Dólar cai e Bolsa afunda com juros e petróleo acima de US$ 80
Moeda americana registrou queda de 0,41% frente ao real, cotado a R$ 5,10. Já o Ibovespa, o principal índice da B3, recuou 1,23%

O dólar registrou queda de 0,41% frente ao real, cotado a R$ 5,10, nesta quinta-feira (6/8). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em forte baixa de 1,23%, aos 175,5 mil pontos.
Nesta sessão, a dinâmica dos mercados de câmbio e ações foi determinada por dois fatores: o aumento do preço do petróleo no mercado mundial, que voltou ao patamar acima dos US$ 80 por barril, e a perspectiva de uma alta dos juros nos Estados Unidos.

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Ver todasNo caso do petróleo, o barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, subiu 3,38%, a US$ 82,49. Pela manhã, o avanço era menor: 1,36%, a US$ 80,53. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, fechou em alta de 3,14%, a US$ 77,58.
A cotação da commodity avançou com o aumento da incerteza sobre a real viabilidade de uma trégua duradoura — e definida no curto prazo — entre Estados Unidos e Irã. Uma nova onda de negociações entre os dois países foi anunciada no fim de semana, mas até agora ela não resultou em avanços expressivos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesJuros no Brasil
Nesta quinta-feira, os investidores também repercutiram o quarto corte seguido de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros do país, a Selic. A redução foi definida em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) na quarta-feira (5/8). Agora, a Selic está fixada em 14% ao ano.
A queda da taxa era amplamente esperada pelos analistas e, no comunicado que a justificou, não houve indicação sobre o que ocorrerá na próxima reunião do Copom, em setembro.
O Comitê condicionou uma nova baixa — ou mesmo uma pausa na série de reduções — a questões óbvias como a melhora das expectativas inflacionárias, à continuidade da queda da atividade e à desaceleração do mercado de trabalho. Na prática, o Copom evitou ruídos e foi protocolar.
Juros nos EUA
Ainda dentro do tema juros, mas no cenário internacional, o radar do mercado também passou a captar a possibilidade de uma elevação da taxa nos Estados Unidos. Uma reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times informou que o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, estaria disposto a elevar os juros americanos, se os dados indicarem uma inflação ainda resiliente nas próximas semanas.
Tal fato aumentou a expectativa para a divulgação nesta sexta-feira (7/8) do “payroll”, um dos principais indicadores sobre o mercado de trabalho americano. Ele pode dar sinais sobre o quão aquecida está a economia americana.
A tendência de elevação dos juros americanos mexe fortemente com os mercados globais. Ela, por exemplo, torna os títulos da dívida dos Estados Unidos, os Treasuries, mais atrativos, o que reduz o interesse dos investidores por ativos de risco, como as ações negociadas em bolsa.
Análise
Na avaliação de Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da corretora Convexa, apesar do corte da Selic, a reação dos juros futuros foi de abertura alta, com os contratos de DI dos vencimentos intermediários e longos avançando entre 0,75% e 1,0%. “O movimento refletiu a leitura de um comunicado mais cauteloso, em que o Banco Central voltou a destacar os riscos inflacionários, manteve a preocupação com as expectativas acima da meta e evitou sinalizar novos cortes de juros”, diz.
Emerson Junior, responsável pela mesa de câmbio da corretora, nota que, na contramão do cenário global, o dólar recua frente ao real, destoando da leve alta em relação a moedas fortes e da estabilidade na comparação com outros emergentes. “O movimento reflete a atratividade do carry trade brasileiro, reforçada pela postura cautelosa do Copom ao manter o diferencial de juros elevado sem sinalizar novos cortes imediatos na Selic”, afirma.
Carry trade é a estratégia por meio da qual os investidores tomam empréstimos em uma moeda com juros baixos (em países desenvolvidos, por exemplo) e investem esses recursos em uma moeda com juros altos (como no caso do Brasil).



