Brasil tem 1,5 milhão de trabalhadores de aplicativos, diz IBGE
Segundo os dados do IBGE, esse contingente correspondia a 1,7% da população ocupada no setor privado. Só 35,7% contribuem para a Previdência

Uma pesquisa inédita divulgada nesta quarta-feira (25/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o Brasil contava, no fim do ano passado, com cerca de 1,5 milhão de trabalhadores que atuavam por meio de aplicativos de serviço, entre motoristas, entregadores de comida e outros profissionais.
Segundo o levantamento do IBGE, esse contingente correspondia a 1,7% da população ocupada no setor privado (que era de 87,2 milhões).
Entre os trabalhadores de aplicativos de serviços, prevalecem motoristas, homens, pessoas de 25 a 39 anos e com ensino médio completo ou superior incompleto.

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De acordo com o IBGE, quase metade dos trabalhadores de aplicativos (47,2%) atuavam no transporte particular de passageiros (com exceção do táxi). Em termos absolutos, essa parcela somava 704 mil motoristas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa sequência, vinham os trabalhadores de aplicativos de entrega de comida e outros produtos (39,5% ou 589 mil), de táxi (13,9% ou 207 mil) e serviços gerais ou profissionais (13,2% ou 197 mil).
Baixa contribuição para Previdência
O levantamento do IBGE mostrou, ainda, que apenas 35,7% dos trabalhadores de aplicativos de serviço contribuíram para a Previdência Social no ano passado. No setor privado, a média foi de 60,8%.
Em 2022, 532 mil dos 1,5 milhão de trabalhadores estavam assegurados por instituto de Previdência. A contribuição garante o direito à aposentadoria, além de seguro-doença e licença-maternidade.
Regulamentação do trabalho por aplicativo
Reportagem publicada nesta quarta pelo Metrópoles informa que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) deve apresentar até a próxima semana um projeto de lei (PL) para regulamentar as relações entre empresas, motoristas e entregadores de aplicativos – caso do Uber e iFood, por exemplo. Ainda não são conhecidos os detalhes da proposta, mas ela já nasce com uma característica: a divergência.
Isso porque, depois de cinco meses de debates entre o governo e representantes do setor, as negociações sobre regras para esse segmento emperraram. Entre maio e o fim de setembro, um grupo de trabalho com quase 50 participantes se propôs a discutir temas como remuneração mínima, questões previdenciárias, saúde e segurança, transparência de algoritmos e jornada de trabalho.
As conversas, contudo, não foram além do primeiro item – o pagamento básico para os trabalhadores – e, ainda assim, não houve consenso sobre o assunto.



