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Negócios

Dólar sobe e forte queda da indústria reforça aposta de corte da Selic

Moeda americana avança 0,23% sobre o real, cotada a R$ 5,09. Produção industrial caiu 1,8% na passagem de maio para junho. Bolsa dispara

04/08/2026 10:27, atualizado 04/08/2026 11:26
SimpleImages/Getty Images
Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles

O dólar andou de lado no início da sessão desta terça-feira (4/8), mas, por volta das 9h40, embicou numa tendência de alta, embora modesta. Às 10h20, a moeda americana subia 0,23% frente ao real, cotada a R$ 5,09.

O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), abriu o pregão em alta expressiva de 1,41%, aos 180,4 mil pontos. Na véspera, o indicador não registrou variação. Por volta das 11h20, porém, esse ímpeto havia diminuído. Nesse horário, a elevação era bem menor: de 0,26%, aos 178,4 mil pontos.

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O movimento do dólar, em parte, é resultado de incertezas que diminuem o apetite por risco dos investidores. Não estão claros, por exemplo, os desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Irã.

As informações vigentes — sempre suscetíveis a mudanças repentinas — indicam que o governo dos Estados Unidos retomou as negociações com os iranianos. Teerã, contudo, nega os contatos, mas as conversas estariam ocorrendo de forma indireta. O fato é que o presidente americano, Donald Trump, suspendeu ataques planejados no fim de semana.

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Outro dado concreto é que o petróleo mantém a tendência de queda. Às 9h55, o barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, recuava 2,30%, a US$ 81,84. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, caía 2,99%, a US$ 77,94.

Bolsas de NY

Animadas com a perspectiva de um acordo EUA-Irã, as bolsas de Nova York operam em alta generalizada. Às 11h20, o avanço era de 1,00% no S&P 500; de 1,39%, no Dow Jones; e de 1,50%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Juros no Brasil

No ambiente interno, os agentes econômicos aguardam a definição do valor da taxa básica de juros do Brasil, a Selic. Ela será definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), nesta quarta-feira (5/8).

As apostas, quase unânimes, apontam para um corte de 0,25 ponto percentual da taxa, que nesse caso passaria de 14,25% para 14,00% ao ano. A questão concentra-se nas indicações sobre o que acontecerá com a Selic nas próximas reuniões do Copom, que acontecem em setembro, novembro e dezembro. O detalhe é que existe a forte possibilidade de o órgão do BC não dar sinais sobre o que pretende fazer até o fim deste ano.

À espera do corte

A perspectiva, porém, é de novas quedas dos juros, como mostrou na segunda-feira (3/8) o Boletim Focus, o levantamento semanal feito pelo BC com economistas do mercado. Os técnicos esperam que a Selic termine o ano em 13,75%. Ou seja, ela seria reduzida em 0,50 ponto percentual até o fim de 2026.

A pesquisa também registrou a quinta redução seguida na estimativa da inflação neste ano. A previsão para o IPCA de 2026, o índice que mede a inflação oficial do país, ficou em 5,03%. Há uma semana o número estimado era de 5,12%.

Produção industrial

Novos indícios de desaquecimento da atividade, que reforçam a tese de corte de juros por parte do Copom, surgiram na manhã desta terça-feira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho frente a maio. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM).

Essa foi a segunda baixa consecutiva do indicador. Em maio (na comparação com abril), ela foi menor: 0,2%. A queda de junho, o último dado disponível, foi a mais intensa desde dezembro, quando a PIM indicou recuo de 1,9%.

Na passagem de maio para junho, as quatro grandes categorias econômicas e a maior parte dos 25 ramos pesquisados apontaram taxas negativas. Entre as atividades, a influência negativa mais importante foi assinalada pelo grupo de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 5,9% em junho de 2026.

“Tom brando”

Na avaliação de João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, a queda da atividade industrial registrada pelo IBGE não só aumenta a chance de um corte da Selic nesta quarta-feira, como pode levar o Copom a “adotar um tom mais brando em relação a novas reduções da taxa em 2026”. Ele observa que os investidores também atuam neste pregão embalados por um razoável otimismo  respeito de uma trégua nos conflitos no Oriente Médio.