Desaceleração da “prévia do PIB” supera previsão do mercado
Para analistas, atividade mais fraca favorece eventual queda dos juros, mas previsões de alta da inflação atuam no sentido contrário
atualizado
Compartilhar notícia

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,7% em março em relação a fevereiro, com variações de -0,2% na agropecuária, -0,2% na indústria e -0,8% em serviços. A queda do indicador foi superior à prevista pelo mercado, que estimava baixa entre 0,25% e 0,40%.
Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), o indicador foi puxado pela desaceleração do setor de serviços, que representa cerca de 70% da atividade econômica do país. “Ainda assim, no acumulado do trimestre, a economia avançou pouco mais de 1%, mostrando que o Brasil segue crescendo, mas em um ritmo menos intenso.”
Spyer considera que o número oferece leitura ambígua. “De um lado, uma atividade mais fraca poderia aliviar a pressão sobre a inflação e abrir espaço para juros menores no futuro”, diz. “De outro, o Boletim Focus trouxe uma leve piora das expectativas inflacionárias e elevou a projeção da Selic no fim deste ano para 13,25%, mostrando que o mercado continua desconfiado da capacidade do Banco Central de convergir a inflação para a meta.”
Em suma, observa o conselheiro da Ancord, a economia dá sinais de desaceleração, mas a inflação incomoda. “Isso mantém o Banco Central em modo de cautela e reforça o cenário de juros elevados por mais tempo”, afirma.
“Cautela”
Yihao Lin, da Genial Investimentos, acrescenta que os dados divulgados pelo BC apontam para perda de fôlego bastante disseminada entre todos os segmentos analisados, divergindo das leituras setoriais mais recentes divulgadas pelo IBGE (indústria, serviços e varejo), que apontam para um quadro misto em março de 2026.
“O desempenho menos positivo observado em março reforça a necessidade de cautela à frente devido ao cenário macroeconômico que se mostra mais adverso por conta do impasse no Oriente Médio”, diz Lin. “Nesse sentido, entendemos que os dados de hoje seguem consistentes com a nossa expectativa de que a economia passe por um processo de arrefecimento bastante gradual ao longo dos próximos trimestres.”
