Dólar fica estável em R$ 4,99, à espera de negociações entre EUA-Irã
Moeda americana registrou queda e apenas 0,03% frente ao real, mantendo-se no menor patamar em pouco mais de 2 anos. Ibovespa caiu 0,46%
atualizado
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O dólar registrou leve queda de 0,03% frente ao real, cotado a R$ 4,99, nesta quarta-feira (15/4). Como a variação foi minúscula, na prática, houve estabilidade do câmbio. Dessa forma, a moeda americana manteve-se no menor patamar desde março de 2024.
Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,46%, aos 197.737,61 pontos. Com o resultado, o indicador interrompeu uma sequência de dez altas seguidas, iniciada em 31 de março.
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a cotação do dólar refletiu um ambiente de indefinição no exterior. “O mercado ficou em compasso de espera por sinais mais claros sobre as negociações entre EUA e Irã, enquanto o petróleo oscilou, mas se manteve abaixo de US$ 100, reduzindo pressões adicionais”, diz. “A ausência de um vetor direcional claro — combinada com ajuste de posições após a alta recente do real — manteve o câmbio com baixa oscilação no pregão de hoje.”
Shahini observa que a divulgação do Livro Bege, o relatório qualitativo do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) divulgado 8 vezes por ano, detalhando as condições econômicas dos Estados Unidos, reforçou um cenário de pressão inflacionária ainda presente. Ele tem como destaque a alta disseminada dos custos de energia e insumos, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.
Guerra
“A guerra vem encarecendo frete, combustíveis e cadeias industriais ligadas ao petróleo”, afirma. “Além disso, houve relatos de aumento em metais, tecnologia, seguros e saúde, indicando que a inflação segue relativamente espalhada.”
O analista acredita que o mercado de trabalho americano não mostrou uma mudança expressiva, com estabilidade na maioria dos distritos e sinais marginais de melhora na oferta de mão de obra. “A leitura geral é de uma economia ainda resiliente, mas com pressões inflacionárias mais disseminadas”, diz. “Isso tende a reforçar a postura conservadora do Fed na condução da política de juros.”
Ibovespa
Num análise geral do Ibovespa, Leandro Martins, analista de renda variável do Banco Inter, acredita que o atual ambiente geopolítico, especialmente sensível, começa a afetar os setores de forma diferente. “Empresas ligadas ao petróleo tendem a apresentar maior volatilidade, muitas vezes com viés positivo em cenários de alta do barril”, diz. “Já setores intensivos em combustível, como companhias aéreas, logística e transporte, podem sofrer mais com a elevação de custos.”
Para setores mais sensíveis à Selic, como varejo, construção civil e tecnologia, tendem a oscilar bastante conforme mudam as expectativas de juros. “Bancos costumam ter um comportamento mais equilibrado, ainda se beneficiando de juros elevados, mas também sensíveis ao ritmo da economia”, conclui.
