Dólar recua e Bolsa sobe com arrecadação, Galípolo e juro nos EUA
Na sessão da última sexta-feira (21/11), o dólar fechou em alta de 1,18%, cotado a R$ 5,432. Ibovespa recuou 0,4%, aos 154,7 mil pontos
atualizado
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O dólar passou a operar em leve queda nesta segunda-feira (24/11), abrindo a semana com os investidores atentos aos dados da arrecadação federal referentes ao mês de outubro e a falas do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, que participa de um evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo.
No cenário internacional, o mercado financeiro segue acompanhando as indicações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) sobre a trajetória da taxa básica de juros no país.
Dólar
- Às 15h23, o dólar caía 0,12%, a R$ 5,395.
- Mais cedo, às 11h31, a moeda norte-americana recuava 0,23% e era negociada a R$ 5,389.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,407. A mínima é de R$ 5,379.
- Na sessão da última sexta-feira (21/11), o dólar fechou em alta de 1,18%, cotado a R$ 5,432. Foi o maior valor em mais de um mês.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 0,32% em novembro e perdas de 12,6% em 2025 frente ao real.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), passou a operar em alta no pregão.
- Às 15h25, o Ibovespa avançava 0,33%, aos 155,2 mil pontos.
- Na sexta-feira, o indicador fechou o pregão em queda de 0,4%, aos 154,7 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 3,5% no mês e de 28,67% no ano.
Arrecadação federal
Nesta segunda-feira, a Receita divulgou os dados da arrecadação federal referentes ao mês de outubro, além do acumulado dos dez primeiros meses do ano.
Em outubro, a arrecadação do governo federal teve uma alta real de 0,92%, na comparação com o mês anterior, somando R$ 261,908 bilhões. Foi o maior patamar para o mês de toda a série histórica, iniciada em 1995.
No acumulado dos dez primeiros meses do ano, a arrecadação foi de R$ 2,367 trilhões, o que representou alta de 3,2% em relação ao mesmo período de 2024. O valor também foi recorde para o período.
Galípolo em São Paulo
Outro destaque desta segunda-feira é a participação do presidente do BC, Gabriel Galípolo, no Almoço Anual dos Dirigentes de Bancos promovido pela Febraban, na capital paulista. O chefe da autoridade monetária faz uma palestra durante o evento.
Também participam do encontro da Febraban os diretores de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos; de Política Econômica, Diogo Guillen; de Política Monetária, Nilton David; de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti; e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes.
Antes de participar do encontro da federação de bancos, Galípolo tem uma audiência com o presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Carlos André; o diretor-executivo, José Carlos Doherty; e a superintendente de Representação de Mercados, Tatiana Itikawa.
A expectativa dos investidores é a de que o presidente do BC faça algum comentário a respeito da política monetária. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no início do mês, o BC manteve os juros inalterados, em 15% ao ano. O Brasil tem a quarta maior taxa nominal de juros do mundo e é o vice-líder no ranking global dos juros reais (a taxa nominal descontada a inflação). O mercado já vem projetando o início do ciclo de corte da Selic para o início do ano que vem.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
Juros nos EUA
Os investidores também aguardam pronunciamentos de dirigentes do Fed em busca de “pistas” sobre a trajetória da taxa básica de juros nos EUA. Após a divulgação do relatório oficial de empregos do país (o “payroll”), o mercado ficou mais dividido em relação às expectativas sobre um possível novo corte dos juros na próxima reunião do Fed, em dezembro. Nas últimas horas, no entanto, voltou a aumentar a percepção de que pode haver uma nova redução.
Na sexta-feira, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que os juros nos EUA podem cair sem que se coloque em risco a meta de inflação definida pela autoridade monetária. Williams é membro permanente do Fed e vice-presidente do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que define a taxa de juros.
A presidente do Fed de Boston, Susan Collins, disse que a política monetária norte-americana está adequada neste momento. Já a chefe do Fed de Dallas, Lorie Logan, defendeu a manutenção dos juros no atual patamar “por algum tempo”.
Os EUA registraram a criação de 119 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em setembro. O resultado veio bem acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 53 mil vagas.
A taxa de desemprego no país foi de 4,4% em setembro. Em agosto, o “payroll” mostrou o fechamento de 4 mil vagas no país (dado revisado) e uma taxa de desemprego de 4,3%.
Setembro interrompeu uma sequência de quatro meses consecutivos em que os empregos criados ficaram abaixo de 100 mil nos EUA. Também foi a primeira divulgação do relatório desde o fim do shutdown – a paralisação de diversos setores da máquina governamental, que durou mais de 40 dias e foi a maior da história do país.
A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Fed para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.
Analistas temem que uma possível aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Nesse sentido, dados mais fracos do “payroll” poderiam ser até considerados positivos, por sinalizarem maior espaço para a queda dos juros – embora também exista a preocupação em relação a uma retração excessiva da maior economia do mundo.
Atualmente, a taxa de juros nos EUA está no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano, depois de dois cortes seguidos de 0,25 ponto percentual. A próxima reunião do Fed para definir a taxa de juros, a última do ano, está marcada para os dias 9 e 10 de dezembro.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros por parte do Fed no próximo mês estava em 24,7% no início da manhã. Hoje, 75,3% dos investidores apostam em uma nova redução de 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano.
