Dólar sobe com temor de inflação global e caso Bolsonaro-Vorcaro

Moeda americana registrou alta de 0,85%, cotada a R$ 5,04. Ibovespa caiu 1,52%, aos 174,1 mil pontos, o menor nível em quatro meses

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images
Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles
1 de 1 Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles - Foto: Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images

Os mercados de câmbio e ações foram sacudidos nesta terça-feira (19/5) por uma nova deterioração de expectativas em torno do cenário econômico global. Tal quadro aumentou a aversão a risco dos investidores, que também acompanharam os desdobramentos das relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Nesse cenário, o dólar registrou alta de 0,85% frente ao real, cotado a R$ 5,04. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 1,52%, aos 174,2 mil pontos. Esse foi o menor nível registrado pelo indicador, desde 21 de janeiro, ou seja, há quase quatro meses.

No campo internacional, a incerteza sobre a duração da guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a contaminar a economia, à medida que acentuou temores inflacionários. Esse medo é provocado, notadamente, pelo aumento do preço do petróleo no mercado mundial e pela possível demora de queda desse valor, mesmo em caso de fim dos combates no Oriente Médio.

O fato é que a estimativa de mais inflação diminui a expectativa dos agentes econômicos de cortes de juros por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) neste ano. Atualmente, essas taxas estão fixadas no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

No início de 2026, a maior parte dos analistas acreditava em reduções dos juros americanos, com apostas de cortes a partir de julho. Essa crença, porém, sofreu uma reviravolta radical. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, não só estão afastadas as previsões de baixa, como deslancharam as chances de aumento dos juros.

Mais juros

Para a reunião do Fed marcada para dezembro, a possibilidade de aumento da taxa soma 59,8% (na sexta-feira, 15/5, esse percentual era de 50%). Para uma elevação de 0,25 ponto percentual, as chances são de 41,4%; para um aumento de 0,5 ponto percentual, elas ficam em 15,8%; e para um acréscimo de 1 ponto percentual, atingem 2,6%.

Em paralelo, a previsão do aumento dos juros americanos em 2026 provoca uma escalada dos rendimentos dos Treasuries, os títulos da dívida do governo dos Estados Unidos. Nesta terça-feira, a taxa da T-bond de 30 anos (Treasury Bond, um título de longo prazo) ultrapassou o maior patamar desde 2007, superando 5,15%.

Dólar caro

O aumento da remuneração dos Treasuries, considerados os ativos de renda fixa mais seguros do mundo, atrai novos dólares de investidores, o que aumenta a cotação da moeda americana no mercado mundial. “E temos Treasuries de 2, 5, 7 e 30 anos batendo máximas dos últimos quase vinte anos”, diz Felipe Sant’Anna, do grupo Axia Investing.

No mundo, o dólar também subiu. O índice DXY, que compara a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como euro e iene), subiu 0,34%, aos 99,32 pontos.

Petróleo

Note-se que o medo de um recrudescimento da inflação se disseminou entre os agentes econômicos, embora o petróleo não tenha aumentado nesta terça-feira. Ao contrário, ele registrou leve queda, mas ainda assim se manteve num patamar acima de US$ 100.

No caso do barril do tipo Brent, que serve de referência internacional, o recuo foi de 0,73%, a US$ 111,28. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixou 0,22%, a US$ 104,15 por barril.

Bolsas no mundo

As bolsas globais também sentiram o impacto do impasse em torno da guerra no Oriente Médio e suas possíveis consequências para a inflação global. Os principais índices de Nova York caíram na sessão. A baixa foi de 0,67%, no S&P 500; de 0,65%, no Dow Jones; e de 0,84%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Na Europa, contudo, deu-se o contrário. A maior parte dos indicadores encerrou o dia no azul, ainda na expectativa de negociações mais efetivas entre os Estados Unidos e o Irã. O índice europeu Stoxx 600 subiu 0,27% e o DAX, de Frankfurt, avançou 0,38%. O FTSE 100, de Londres, e o CAC 40, de Paris, mantiveram-se estáveis, embora com sinais opostos. O primeiro registrou leve alta de 0,07% e o segundo anotou pequena baixa também de 0,07%.

Eleições

Mas não é somente a guerra e a alta dos juros que pesam nos mercados de câmbio e de capitais. No cenário interno, observam analistas, os investidores continuam acompanhando o quadro eleitoral.

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira, indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou a liderança na corrida presidencial sobre o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A vantagem foi ampliada tanto no primeiro como no segundo turnos, depois da divulgação das conversas entre o parlamentar e Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.

Nesta terça-feira, o Metrópoles também divulgou que Flávio visitou Vorcaro, no fim de 2025, logo depois da primeira prisão do ex-banqueiro pela Polícia Federal (PF). O encontro ocorreu na casa de Vorcaro.

Análises

Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar operou em forte alta na sessão, pressionando o real e seus pares emergentes em meio ao avanço global da moeda americana e à escalada dos rendimentos dos Treasuries.

“No cenário internacional, as idas e vindas nas negociações entre Estados Unidos e Irã mantêm o petróleo Brent acima do patamar de US$ 110 o barril, alimentando temores inflacionários e reforçando a perspectiva de juros restritivos por mais tempo na maior economia do mundo, o que estimula a migração de capital para a renda fixa americana”, diz.

“No ambiente doméstico, a cautela é amplificada pelo fator político depois de novas pesquisas eleitorais mostrarem uma perda de tração do senador Flávio Bolsonaro frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, refletindo o desgaste decorrente das investigações envolvendo o Banco Master”, afirma. “Desse modo, tivemos dois vetores fortes atuando na sessão: o fator de risco político doméstico e o cenário externo ainda incerto consolidaram a pressão de alta do câmbio.”

Aversão ao risco

Para Bruno Perri, da Forum Investimentos, o forte movimento de aversão ao risco foi resultado do medo da inflação, provocado pela guerra no Oriente Médio. “Ele pressionou as taxas dos Tresuries, com destaque para o título de 30 anos, que atingiu o maior nível desde 2007”, diz. “O movimento fortaleceu o DXY e derrubou as bolsas lá fora.”

Perri observa que esse “efeito negativo foi majorado no Brasil pelo resultado da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg”. “Ao longo do pregão, novas notícias envolvendo o pré-candidato e Daniel Vorcaro aprofundaram o mau humor dos investidores, pressionando a Bolsa e os juros.”

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações