente do Fed. Ele é apontado como o preferido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a quem caberá fazer a indicação.
O mandato do atual presidente do Fed, Jerome Powell, termina em maio. Desafeto de Trump, ele se tornou alvo de uma investigação sobre os custos de uma reforma realizada na sede do BC norte-americano, cujos custos foram estimados em cerca de US$ 2,5 bilhões.
Nos últimos dias, Trump voltou novamente sua artilharia contra Powell e o chamou de “atrasado”, “incompetente” e “corrupto”. Mesmo assim, o republicano descartou a possibilidade de demiti-lo, às vésperas do fim de seu mandato como chefe do Fed.
“Trata-se de um simples pedido de informações que deve ser atendido em breve. Então, as coisas seguirão em frente”, afirmou Kevin Hassett em entrevista à Fox Business.
Segundo o conselheiro econômico da Casa Branca, no entanto, deveria ter havido “mais transparência sobre os custos excedentes nas reformas da sede do Fed”.
Jerome Powell, por sua vez, vem negando qualquer irregularidade na reforma do prédio do BC dos EUA e acusou Trump de usar essa investigação como pretexto para pressionar o Fed e cortar a taxa de juros em intensidade maior do que tem sido feito, para atender aos desejos políticos e pessoais de Trump.
Na última reunião do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.
A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.
Quem é Kevin Hassett, o favorito de Trump para o Fed
O principal cotado para a presidência do Fed foi economista sênior do BC dos EUA e pesquisador do American Enterprise Institute. Durante mais de duas décadas, Hassett fez parte do círculo de formulação econômica do Partido Republicano, de Trump.
Ele também foi conselheiro de ícones do Partido Republicano como os ex-senadores John McCain (1936-2018), em 2000, e Mitt Romney, em 2012, e também do ex-presidente dos EUA George W. Bush, em 2004.
Hassett atuou ainda na Hoover Institution e foi professor da Columbia Business School.
No primeiro mandato de Donald Trump como presidente dos EUA, entre 2017 e 2021, Hassett foi um dos maiores defensores da política de corte de impostos e da agenda tributária do governo. Após a saída de Trump da Casa Branca, Hassett seguiu como seu conselheiro informal.
Nos últimos meses, Hassett subiu o tom contra a política monetária e criticou a suposta lentidão do Fed para iniciar o ciclo de corte de juros. Ele também levantou dúvidas a respeito de “padrões possivelmente partidários” na divulgação dos dados oficiais de emprego no país.
