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Dólar passa a subir e Bolsa cai com guerra, Lula, IOF e “superquarta”

No dia anterior, o dólar fechou em queda de 1,03%, cotado a R$ 5,486, pela primeira vez abaixo de R$ 5,50 desde outubro de 2024. Bolsa subiu

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O dólar passou a operar em alta na tarde desta terça-feira (17/6), em mais um dia no qual os mercados repercutem os desdobramentos da guerra entre Israel e o Irã, com seus potenciais efeitos sobre a economia e o preço internacional do petróleo.

Os investidores também seguem com atenção o noticiário envolvendo o encontro de cúpula do G7 (grupo formado pelos países mais ricos e desenvolvidos do mundo), no Canadá, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi convidado para a reunião.

O mercado segue, ainda, em compasso de espera pelas decisões dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos sobre a taxa básica de juros nos dois países. As autoridades monetárias começam a se reunir nesta terça-feira e anunciam a nova taxa de juros na chamada “superquarta”.


Dólar

  • Às 15h49, o dólar subia 0,31%, a R$ 5,503.
  • Mais cedo, às 14h38, a moeda norte-americana avançava 0,03% e era negociada a R$ 5,488.
  • No dia anterior, o dólar fechou em queda de 1,03%, cotado a R$ 5,486.
  • Foi a primeira vez que dólar fechou abaixo de R$ 5,50 desde outubro do ano passado.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 4,07% em junho e de 11,23% em 2025.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em queda no pregão desta terça.
  • Às 15h50, o indicador recuava 0,48%, aos 138,5 mil pontos.
  • Na véspera, o Ibovespa fechou o pregão em alta de 1,49%, aos 139,2 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 1,63% no mês e de 15,78% no ano.

Guerra entre Israel e Irã

As atenções dos investidores continuam voltadas ao Oriente Médio, com os desdobramentos da guerra entre Israel e Irã, que teve início na última quinta-feira (12/6).

De acordo com o exército de Israel, o chefe do Estado-Maior de Guerra do Irã, Ali Shadmani, foi “eliminado” após ataque aéreo a um centro de comando tripulado em Teerã. O comandante militar “sênior” é a figura mais próxima do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

Ali Shadmani havia sido nomeado para o cargo de chefe após o assassinato de Gholamali Rashid, na semana passada, também pelo exército israelense. Ele era o ex-chefe do Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya.

Segundo Israel, o “centro de comando de emergência ‘Khatam al-Anbiya’ sob seu comando era responsável por gerenciar as operações de combate e aprovar os planos de poder de fogo do Irã”.

“Em seus diversos cargos, ele influenciava diretamente os planos operacionais do Irã voltados contra o Estado de Israel”, afirmaram os militares.

De acordo com o exército israelense, a eliminação de Ali Shadmani se soma a uma “série de eliminações da alta cúpula militar iraniana e enfraquece a cadeia de comando das forças armadas do Irã”.

O general de brigada israelense Effie Defrin afirmou que, na manhã desta terça e ao longo da madrugada, aproximadamente 30 mísseis foram lançados contra Israel. Segundo ele, “a maioria foi interceptada, mas alguns impactos foram identificados”.

A imprensa iraniana informou que o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, afirmou que os ataques israelenses ao Irã são contrários às normas internacionais e contradizem todos os padrões.

Ele também disse esperar que o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o Conselho de Segurança da organização interrompam as agressões e ameaças.

Na véspera, o presidente dos EUA, Donald Trump, orientou que todos os cidadãos norte-americanos devem evacuar Teerã o mais rápido possível. Ele disse ainda que o regime iraniano “não pode ter uma arma nuclear”.

“Superquarta” dos juros

Nesta terça-feira, também começam as reuniões de política monetária no Brasil e nos EUA. Os anúncios das novas taxas de juros nos dois países acontece na quarta-feira (18/6), mais uma chamada “superquarta”.

“Superquarta” é o termo usado no mercado financeiro para o dia em que coincidem as divulgações das taxas básicas de juros no Brasil e nos EUA.

Em sua última reunião, nos dias 6 e 7 de maio, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed anunciou a manutenção dos juros básicos no intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano.

Antes das três últimas reuniões, o Fed tinha levado a cabo um ciclo de três quedas consecutivas dos juros nos EUA, que começou em setembro do ano passado – o primeiro corte em cinco anos.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Na semana passada, Donald Trump voltou a subir o tom contra o presidente do Fed, Jerome Powell, e cobrou a redução dos juros no país após a divulgação do resultado da inflação nos EUA em maio, que veio abaixo das projeções do mercado.

Segundo o Departamento do Trabalho, o Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação oficial no país, ficou em 2,4% em maio, na base anual, uma leve alta em relação aos 2,3% registrados em abril.

Na comparação mensal, o índice foi de 0,1%, ante 0,2% em abril.

No Brasil, também no início de maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentou a taxa de juros em 0,5 ponto percentual, de 14,25% para os atuais 14,75% ao ano.

É o maior patamar dos juros básicos em quase duas décadas. Foi o sexto aumento consecutivo da taxa.

Para a reunião que começa nesta terça, o mercado está dividido nas projeções. A maioria dos analistas acredita que o Copom deve interromper o ciclo de cortes e manter a Selic em 14,75% ao ano. Há quem aposte, entretanto, em uma nova alta, mais modesta (de 0,25 ponto percentual), para 15% ao ano – que seria a última do ciclo de elevações da taxa.

Na semana passada, os dados de inflação divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmaram a desaceleração do indicador.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,26% em maio deste ano, ante 0,43% em abril. Foi o terceiro mês seguido de desaceleração.

No acumulado entre janeiro e maio deste ano, o IPCA ficou em 2,75%. No período de 12 meses até maio, foi de 5,32%.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.

Lula no G7

Também nesta terça, o mercado financeiro acompanha o primeiro dia de participação do presidente Lula na reunião do G7, no Canadá. Criado em 1975, o grupo reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Inglaterra, Japão e Reino Unido.

No evento, Lula fará um rápido discurso durante uma sessão ampliada, para a qual outros países não membros do G7 também foram chamados — entre eles, África do Sul, Índia, México, Coreia do Sul e Ucrânia. O petista pretende pedir a desescalada do conflito no Oriente Médio entre Israel e Irã e condenar os ataques israelenses à Faixa de Gaza.

O presidente brasileiro, de acordo com auxiliares, também pretende aproveitar o espaço para convidar os demais líderes presentes no G7 a comparecerem à COP30, conferência do clima da ONU que acontecerá em Belém, em novembro.

Além de discursar durante a sessão ampliada do G7, Lula tem três reuniões bilaterais previstas para ocorrerem no mesmo resort onde acontece a cúpula. O hotel fica em Kananaskis, região das montanhas rochosas da província canadense de Alberta.

Lula conversará com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky; com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney; e com o novo chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. As conversas foram pedidas pelos três líderes, segundo o Planalto.

IOF no Congresso

No cenário doméstico, as discussões em torno do pacote fiscal apresentado pelo governo também continuam no radar do mercado.

Na noite dessa segunda-feira (16/6), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a urgência do projeto que susta decreto que reajustou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Com isso, a matéria será analisada diretamente em plenário, sem passar por comissões.

O requerimento de urgência foi aprovado por 346 votos a favor. Foram registrados ainda 97 votos contrários, em uma derrota do governo Lula.

A aprovação da urgência da matéria ocorre em meio ao impasse entre Legislativo e Executivo causado pela elevação das alíquotas do IOF. O mérito ainda não tem data para ser apreciado pela Câmara.

Nos últimos dias, Motta se reuniu com Lula e ministros do governo. Na segunda, antes da votação, o presidente da Câmara afirmou a jornalistas que o governo se comprometeu em apresentar propostas de corte de despesas, mas sem sinalização de recuo no decreto do IOF.

O governo havia anunciado a alta no IOF no fim de maio, para arrecadar mais R$ 20 bilhões e atingir a meta fiscal deste ano. A medida teve forte reação negativa do mercado e do Congresso.

Diante da repercussão, o governo negociou com parlamentares e ficou acordado que o aumento das alíquotas seria reduzido e que seria enviada uma Medida Provisória (MP) com outras alternativas de arrecadação.

O governo, então, propôs um pacote de medidas fiscais para contornar a elevação das alíquotas do IOF e garantir o déficit zero, além de editar um novo decreto.

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