
Igor GadelhaColunas

Lula discursa no G7 para mostrar que não recusa “festa dos ricos”
Presidente Lula discursará nesta terça-feira (17/6) em sessão ampliada da cúpula do G7 que não terá a presença de Donald Trump
atualizado
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Kananaskis, Canadá — O presidente Lula participa nesta terça-feira (17/6), pela nona vez em seus três mandatos, da cúpula anual do G7. Criado em 1975, o grupo reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Inglaterra, Japão e Reino Unido.
No evento, o atual chefe do Palácio do Planalto terá direito a um rápido discurso durante uma sessão ampliada, para a qual outros países não membros do G7 também foram chamados — entre eles, África do Sul, Índia, México, Coreia do Sul e Ucrânia.
A fala de Lula não será transmitida, assim como os discursos dos outros líderes. O petista, segundo fontes ouvidas pela coluna, pretende pedir a desescalada do conflito no Oriente Médio entre Israel e Irã e condenar os ataques israelenses à Faixa de Gaza.
O presidente brasileiro, de acordo com auxiliares, também pretende aproveitar o espaço para convidar os demais líderes presentes no G7 a comparecerem à COP30, conferência do clima da ONU que acontecerá em Belém (PA), em novembro de 2025.
Lula vem atuando pessoalmente para garantir a presença do maior número de chefes estrangeiros na COP30. O petista já disse, inclusive, que pretende ligar para Donald Trump, caso o presidente americano não confirme presença no evento.
Trump, aliás, frustrou as expectativas de parte da comitiva brasileira ao deixar a cúpula do G7 antes do fim oficial. O republicano foi embora do Canadá já na noite da segunda-feira (16/6), antes, portanto, da participação de Lula na cúpula do grupo.
O chefe da Casa Branca alegou que precisava voltar para os Estados Unidos antes em razão da escalada do conflito entre Israel e Irã. Trump convocou uma reunião de emergência com auxiliares em Washington D.C. ainda na noite da segunda para discutir o cenário.
As reuniões bilaterais de Lula
Além de discursar durante a sessão ampliada do G7, Lula tem três reuniões bilaterais previstas para ocorrerem no mesmo resort onde acontece a cúpula. O hotel fica em Kananaskis, região das montanhas rochosas da província canadense de Alberta.
Lula conversará com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky; com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney; e com o novo chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. As conversas foram pedidas pelos três líderes, segundo o Planalto.
Lula e a “festa dos ricos”
Lula pretende usar sua participação do G7 para tentar demonstrar que é um líder do Sul Global com bom trânsito entre as principais potências mundiais e para, como o próprio petista afirmou, não dizerem que ele se recusa a participar da “festa dos ricos”.
“No fundo, depois do G20, não há nem necessidade de existir o G7. O G20 é mais representante. Agora, é uma questão cultural isso. (O G7) Existe desde 1975, desde a crise do petróleo. São os primos ricos que se reúnem, eles não querem parar de se reunir. Mas eles estão no G20. E o G20 acho que tem mais importância, mais densidade humana, mais densidade econômica. De qualquer forma, sou convidado desde que fui eleito em 2003, e eu participo para não dizerem que eu recuso a festa dos ricos”, disse Lula na segunda-feira (16/6), ao chegar ao hotel onde está hospedado.
Lula desembarcou no Canadá na noite da segunda com uma comitiva enxuta — o chanceler Mauro Vieira é o único ministro a acompanhar o presidente. A previsão é de que o petista volte para Brasília já na terça-feira, logo após o término da cúpula do G7.







