Dólar sobe e Bolsa cai com petróleo e sinais trocados de Trump com Irã

Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,74%, cotado a R$ 5,003. Ibovespa fechou em forte alta de 1,77%, aos 177,3 mil pontos

atualizado

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1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Witthaya Prasongsin/Getty Images

O dólar opera em alta, nesta quinta-feira (21/5), em meio às incertezas globais, com indefinição em relação aos desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã, sinais contraditórios do presidente norte-americano, Donald Trump, e um novo foco de tensão internacional com a acusação criminal dos EUA contra o ex-ditador de Cuba, Raúl Castro.

No ambiente doméstico, o principal destaque da agenda econômica é a divulgação dos dados oficiais de arrecadação referentes ao mês de abril, pela Receita Federal. Os investidores também monitoram o noticiário político, em meio ao acirramento da pré-campanha eleitoral para a disputa pela Presidência da República.


Dólar

  • Às 10h16, o dólar subia 0,26%, a R$ 5,016.
  • Mais cedo, às 9h06, a moeda norte-americana avançava 0,18% e era negociada a R$ 5,013.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,025. A mínima é de R$ 5,008.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,74%, cotado a R$ 5,003.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,04% no mês e perdas de 8,84% frente ao real no ano.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), opera em baixa no pregão.
  • Às 10h19, o Ibovespa recuava 0,59%, aos 176,3 mil pontos.
  • No dia anterior, o indicador fechou o pregão em forte alta de 1,77%, aos 177,3 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 5,32% em maio e valorização de 10,07% em 2026.

Sinais contraditórios de Trump

A guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços internacionais do petróleo continuam ditando o ritmo dos mercados globais.

O otimismo dos investidores, verificado na véspera, se deveu a uma declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, dando conta de que a guerra com o Irã no Oriente Médio pode chegar ao fim “muito rapidamente”. Depois, ele reforçou a mesma narrativa ao dizer que Washington “está nos estágios finais de negociação” pela paz com Teerã.

As declarações foram dadas a parlamentares, na Casa Branca. O problema é que elas vão na direção oposta ao discurso adotado pelo próprio Trump anteriormente, o que vem gerando dúvidas entre os agentes do mercado.

Na última terça-feira (19/5), Trump havia dito que poderia “precisar atacar o Irã novamente”. “Espero que não tenhamos de voltar com a guerra, mas podemos ter de dar a eles (Irã) outro grande golpe… Ainda não tenho certeza. Vocês saberão muito em breve”, afirmou.

O presidente norte-americano também revelou que, na segunda-feira (18/5), esteve a apenas uma hora de autorizar ofensiva contra o Irã, mas decidiu adiar a ação após pedidos de líderes do Oriente Médio.

Segundo o republicano, o ataque estava previsto para ocorrer na terça, mas foi suspenso diante da possibilidade de avanço nas negociações diplomáticas envolvendo o conflito.

Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que recebeu apelos do emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani; do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman; e do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

“Fui solicitado […] a adiar o nosso planejado ataque militar contra a República Islâmica do Irã, que estava agendado para amanhã. Isso porque negociações sérias estão em andamento”, escreveu.

Diante de tantas idas e vindas, os preços internacionais do petróleo também vêm registrando forte oscilação nos últimos dias. Nesta quinta-feira, por exemplo, eles operavam em alta.

Por volta das 8h45 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para julho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 2,22% e era negociado a US$ 100,44.

No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) registrava ganhos de 1,74%, a US$ 106,85.

Na sessão de quarta-feira (20/5), o petróleo fechou em queda firme. O barril do tipo WTI recuou 5,7%, a US$ 98,26, enquanto o brent cedeu 5,62%, a US$ 105,02.

Guerra no Irã pode aumentar preços dos alimentos, diz ONU

A guerra entre EUA, Israel e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz podem provocar um aumento no preço dos alimentos ao redor do mundo. O alerta é da Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo o órgão da ONU, a continuidade do bloqueio em Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, pode “desencadear uma grave crise global de preços dos alimentos dentro de seis a 12 meses”.

Os impactos do bloqueio parcial da rota marítima, que se arrasta desde o fim de fevereiro, já são visíveis. De acordo com o Índice de Preços dos Alimentos da FAO, os preços internacionais de cestas de produtos alimentícios subiram pelo terceiro mês consecutivo em abril. A alta é causada, principalmente, pelo aumento do preço do petróleo e interrupções no comércio de fertilizantes.

Diante do cenário, a FAO fez recomendações para contornar a crise. Entre elas, a mudança para rotas de transporte alternativas, como a Península Arábica e o Mar Vermelho, e o fim de restrições a exportações de petróleo, fertilizantes e insumos em Ormuz.

Apesar de embarcações de países não aliados aos EUA e Israel terem sinal verde para transitar no estreito, mediante o pagamento de pedágio, Ormuz continua bloqueado parcialmente pelo Irã. De acordo com Teerã, a medida é uma retaliação à guerra iniciada por forças norte-americanas e israelenses no Oriente Médio.

Novo foco de tensão: EUA x Cuba

Ainda no campo geopolítico, os investidores também acompanham a escalada nas tensões entre o governo Trump e a ditadura cubana. Na quarta-feira, Raúl Castro, ex-líder de Cuba, foi acusado criminalmente nos EUA.

Castro, de 94 anos, foi ministro da Defesa de Cuba antes de assumir a Presidência em 2008, após o afastamento por motivos de saúde de seu irmão, Fidel Castro. Ele deixou o cargo em 2018, dois anos após a morte de Fidel, mas segue sendo uma figura influente dentro do sistema político cubano.

De acordo com os autos, o ex-presidente é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos. Outras cinco pessoas também são citadas como rés em uma moção dos EUA para tornar pública a acusação contra Castro.

A medida ocorre em meio ao aumento da pressão do governo Trump sobre Cuba e ao discurso de mudança de regime na ilha. Historicamente, acusações formais feitas pelos EUA contra líderes estrangeiros são incomuns.

“Os EUA não tolerarão um estado-pária que abriga operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilômetros do território americano”, disse Trump em um comunicado divulgado na quarta.

Nos últimos meses, Washington endureceu as sanções contra Havana e passou a ameaçar países que fornecem combustível ao governo cubano. A medida agravou a crise energética na ilha, provocando apagões e ampliando a pior crise econômica enfrentada pelo país em décadas.

Além disso, o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA anunciou a chegada do porta-aviões USS Nimitz à região do Caribe.

“O porta-aviões USS Nimitz, o grupo aéreo embarcado CVW-17, o USS Gridley e o USNS Patuxent são o epítome de prontidão e presença, alcance e letalidade incomparáveis ​​e vantagem estratégica”, disse o Comando Sul dos EUA em uma publicação nas redes sociais.

O USS Nimitz possui 333 metros de comprimento e está em operação desde 1975. Segundo a Marinha norte-americana, trata-se do porta-aviões de propulsão nuclear mais antigo ainda em atividade no mundo.

A embarcação tem capacidade para transportar dezenas de aeronaves militares e conta com uma tripulação de aproximadamente 6 mil pessoas.

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