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Negócios

JPMorgan rebaixa recomendação do Brasil: dólar dispara e Bolsa afunda

Moeda americana registrou alta de 0,98% frente ao real, a R$ 5,16. Ibovespa caiu 2,50%, aos 167,8 mil pontos, menor valor desde janeiro

11/08/2026 17:08
Costfoto/NurPhoto via Getty Images
Imagem colorida de maços de notas de dólar norte-americano

O dólar registrou alta de 0,98% frente ao real, cotado a R$ 5,16, nesta terça-feira (11/8). Na véspera, a moeda americana já havia anotado elevação de 0,54%, a R$ 5,11.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em baixa de 2,50%, aos 167,8 mil pontos, o menor valor em quase seis meses (alcançou 166,2 mil pontos em 20 de janeiro). Essa foi a sexta queda seguida do índice.

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Os dois indicadores iniciaram a sessão estáveis. Por volta das 10h30, contudo, os sinais viraram de forma brusca, rumo a uma alta do dólar e pesada queda do Ibovespa.

Na avaliação de analistas, vários fatores contribuíram para o mau humor dos investidores, que atuaram com forte aversão ao risco. Entre esses vetores, constaram uma inflação pouco maior do que o esperado, uma ata considerada “dura” divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), além de incertezas sobre a guerra no Irã.

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JPMorgan

O maior vetor dos mercados, contudo, foi um relatório veiculado pelo JPMorgan. O banco americano rebaixou a recomendação de investimentos no Brasil de “overweight” (uma exposição acima da média do mercado, equivalente a “compra”) para neutro.

A justificativa para a mudança foi o fato de o ciclo de flexibilização monetária estar chegando ao fim (leia-se processo de cortes da Selic), ao mesmo tempo que o crescimento econômico desacelera e o crédito se deteriora.

Para o banco, o quadro para a política econômica está marcado por incertezas. Isso porque o vencedor da eleição presidencial terá de lidar com juros reais elevados e com um déficit fiscal.

Inflação

Quanto aos demais catalisadores dos mercados, no cenário interno, os investidores acompanharam a divulgação de novos dados da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,07% em julho, depois de uma elevação de 0,16% em junho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa foi a menor para meses de julho desde 2022, quando houve recuo de 0,68% do IPCA. O número do mês passado, contudo, ficou pouco acima das expectativas do mercado, que previa um avanço de 0,03%, de acordo com levantamento da Reuters. A surpresa altista veio do setor de serviços.

Ata “mais dura”

O Comitê de Política Monetária (Copom) também divulgou nesta terça-feira a ata da última reunião, realizada na quarta-feira (5/8), quando o órgão do BC decidiu cortar a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano.

Para a maior parte dos analistas, a ata veio um pouco mais dura do que o comunicado, emitido logo depois da decisão. No novo documento, avaliam economistas, o BC deixou claro que o corte não significa que haverá uma sequência automática de novas reduções dos juros. Mesmo porque, no texto, o Comitê adotou um tom mais severo em relação às expectativas de inflação.

Eleições

Nesta terça-feira, uma nova rodada da pesquisa CNT/MDA mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa eleitoral. A distância entre os dois candidatos, contudo, diminuiu em uma eventual eleição de segundo turno. Nesse caso, o presidente tem 48% das intenções de voto, contra 39,1% do senador. Em relação a junho, a vantagem do petista caiu de doze para nove pontos percentuais.

Petróleo

No exterior, apesar dos seguidos impasses nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o ritmo de alta do petróleo diminuiu nesta terça-feira.

O preço do barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, subiu 1,36%, a US$ 88,91. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 1,30%, a US$ 83,20. Na segunda-feira (10/9), os saltos foram bem maiores: 4,99% e 5,05%, respectivamente.

Análise

Para João Vitor Saccardo, analista de renda variável da corretora Convexa, o Ibovespa afundou como resultado do IPCA levemente acima do esperado, do rebaixamento da recomendação do Brasil pelo JPMorgan e da ata do Copom.

“O petróleo também anotou alta, aproximando-se novamente de US$ 90 o barril”, diz. “Com isso, os juros futuros subiram nas pontas mais curtas e no miolo da curva, enquanto as longas operam em estabilidade.”

Ele observa que a ata do Copom lançou dúvidas sobre um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic, na próxima reunião do Copom, em setembro. “O dia foi de grande aversão ao risco, com saída de capital estrangeiro e todos os setores da Bolsa corrigindo forte.”

Emerson Junior, responsável pela mesa de câmbio da corretora, observa que, com a disparada, o dólar se descolou do cenário internacional, onde a moeda americana operou em estabilidade. “O movimento acentuado refletiu o forte pessimismo dos investidores depois do relatório do JPMorgan ter rebaixado a recomendação do Brasil para neutra, alertando para juros elevados e déficit fiscal.”

Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa, destaca o papel da ata do Copom no pregão. “Apesar de reconhecer a desaceleração da atividade e da inflação, o Comitê destacou que as expectativas seguem desancoradas e que esse cenário exige uma política monetária restritiva por mais tempo”, afirma.