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Negócios

Estados Unidos criam 139 mil novas vagas em maio, acima do esperado

O resultado veio acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 126 mil vagas. Desemprego se manteve em 4,2% nos Estados Unidos

06/06/2025 09:37, atualizado 06/06/2025 10:43
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Getty Images
Pessoa assina ficha para vaga de emprego nos Estados Unidos - Metrópoles

A economia dos Estados Unidos registrou a criação de 139 mil novas vagas de emprego fora do setor agrícola em maio, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (6/6) pelo Departamento do Trabalho do governo norte-americano.

Trata-se do chamado “payroll”, um indicador econômico mensal dos EUA que indica a evolução do emprego no país fora do setor agrícola.

O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.


O que aconteceu

  • Os EUA registraram a criação de 139 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em maio.
  • O resultado veio acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 126 mil vagas.
  • A taxa de desemprego ficou em 4,2%.
  • Em abril, o “payroll” mostrou a abertura de 147 mil vagas no país (dado revisado) e uma taxa de desemprego também de 4,2%.

Por que o dado é importante

A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia para combater a inflação.

Analistas temem que uma possível aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Nesse sentido, a criação de vagas acima das expectativas pode ser interpretada como uma notícia negativa.

Em sua última reunião, no início de maio, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed anunciou a manutenção dos juros básicos no intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano. Foi a terceira reunião consecutiva na qual a autoridade monetária norte-americana manteve inalterada a taxa de juros.

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Antes das três últimas reuniões, o Fed tinha levado a cabo um ciclo de três quedas consecutivas dos juros nos EUA, que começou em setembro do ano passado – o primeiro corte em cinco anos.

A elevação da taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para conter a inflação.

O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,3% em abril, na base anual, uma leve desaceleração em relação aos 2,4% registrados em março.

Na comparação mensal, o índice foi de 0,2%, após uma queda de 0,1% em março (o primeiro recuo da inflação norte-americana desde maio de 2020).

A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano. Embora não esteja nesse patamar, o índice vem se mantendo abaixo de 3% desde julho de 2024.

A próxima reunião do Fed está marcada para os dias 17 e 18 de junho.

Análise

Segundo Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, os dados “confirmam a tendência de desaceleração do mercado de trabalho, embora ainda tenha ficado acima da expectativa”.

“A revisão negativa de 95 mil para os dois meses anteriores indica que o mercado de trabalho segue desacelerando, mas a taxa de desemprego ficou inalterada em 4,2% e com leve aceleração na variação do salário médio em 0,4% no mês, patamares bastante saudáveis”, afirma.

“A dinâmica no mercado de trabalho americano segue robusta e com uma desaceleração moderada, o que deve significar que não devemos esperar uma contribuição maior no processo de desinflação no curto prazo. O cenário deve manter o Fed em pausa aguardando uma evolução mais clara nos dados à frente. Mantemos nossa expectativa de dois cortes no segundo semestre”, conclui a economista.