“É importante que o BC não se emocione”, diz Galípolo sobre críticas

“Se o BC fizer um bom trabalho, ele geralmente vai ser criticado pelo dois extremos, pelas duas posições”, afirmou Gabriel Galípolo em SP

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1 de 1 Imagem colorida do presidente do Banco Central - Gabriel Galípolo - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (24/11) que não se incomoda com as críticas à política monetária e que é importante que a autarquia “não se emocione” diante de pressões ou eventual descontentamento por causa do rumo da taxa básica de juros da economia brasileira.

Galípolo participou do Almoço Anual dos Dirigentes de Bancos promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo. Além dele, também estiveram no evento os ministros Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos) e Wolney Queiroz (Previdência Social), além do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan.

“A equipe econômica é responsável por sintetizar o conflito distributivo de um país bastante desigual. Isso é especialmente complexo em um país como o nosso. Toda decisão tomada no campo econômico vem acompanhada de um ‘mas’. Em economia, toda decisão vai ter essa relação de prêmio e risco, de custo e oportunidade”, afirmou Galípolo.

“O BC, ao longo deste ano, diferentemente de outros casos, foi muito desafiado naquilo que é o seu mandato central. Se o BC fizer um bom trabalho, ele geralmente vai ser criticado pelo dois extremos, pelas duas posições”, prosseguiu o chefe da autoridade monetária.

Segundo o presidente do BC, apesar de eventuais críticas, “a política monetária está funcionando”. “É importante que o BC não se emocione e não seja uma instituição preocupada em fazer movimentos em termos de mídia ou mobilização, mas em cumprir aquilo que é o seu mandato”, disse Galípolo.

Na última reunião do Copom, no início do mês, a autoridade monetária manteve os juros inalterados, em 15% ao ano. O Brasil tem a quarta maior taxa nominal de juros do mundo e é o vice-líder no ranking global dos juros reais (a taxa nominal descontada a inflação). O mercado já vem projetando o início do ciclo de corte da Selic para o início do ano que vem.

“Primeiro dos pessimistas e último dos otimistas”

“O desafio maior é qual é a medida de você fazer isso sem deixar que o ruído atrapalhe um pedaço muito grande da atuação do BC, que é como a população percebe essa atuação”, disse Galípolo.

“É importante que o BC siga dosando a sua comunicação, sem cruzar essa linha e sem ficar preocupado em ter um protagonismo na narrativa. Este não é o papel do BC. O papel do BC é seguir o seu trabalho estritamente técnico”, continuou o chefe da autarquia.

Segundo Galípolo, “o debate é sempre legítimo e democrático com os diversos setores da sociedade”. “Isso é absolutamente normal e não me incomoda”, disse. “O BC é, por definição, o primeiro dos pessimistas e o último dos otimistas”, completou.

Juros, inflação e atividade econômica

No último dia 11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados oficiais de inflação referentes ao mês de outubro. No mês passado, o índice ficou em 0,09%, 0,39 ponto percentual abaixo da taxa de setembro (0,48%). No acumulado do ano até outubro, a inflação no Brasil ficou em 3,73%. Em 12 meses, o índice foi de 4,68%, abaixo dos 5,17% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro do ano passado, a variação havia sido de 0,56%.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

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