Dólar sobe e Bolsa cai com petróleo em alta e “impasse sem fim” no Irã
Moeda americana registrou alta de 0,55% frente ao real, cotada a R$ 5,02. O Ibovespa, o principal índice da B3, recuou 0,81%
atualizado
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O mau humor voltou a dominar os mercados de câmbio e ações no Brasil nesta sexta-feira (22/5). O dólar registrou alta de 0,55% frente ao real, cotado a R$ 5,02. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,81%, aos 176.209,61 mil pontos.
Ambos os movimentos foram resultado de uma reversão das expectativas dos investidores em torno das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. Na véspera, surgiram acenos, ainda que tênues, de que um acordo poderia ser firmado entre os dois países. Essa percepção, porém, ruiu na sessão desta sexta-feira.
O fato é que, por mais que surjam informações de eventuais entendimentos entre Washington e Teerã, dois pontos centrais da disputa permanecem em aberto. Um deles é a questão da atividade nuclear no Irã. O outro diz respeito ao controle e liberação do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.
Nesse cenário, o preço da commodity voltou a subir, embora com taxas modestas. O barril de petróleo do tipo Brent, a referência internacional, fechou em alta de 0,94%, a US$ 103,54 (no dia anterior, anotou queda de 2,43%, a US$ 102,58). O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 0,26%, a US$ 96,60 (na véspera, recuou 1,94%, a US$ 96,35) por barril.
Bolsas globais
Apesar do cenário global tenso, as principais bolsas da Europa fecharam em alta, impulsionadas por dados macroeconômicos positivos. O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, por exemplo, subiu 0,3% no primeiro trimestre de 2026 sobre igual período de 2025.
Assim, o índice europeu Stoxx 600, que reúne 600 empresas de 17 países do continente, subiu 0,80%. O FTSE 100, de Londres, avançou 0,22% e o DAX, de Frankfurt, obteve elevação de 1,15%. O CAC 40, de Paris, anotou valorização de 0,37%. No acumulado da semana, as bolsas tiveram um resultado positivo, apesar de tropeços pontuais.
Wall Street
Em Wall Street, o pregão também foi de bons resultados. A alta foi de 0,37%, no S&P 500, de 0,48% no Dow Jones; e de 0,19%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
O índice DXY, que mede a força do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes (caso do euro, iene e libra esterlina, por exemplo), teve leve avanço. Ele subiu 0,09%, aos 99,29 pontos.
Posse no Fed
No ambiente externo, os investidores acompanharam a posse de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A mudança encerrou a gestão de Jerome Powell no comando da instituição. Agora, caberá a Warsh lidar com a pressão do presidente Donald Trump por juros mais baixos (o que favorece os negócios e o crescimento da economia).
O problema é que o ambiente econômico azedou de vez com a guerra do Irã, que completa três meses na próxima semana. Longe de projeções de queda — e dos anseios do republicano —, o mercado já aposta maciçamente num aumento dos juros americanos na reunião do Fed de dezembro. As taxas estão no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Juros altos
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, as chances de um aumento dos juros de 0,25 ponto percentual no último mês do ano são de 42,5%. Para uma elevação de 0,5 ponto percentual, chegam a 22,1%. A possibilidade de manutenção é de 29,8%.
Confiança baixa
As expectativas em torno da economia americana também estão descendo a ladeira. Divulgado nesta sexta-feira, o Índice de Confiança do Consumidor, preparado pela Universidade de Michigan, caiu para 44,8 pontos em maio, o menor nível da história do indicador, depois de ficar em 49,8 em abril. A previsão de economistas era de 48,2 pontos neste mês.
Eleições no Brasil
No Brasil, os agentes econômicos acompanharam a veiculação de mais uma pesquisa eleitoral, mostrando o impacto da divulgação das relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, na corrida presidencial.
De acordo com o Datafolha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre o senador em uma simulação de primeiro turno. Lula obteve 40% das intenções de voto, ante 31% de Flávio. No levantamento feito antes do caso, divulgado em 16 de maio, os dois estavam em empate técnico. Lula tinha 38% e Flávio Bolsonaro 35% (a margem de erro é de dois pontos percentuais).
Bloqueio de despesas
O Ministério da Fazenda também apresentou o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias relativo ao segundo bimestre de 2026. Ele apontou a necessidade de um bloqueio extra de R$ 22,1 bilhões, totalizando agora R$ 23,7 bilhões. Isso porque as despesas sujeitas ao limite estão em R$ 2.416,4 bilhões, frente ao limite de R$ 2.392,7 bilhões.
O aumento da despesa sujeita ao limite se deveu às despesas previdenciárias, com acréscimo de R$ 11,8 bilhões, e aos Benefícios de Prestação Continuada (BPC), R$ 14,1 bilhões a mais.
Para a Warren Investimentos, o primeiro aumento já era esperado. “Temos apontado a subestimativa da projeção oficial em nossos Relatórios de Cenários Fiscais”, disse a corretora em nota. “Em relação ao BPC, também havia alguma subestimativa, mas o tamanho da correção surpreendeu. Será preciso analisar este gasto com calma. Podemos estar agora diante de superestimativa.”
Análise
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar operou em alta na sessão, voltando a superar R$ 5,00, num “ambiente de maior cautela global e doméstica”. “Depois de cair pontualmente no início do pregão com fluxo comercial favorecido pelo petróleo acima de US$ 100, a moeda americana recuperou força acompanhando a alta dos rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida do governo dos Estados Unidos) e a valorização global do dólar”, diz o analista.
Shahini observa que esse movimento “ganhou tração após a Universidade de Michigan mostrar uma piora no sentimento do consumidor e avanço das expectativas de inflação”. “Isso reforçou a percepção de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos”, afirma. “A ausência de um acordo definitivo entre EUA e Irã também manteve o petróleo pressionado e sustentou o prêmio de risco global.”