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Com olhos do mundo sobre a Venezuela, dólar cai a R$ 5,40 e Bolsa sobe

Apesar de queda nas ações da Petrobras, Ibovespa caminha para fechar pregão em alta firme. Investidores monitoram preços globais do petróleo

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nota de dólar americano com bandeira dos EUA ao fundo
1 de 1 nota de dólar americano com bandeira dos EUA ao fundo - Foto: Getty Images

Na primeira sessão do mercado financeiro desde os ataques militares dos Estados Unidos contra a Venezuela, na madrugada do último sábado (3/1), o dólar terminou o dia em queda frente ao real.

No pregão desta segunda-feira (5/1), o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), fechou em alta firme, beirando os 162 mil pontos, apesar da queda das ações da Petrobras, que era de 1,7% no fim da tarde.

As atenções dos investidores estiveram voltadas para os desdobramentos políticos e econômicos da invasão norte-americana no território venezuelano, que levou à captura do ditador Nicolás Maduro – que foi levado aos EUA, onde será julgado.

O mercado também observou com atenção o andamento dos preços internacionais do petróleo, que podem ser fortemente atingidos com a crise venezuelana. O país sul-americano detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo dados da Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA. A produção, no entanto, despencou nas últimas décadas.


Dólar

  • A moeda norte-americana encerrou a primeira sessão desta semana em baixa de 0,34%, negociada a R$ 5,405.
  • Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 5,454. A mínima foi de R$ 5,395.
  • Na sessão da última sexta-feira (2/1), a primeira do ano, o dólar fechou em forte queda de 1,18%, cotado a R$ 5,42.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 0,84% em 2026.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa do Brasil, fechou o pregão em alta firme.
  • Ao final da sessão, o indicador avançou 0,83%, aos 161,8 mil pontos.
  • No pregão anterior, o Ibovespa fechou em queda de 0,36%, aos 160,5 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 0,47% no ano.

Maduro se declara inocente

O ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, se declarou inocente durante audiência de instrução em um tribunal de Manhattan, coração de Nova York, nesta segunda-feira.

“Não sou culpado. Sou inocente de tudo o que foi mencionado aqui”, afirmou Maduro ao juiz. O ex-presidente da Venezuela também disse que é um homem decente e ressaltou que é um “presidente sequestrado”.

Cilia Flores, esposa de Maduro, acompanhou o marido e também se declarou “completamente inocente”.

Ainda durante a audiência, o juiz Alvin K. Hellerstein comunicou ao chavista e à esposa que ambos têm o direito de solicitar contato com o consulado da Venezuela.

O presidente venezuelano, então, afirmou compreender a prerrogativa e manifestou interesse em receber a visita consular. A esposa, Flores, também declarou entender o direito e solicitou que o encontro fosse realizado.

A defesa de Cilia Flores informou ao juiz que ela não pretende solicitar liberdade sob fiança atualmente. Os advogados de ambos os réus afirmaram que o pedido poderá ser apresentado posteriormente. Em linha semelhante, o advogado de Maduro declarou em audiência que o venezuelano também não busca a liberdade provisória agora.

Hellerstein disse acreditar que havia base legal para manter os réus sob custódia. Um promotor afirmou que o Ministério Público irá trabalhar em conjunto com os advogados de defesa e agentes federais para resolver a situação.

Conselho de Segurança da ONU discute crise

O grande destaque do dia no noticiário envolvendo a captura e prisão de Nicolás Maduro foi a reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para discutir a operação dos EUA em território venezuelano. No encontro, o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, criticou a ação dos EUA em território venezuelano.

“Os bombardeios no território venezuelano e a captura do presidente (Nicolás Maduro) cruzam uma linha inaceitável. Esses atos constituem uma afronta muito séria à soberania da Venezuela e abrem um precedente muito perigoso para toda a comunidade internacional”, ressaltou Sérgio no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O pedido de reunião da ONU foi apresentado pela Colômbia, governada por Gustavo Petro, que tem acumulado embates com o presidente norte-americano Donald Trump. O Brasil participa do encontro, mas não tem direito a voto.

A reunião ocorreu após um encontro extraordinário da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Na ocasião, o chanceler venezuelano Yván Gil classificou a operação que capturou Maduro como “criminosa” e pediu aos países-membros que exijam a libertação do chavista.

O que disseram Venezuela e EUA

No encontro, o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, afirmou que há uma “flagrante violação da Carta das Nações perpetrada pelos EUA, principalmente o princípio da igualdade e soberania dos Estados”.

“Ao passo que a resolução do Conselho de Segurança determina que a integridade do Estado não deve ficar sujeita à ocupação ou ao uso da força, em desacordo com a Carta da ONU”, destacou Samuel.

Ele citou, ainda, a captura de Maduro e afirmou que esse cenário “ameaça não só a Venezuela, mas a paz e a segurança internacionais como um todo”.

“Se o sequestro de um chefe de Estado, o bombardeio de um país soberano e a ameaça de ação militar forem tolerados ou minimizados, a mensagem enviada para o mundo é devastadora”, afirmou.

Samuel disse ainda que a operação dos EUA é “ilegítima” e citou a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, como “sequestro”.

O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, por sua vez, afirmou que a operação realizada pelo país não representa uma guerra contra a Venezuela nem contra o povo venezuelano.

Segundo ele, não se trata de uma ocupação no país, mas de uma operação policial voltada à prisão de um narcotraficante, no caso o presidente Nicolás Maduro, que será julgado em Nova York.

“Por colocar o povo dos EUA e do hemisfério ocidental em risco e reprimir os venezuelanos em seu país, como o secretário Marco Rubio disse, não há uma guerra contra Venezuela ou seu povo. Não estamos ocupando um país, é uma operação das forças policiais, prendendo um narcotraficante, que agora será julgado nos EUA de acordo com o Estado de Direito por seus crimes”, afirmou Waltz.

“Ele (Maduro) facilita a invasão de drogas ilegais que chegam nos Estados Unidos, estimada em milhares, centenas de milhares de toneladas anualmente. Ele se tornou incrivelmente rico por causa da miséria, da tristeza, de um número incontável de americanos, venezuelanos e outros, e é ajudado por organizações terroristas internacionais, como o Hezbollah, autoridades corruptas iranianas e outros atores malignos que influenciam não só a região, mas também o mundo”, acrescentou.

“Eles (Venezuela) continuam a ter as maiores reservas de energia do mundo sobre o controle de adversários dos EUA, o controle de líderes e legítimos, e que não beneficiam os venezuelanos e que ainda assim são, e ainda por cima são roubados por oligarcas dentro da Venezuela”, alegou.

Preços do petróleo

Depois de ter aberto a sessão em queda, a cotação internacional do petróleo passou a registrar leve alta, em uma faixa próxima à estabilidade, nesta segunda-feira.

Por volta das 10h15 (pelo horário de Brasília), o barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 0,98% e era negociado a US$ 57,82.

Mais cedo, às 9h30 (também pelo horário de Brasília), a alta era de 0,59%, a US$ 57,66.

Por volta das 10h20, o petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) subia 0,71%, cotado a US$ 61,18. Mais cedo, a alta era de 0,46%, a US$ 61,03.

Já no fim do dia, por volta das 16h20, o barril de petróleo do tipo WTI subia 1,7%, a US$ 58,30. No mesmo horário, o Brent avançava 1,65%, a US$ 61,75.

As ações de algumas das principais companhias petrolíferas dos EUA também registraram forte alta desde as negociações do chamado “pré-mercado” das Bolsas de Valores norte-americanas – ou seja, desde antes da abertura oficial do pregão.

Momentos antes da abertura do mercado nos EUA, as ações da Chevron, única grande petrolífera norte-americana que opera atualmente na Venezuela, já subiam 6,47%, cotadas a US$ 165,99. Mais cedo, os papéis da Chevron chegaram a disparar cerca de 10%.

Por volta das 10h40 (pelo horário de Brasília), também no pré-mercado, a ação da Exxon Mobil avançava 2,65%, cotada a US$ 125,90. Mais cedo, a alta chegou a 3,4%.

A ConocoPhillips também operava em forte alta na pré-abertura em Nova York. Às 10h43, os ganhos eram de 6,1%, a US$ 102,60. Mais cedo, a valorização dos papéis alcançou 8,7%.

No fim do dia, a Chevron subia 5,7%, enquanto a Exxon Mobil avançava 2,4%, e a ConocoPhillips, 3,7%.

Bitcoin e metais preciosos avançam

O bitcoin, principal criptomoeda do mundo, também operou em forte alta, em meio ao aumento da incerteza nos mercados globais após a intervenção militar dos EUA na Venezuela, no fim de semana.

A cotação da moeda virtual ultrapassou a marca dos US$ 93 mil (cerca de R$ 505,6 mil, pela cotação atual) pela primeira vez em quase um mês, desde o dia 11 de dezembro do ano passado – quando cravou US$ 93,5 mil.

No fim da tarde, a valorização do bitcoin ultrapassava 3,5%, a US$ 94,3 mil.

Segundo analistas do mercado, a grande preocupação dos mercados globais não é a deposição do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, afastado do poder após um ataque militar dos EUA contra o país sul-americano.

O grande temor é o ambiente de incerteza política e econômica, agravado pela indefinição em relação ao futuro do governo venezuelano. Também há preocupação em relação aos impactos da crise política na Venezuela sobre os preços internacionais do petróleo.

A trajetória ascendente da cotação do bitcoin continua se devendo, em grande parte, à busca dos investidores por ativos mais seguros em meio às incertezas.

O mundo passa por uma fase turbulenta na geopolítica, com a invasão norte-americana na Venezuela, a guerra entre Rússia e Ucrânia (que se desenrola há quase quatro anos) e recentes confrontos entre Israel e Irã. Historicamente, em períodos de incerteza e instabilidade, ativos mais seguros ganham força.

A alta das criptomoedas foi novamente alavancada pelo chamado “comércio da desvalorização”, com investidores procurando segurança em ativos como bitcoin e criptomoedas em geral, ouro e prata, em um movimento de claro afastamento das principais moedas.

Bolsas sobem nos EUA e na Europa

Assim como aconteceu no Brasil, os principais índices das bolsas de valores dos EUA e da Europa tiveram um dia de ganhos nesta segunda-feira.

Em Nova York, por volta das 16h30 (pelo horário de Brasília), o índice Dow Jones avançava 1,63%, aos 49,1 mil pontos. No mesmo horário, o S&P 500 registrava ganhos de 0,74%, aos 6,9 mil pontos.

O Nasdaq Composto, que reúne as ações de empresas do setor de tecnologia, tinha alta de 0,69%, aos 23,3 mil pontos.

Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em alta firme de 0,94%, aos 601,76 pontos. Foi a primeira vez que o indicador ultrapassou a marca dos 600 pontos.

Na Bolsa de Frankfurt, na Alemanha, o índice DAX terminou o dia avançando 1,34%, aos 24,8 mil pontos. Em Paris, o CAC 40 registrou ganhos de 0,2%, aos 8,2 mil pontos.

Em Londres, o índice FTSE 100 encerrou o pregão em alta de 0,54%, aos 10 mil pontos. Foi a primeira vez que o indicador bateu essa marca.

O Ibex 35, de Madri, também fechou no azul, com valorização de 0,7%, aos 17,6 mil pontos.

Entre os principais destaques do dia, o setor de tecnologia subiu 3,45%, enquanto o de defesa avançou 3,69%.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o mercado de câmbio iniciou o dia “sob cautela, pressionado pelo risco geopolítico decorrente da prisão de Nicolás Maduro, o que levou a alta do dólar pela manhã”.

“No entanto, a tendência se reverteu ao longo da sessão, impulsionada pelo bom humor das bolsas globais e pela valorização das commodities, com destaque para o petróleo. O movimento de queda da moeda norte-americana ganhou força definitiva após a divulgação do índice de atividade industrial nos EUA abaixo do esperado, indicando desaquecimento na atividade. Esse dado enfraqueceu o índice DXY globalmente, permitindo que o real acompanhasse a queda do dólar no exterior e encaminha-se para fechar em queda”, explica Shahini.

“No mercado acionário, as praças da América Latina absorveram bem o noticiário geopolítico, sem registrar quedas significativas. O grande destaque do dia, contudo, vem do mercado de bonds: títulos de dívida em dólar da Venezuela e da estatal PDVSA dispararam em 40% com a expectativa de uma possível reabertura da econômica e revitalização da indústria de petróleo do país”, concluiu.

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