Dólar recua e Bolsa oscila com negociação EUA-Irã e balanços no radar
Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,08%, a R$ 5,254, praticamente estável. Ibovespa subiu 0,23%, aos 182,1 mil pontos
atualizado
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O dólar operava em baixa, nesta sexta-feira (6/2), dia de agenda mais esvaziada de indicadores econômicos e no qual a atenção dos investidores está voltada à reunião entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear do país liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
O mercado também repercute a temporada de balanços corporativos, tanto no Brasil quanto nos EUA. No âmbito doméstico, o principal destaque é o resultado do Bradesco no quarto trimestre do ano passado, anunciado na noite de quinta-feira (5/2), após o fechamento da Bolsa. Nos EUA, a Amazon divulgou seu balanço.
Dólar
- Às 15h21, o dólar caía 0,84%, a R$ 5,21.
- Mais cedo, às 12h19, a moeda norte-americana recuava 0,54% e era negociada a R$ 5,226.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,254. A mínima é de R$ 5,205.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,08%, cotado a R$ 5,254, praticamente estável.
- Com o resultado, o dólar acumula ganhos de 0,12% em fevereiro e perdas de 4,28% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava perto da estabilidade no pregão.
- Às 15h26, o Ibovespa recuava 0,03%, aos 182 mil pontos, praticamente estável.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 0,23%, aos 182,1 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 0,42% no mês e de 13,03% no ano.
EUA e Irã frente a frente
A capital de Omã, Mascate, será o palco da nova rodada de negociações entre EUA e Irã, que buscam resolver impasses sobre o programa nuclear iraniano. O encontro acontece nesta sexta-feira.
O último encontro aconteceu em maio de 2025, em formato indireto e com mediação do sultanato de Omã, mas terminou sem grandes avanços. Meses depois, contudo, o governo iraniano decidiu se retirar das negociações após o início da guerra de 12 dias contra Israel.
Na época, as Forças de Defesa de Israel (FDI) iniciaram ataques contra o Irã, com o objetivo de desestabilizar e inutilizar centros de pesquisa e de enriquecimento de urânio no país. A continuidade do diálogo diplomático foi vista como “injustificável” por Teerã, já que os EUA bombardearam três instalações nucleares iranianas com bombardeiros B-2.
Desta vez, as discussões diplomáticas entre Washington e Teerã também têm contornos de tensão. No último mês, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez ameaças diretas ao Irã e sinalizou que poderia ordenar um ataque contra o país em resposta à repressão da administração de Khamenei contra protestos internos.
O líder norte-americano, porém, não recuou mesmo após a onda de manifestações – que resultou na morte de mais de 6 mil pessoas, segundo estimativas de organizações de direitos humanos – acalmar. Com isso, o porta-aviões USS Abraham Lincoln foi deslocado para o Oriente Médio e opera atualmente em águas perto do Irã.
A expectativa é a de que temas como a redução do enriquecimento de urânio por parte do Irã e a consequente redução da atividade nuclear iraniana sejam centrais na nova rodada de conversas.
Washington, contudo, busca ampliar o escopo da pauta e incluir discussões sobre o programa de mísseis balísticos do Irã e o apoio de Teerã a grupos como Hezbollah e Houthis. O que é visto pelo governo dos EUA como inaceitável.
Um dos objetivos declarados de Trump durante seu segundo mandato é impedir que o Irã consiga uma arma nuclear. Além de pressões econômicas e ameaças militares, os EUA tentam resolver a questão por vias diplomáticas.
Balanços de Bradesco e Amazon
Os investidores também permanecem atentos à temporada de balanços corporativos. No Brasil, o mercado repercute os resultados do Bradesco no quarto trimestre do ano passado, anunciados na noite passada.
A instituição financeira registrou um lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões no período entre outubro e dezembro. O resultado representou um crescimento de 20,6% em relação ao quarto trimestre de 2024.
De acordo com os dados divulgados pelo Bradesco, o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês) foi de 15,2%, com um aumento de 2,5 ponto percentual na comparação anual. Em relação ao trimestre anterior, a alta foi de 0,5 ponto percentual.
O ROE é um indicador que mede a rentabilidade e eficiência de uma empresa em gerar lucro a partir do capital investido pelos acionistas. Em linhas gerais, ele indica quanto dinheiro a empresa produz para cada real de patrimônio líquido.
A carteira de crédito expandida do Bradesco ficou em R$ 1,089 trilhão no último trimestre do ano passado, com alta de 11% em relação ao mesmo período de 2024.
O Bradesco também informou ao mercado suas projeções para 2026. O banco estima um crescimento que deve variar entre 8,5% a 10,5% na carteira de crédito expandida.
O balanço do Bradesco mostrou ainda que a margem financeira bruta alcançou R$ 19,2 bilhões no quarto trimestre de 2025, o que correspondeu e um crescimento anual de 13,2%. Já na comparação com o trimestre anterior, a alta foi de 2,9%.
A margem com clientes ficou em R$ 19,1 bilhões, com alta anual de 18,4% e avanço de 2,7% em relação ao trimestre anterior.
A margem com o mercado, por sua vez, somou R$ 126 milhões, com uma queda de 85% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em relação ao terceiro trimestre, houve alta de 27,3%.
A margem financeira líquida foi de R$ 10,4 bilhões no quarto trimestre, o que significou uma alta de 17,7% na base anual e de 9,3% frente ao trimestre anterior.
Nos EUA, quem divulgou seus números foi a Amazon, gigante de tecnologia e do e-commerce. A big tech obteve um lucro líquido de US$ 21,19 bilhões no quarto trimestre, o que representou um aumento anual de 5,9%.
As receitas da Amazon, por sau vez, somaram US$ 213,4 bilhões entre outubro e dezembro, com crescimento de 14% em relação ao mesmo período de 2024.
Apesar de superar, levemente, as projeções do mercado, as ações da Amazon tombaram mais de 8% nas negociações de pós-mercado na Bolsa Nasdaq, em Nova York – que reúne papéis do setor de tecnologia. Os investidores manifestam preocupação com elevados aportes em projetos ligados à inteligência artificial (IA).
