Dólar cai e Bolsa dispara com declaração de Trump sobre fim da guerra

Moeda americana recuou 0,74%, mas ficou no patamar de R$ 5,00. Ibovespa fechou em alta de quase 2%, depois de afundar 1,52% na véspera

atualizado

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1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Jackal Pan/Getty Images

O dólar registrou queda de 0,74% em relação ao real. Mesmo assim, manteve-se no patamar de R$ 5,00, nesta quarta-feira (20/5). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), disparou. O indicador fechou em alta de 1,77%, aos 177,3 mil pontos.

Os dois resultados — tanto o recuo da moeda americana quanto a expressiva elevação do Ibovespa — representaram uma guinada radical em relação ao comportamento do mercado na véspera. Na terça-feira (19/5), o dólar subiu 0,85% e o índice da B3 afundou 1,52%.

A mudança brusca de humor dos investidores foi resultado de novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Primeiro, ele afirmou que a guerra contra o Irã “terminará rapidamente”. Depois, reforçou a mesma narrativa ao dizer que Washington “está nos estágios finais de negociação” pela paz com Teerã.

Petróleo em queda

Com isso, o preço do petróleo desabou no mercado mundial. O barril do tipo Brent, a referência internacional, caiu 5,63%, a US$ 105,02 (na véspera, fechou em US$ 112,10). O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixou 5,66%, a US$ 98,26 (no dia anterior, ficou em US$ 104,38) por barril.

A queda da cotação da commodity aliviou o temor que domina os agentes econômicos desde o início dos embates no Irã, em 28 de fevereiro. Eles têm medo de que a inflação provocada pela alta do petróleo crie um quadro de estagflação (aumento de preços mesmo com estagnação econômica) e mantenha elevada (ou até resulte em avanços) a taxa de juros dos Estados Unidos, atualmente fixada no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

O problema é que, apesar da reação otimista do mercado nesta quarta-feira, essa não foi a primeira vez que Trump adotou um discurso apaziguador em relação ao Oriente Médio. Em 15 de abril, o republicano disse que “a guerra estava próxima do fim”. Em 1º de maio, afirmou que os objetivos do combate estavam “quase concluídos”.

Ata do Fed

Ainda sobre os juros americanos, a ata da reunião de abril do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), divulgada nesta quarta-feira, reforçou a percepção de que eles devem permanecer elevados por mais tempo. O documento mostrou que o Fed está menos inclinado a promover cortes da taxa no curto prazo.

O fato é que a perspectiva de fim do conflito, ainda que frágil, provocou um alívio geral, despertando o apetite por ativos de risco por parte dos investidores, além de uma redução dos juros futuros. Nesse contexto, o dólar recuou no mercado global. Às 16h30, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes (como euro e iene), baixava 0,25%, aos 99,07 pontos.

Bolsas globais

As bolsas da Europa subiram em bloco. Em Londres, o FTSE 100 registrou valorização de 0,99%. O DAX, de Frankfurt, avançou 1,36% e o CAC 40, de Paris, disparou 1,7%.

Em Wall Street, a reação foi idêntica. Os principais índices de Nova York subiram em bloco. A alta foi de 1,08%, no S&P 500; de 1,31%, no Dow Jones; e de 1,55%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Ibovespa

No Ibovespa, ações de grande peso no índice, como as da Vale e dos grandes bancos, subiram forte. A exceção ficou com a Petrobras, cujos papéis caíam 3,25% (as preferenciais, sem direito a voto em assembleias) às 16h40. O motivo do recuo, porém, foi justamente a queda do preço do petróleo no mercado global.

Análises

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que o movimento do dólar no Brasil ocorreu em sintonia com o exterior. “O principal vetor de alívio foi a queda expressiva nos rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida dos Estados Unidos) e nos preços do petróleo, que recuaram fortemente após declarações do governo americano sinalizando que um acordo de paz com o Irã estaria em estágio final”, diz.

No cenário doméstico, observa Shahini, o “ambiente de maior apetite por risco em mercados emergentes foi o suficiente para compensar o aumento do prêmio de risco político local, com os investidores monitorando de perto os desdobramentos eleitorais e os esforços dos pré-candidatos para restabelecer a confiança do mercado”.

Ata desconsiderada

Na avaliação de Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o que “fez preço no mercado” nesta quarta-feira foram as falas de Trump sobre a guerra no Irã. A ata do Fed, nesse sentido, passou ao largo dos investidores. O analista, porém, a classificou como “bem negativa”.

“Uma das frases que mais me chamaram a atenção é aquela em que os dirigentes do Fed dizem que veem a inflação alta e, provavelmente, pode haver aumentos de juros para controlá-la”, diz. “Então, se o mercado estivesse seguindo a ata, deveria, na verdade, começar a cair, porque ela faz com que aumente a taxa de juros, aumente a atividade da renda fixa e aí o investidor sai da renda variável.”

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