Dólar afunda e Bolsa bate novo recorde com “affair” entre Lula e Trump

Moeda americana caiu 1,10%, a R$ 5,27, menor valor desde junho de 2024. Ibovespa renovou máxima com alta de 0,91%, aos 146.424 pontos

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O dólar registrou queda de 1,10% frente ao real, cotado a R$ 5,27, nesta terça-feira (23/9). Com isso, a moeda americana recuou ao menor valor desde 3 de junho de 2024 – há 15 meses, portanto. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), bateu o oitavo recorde desde julho, terminando o pregão com alta de 0,91%, aos 146.424,94 pontos. A última máxima de fechamento havia sido alcançada em 19 de setembro, aos 145.832,96.

O tom dos mercados de câmbio e ações foi dado nesta terça-feira por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o republicano disse que concordou em se reunir com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima semana.

A notícia do encontro surpreendeu o mercado, que acompanhava tensões crescentes entre os dois países. Num primeiro momento, elas foram provocadas pelas tarifas de 50% impostas pelos EUA contra os produtos exportados pelo Brasil. Depois disso, aumentaram com a reação negativa do governo americano à condenação a 23 anos de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em 11 de setembro.

Nesta terça-feira, sob o ponto de vista dos agentes econômicos, houve uma guinada de 360º nessa situação, o que pode levar a novo cenário. Trump afirmou ter combinado o encontro com Lula durante uma breve conversa entre os dois líderes nos bastidores da sede da ONU. De acordo com o republicano, houve “excelente química” entre ele e Lula nos poucos segundos em que ambos trocaram um abraço e poucas palavras.

Um olho no Copom

Na avaliação de José Áureo Viana, sócio da Blue3 Investimentos, o mercado começou o dia focado na divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). “O texto confirmou a leitura de cautela com a manutenção da Selic em 15% por um período prolongado, reforçando que a política monetária está em ‘novo estágio’ com os efeitos do choque de juros ainda sendo absorvidos pela economia”, diz.

Viana observa que a ata não trouxe surpresas em relação ao comunicado do Copom, divulgado na semana passada, quando a taxa básica de juros do país, a Selic, foi mantida em 15% ao ano. “Mas o tom duro afastou expectativas de cortes no curto prazo. Isso explica a abertura mais morna, com o índice andando de lado e o dólar em leve alta, repercutindo também as falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre desafios fiscais.”

Rumo à máxima

Ele observa que o gatilho do forte movimento posterior do mercado, com queda do dólar e alta do Ibovespa, veio com o noticiário político internacional, com as declarações de Trump. Essa sinalização de aproximação entre os dois líderes reduziu a percepção de risco diplomático e abriu fluxo comprador em ativos brasileiros”, diz. “O Ibovespa disparou, renovando máxima histórica intradiária (obtida durante o pregão), ultrapassando a faixa dos 147 mil pontos.”

Viana acrescenta que o movimento de alta do índice da B3 ocorreu, principalmente, entre as grandes empresas que lidam com commodities. “Vale e siderúrgicas avançaram acompanhando a alta do minério, somado ao dólar mais fraco, que reduz custos financeiros”, afirma. “As petrolíferas também ganham tração, com petróleo em alta moderada no exterior e otimismo em relação ao ambiente político-diplomático”.

Bancos e juros

Os bancos também se destacaram entre as maiores altas, aproveitando a queda dos juros futuros, o que melhora a precificação de ativos de crédito e perspectivas para spreads. Na ponta negativa, destaca o analista, ficaram alguns papéis ligados ao consumo doméstico e ao varejo. Esses recuaram. “O motivo é a leitura de que, apesar do alívio nos juros futuros, a Selic seguirá elevada por muito tempo, o que mantém o crédito caro e o consumo ainda pressionado. Aqui não houve novidade. De fato, o mercado apenas continua penalizando setores mais sensíveis a juros altos.”

Em relação à queda do dólar e dos juros futuros, Viana considera que se trata de “uma extensão de movimentos que já vinham se desenhando desde a semana passada”. “No câmbio, o real ganhou força com o aumento do diferencial de juros”, diz. Isso ocorre num momento em que o Copom reafirma Selic em 15% por longo período e cresce a expectativa de cortes de juros nos EUA, depois da divulgação de dados mais fracos sobre o mercado de trabalho americano.

Atividade nos EUA

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, também destaca que a expectativa de um encontro entre Lula e Trump, possivelmente nesta semana, somada ao tom cordial dos discursos de ambos na ONU, diminuiu o risco de novas sanções e reforçou a percepção de melhora nas relações bilaterais. “Esse ambiente favoreceu o apetite por ativos brasileiros”, diz.

Ele acrescenta que a leitura do PMI (o índice de gerentes de compras, na sigla em inglês, indicador que mede a atividade econômica) composto dos EUA caiu de 54,6 em agosto para 53,6 em setembro, atingindo o menor patamar em três meses. O dado, que ainda é preliminar, foi divulgado nesta terça-feira pela S&P Global. “Isso derrubou os juros dos Treasuries (os títulos da dívida americana) e enfraqueceu o dólar no mercado global, movimento em sintonia com a valorização de outras moedas de países emergentes e exportadores de commodities”, afirma.

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