Dólar cai a menor valor em 21 meses com tarifas de Trump. Bolsa bate recorde

Moeda norte-americana recuou a R$ 5,17, mesmo nível de maio de 2024. O Ibovespa subiu com decisão da Justiça dos EUA de conter sobretaxas

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Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles
1 de 1 Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles - Foto: Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images

O dólar à vista registrou queda de 0,98% frente ao real, cotado a R$ 5,17, nesta sexta-feira (20/2). Com o recuo, a moeda norte-americana retornou ao mesmo patamar no qual se encontrava em 27 de maio de 2024. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 1,06%, aos 190.534,42 pontos, batendo novo recorde de fechamento. O indicador superou os 189.699,12 pontos, obtidos em 11 de fevereiro.

Durante o pregão, o grande vetor dos mercados de câmbio e de capitais foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, derrubando as tarifas comercias impostas pelo presidente Donald Trump, desde abril de 2025. Com o anúncio, o dólar aprofundou a queda. O Ibovespa, que estava em baixa pela manhã, mudou de sentido e passou a subir.

Nem mesmo o novo anúncio de Trump, fixando tarifas globais de 10%, depois da decisão da Suprema Corte, diminuiu a empolgação dos investidores. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, observa que a medida foi vista como relativamente branda pelo mercado. “Foi uma sensação de ‘dos males o menor’”, afirma. “A alíquota poderia ter sido mais alta e a definição tem validade de 150 dias.”

Para Bruno Perri, da Forum Investimentos, apesar das novas taxas de 10%, os ativos de risco continuaram subindo ao longo do pregão, porque a decisão da Suprema Corte é favorável à economia global. “E a tarifa anunciada por Trump afetará todas as economias de forma equânime”, diz. “Anteriormente, o Brasil se encontrava entre os países mais prejudicados pelas sobretaxas.”

Desemprego

O novo capítulo da guerra de Trump pelas sobretaxas ocorreu numa movimentada sexta-feira pós-Carnaval. Isso porque dados econômicos importantes foram veiculados tanto no Brasil quanto nos EUA.

No ambiente interno, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a taxa de desemprego do país. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), ela caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025. Com isso, alcançou o menor nível da série histórica iniciada em 2012.

Pessoas ocupadas

O resultado indica que cerca de 5,5 milhões de pessoas buscaram trabalho nos três últimos meses do ano. Além disso, o mercado de trabalho chegou ao recorde de 103 milhões de pessoas ocupadas.

No caso das informações sobre a economia norte-americana, elas abrangeram tanto os preços quanto o crescimento do país. A inflação apresentou, em dezembro, uma aceleração ligeiramente maior do que a esperada pelos analistas. Já o Produto Interno Bruto (PIB) perdeu força no quarto trimestre do ano passado.

Inflação EUA

De acordo com o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio, o núcleo do índice de preços com gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,4% em dezembro. O mercado previa uma alta de 0,3%. Em novembro, o avanço foi de 0,2%. O núcleo do indicador exclui os componentes voláteis, como alimentos e energia.

O PCE é uma das medidas acompanhadas pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) para definir o comportamento dos juros. O dado do PCE acentua a tendência de cautela do Fed para promover novos cortes da taxa norte-americana, hoje fixada no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

PIB norte-americano

Por outro lado, o PIB dos EUA avançou 1,4% no quarto trimestre de 2025, segundo a leitura divulgada pelo Departamento do Comércio dos EUA. O resultado ficou abaixo da projeção de 2,5% dos analistas. Ele representou uma forte desaceleração em relação ao crescimento de 4,4% no terceiro trimestre do ano passado.

Nesse caso, com uma desaceleração da atividade econômica, diminui a pressão sobre o Fed para manter os juros elevados por muito tempo.

Análise

Para Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad, apesar do tarifaço, a queda do dólar também refletiu a combinação de sinais de enfraquecimento da economia norte-americana. “Ao mesmo tempo, a fraqueza do dólar no exterior favoreceu moedas emergentes, enquanto o real foi adicionalmente sustentado por perspectivas ainda positivas de fluxo para ativos brasileiros”, diz. “No mercado doméstico, o movimento ganhou intensidade com ajustes técnicos, especialmente após o rompimento do suporte de R$ 5,20, ampliando a pressão de baixa ao longo do pregão.”

Ouro

A cotação do ouro teve nova alta nesta sexta-feira. Considerado um porto seguro dos investidores, ela subiu com os dados da economia dos EUA, especialmente com o enfraquecimento do PIB, e com a decisão da Suprema Corte sobre as tarifas.

Outra fonte de instabilidade que voltou a preocupar o mercado foi a retomada das ameaças de Trump sobre um eventual ataque ao Irã. Nesse cenário, os contratos de ouro para abril fecharam em alta de 1,67%, a US$ 5.080,9 por onça-troy.

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