Dólar e Bolsa andam de lado com Fed sob ataque e reunião sobre Master
Na sessão da última sexta-feira (9/1), o dólar fechou em baixa de 0,44% frente ao real, cotado a R$ 5,365. Ibovespa avançou 0,27%
atualizado
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O dólar passou a operar perto da estabilidade, nesta segunda-feira (12/1), com o mercado financeiro abrindo a semana em estado de alerta após a notícia da investigação instaurada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).
No cenário doméstico, as atenções se voltam para a reunião entre os presidentes do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, na sede da autoridade monetária, em Brasília. Eles devem tratar da situação do Banco Master, que foi liquidado pelo BC em novembro do ano passado.
Os investidores também repercutem, na primeira sessão da semana, a mais nova edição do Relatório Focus, do BC, que reúne as principais projeções do mercado para indicadores econômicos como o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação, além do câmbio e da taxa básica de juros (Selic) para 2026 e os próximos anos.
Dólar
- Às 15h46, o dólar subia 0,1%, a R$ 5,371, praticamente estável.
- Mais cedo, às 12h51, a moeda norte-americana avançava 0,06% e era negociada a R$ 5,369.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,385. A mínima é de R$ 5,351.
- Na sessão da última sexta-feira (9/1), o dólar fechou em baixa de 0,44% frente ao real, cotado a R$ 5,365.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 2,25% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), também passou a rondar a estabilidade no pregão.
- Às 15h50, o indicador recuava 0,04%, aos 163,3 mil pontos.
- No último pregão da semana passada, o Ibovespa fechou com ganhos de 0,27%, aos 163,3 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 1,41% no ano.
Investigação dos EUA sobre o Fed
O mercado amanheceu preocupado, nesta segunda-feira, com a notícia de que o Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação criminal sobre a reforma US$ 2,5 bilhões na sede do Fed, em Washington. O presidente do BC dos EUA, Jerome Powell, desafeto do presidente norte-americano Donald Trump, também é alvo da apuração.
Em um comunicado divulgado pelo Fed, Powell afirma que a investigação, relacionada ao seu depoimento ao Comitê Bancário do Senado sobre a reforma dos prédios administrativos do Fed – prestado em junho de 2025 –, é uma retaliação direta do governo Trump.
“A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente”, disse o presidente do Fed.
“A questão aqui é se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas – ou se, ao contrário, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”, continuou Powell.
Ao longo do último ano, Trump e aliados intensificaram as críticas a Powell por não promover cortes nos juros no ritmo defendido pelo republicano.
Apesar disso, o Fed reduziu as taxas em três reuniões consecutivas no segundo semestre do ano passado, mas dirigentes da autoridade monetária indicaram recentemente que novos cortes não estão garantidos nos próximos meses.
“O serviço público às vezes exige manter-se firme diante de ameaças. Continuarei a exercer o trabalho para o qual o Senado me confirmou, com integridade e compromisso de servir ao povo americano”, concluiu Powell.
Na última reunião do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.
A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.
Galípolo e TCU discutem liquidação do Master
No Brasil, o principal foco de atenção do mercado neste início de semana é a reunião entre os presidentes do BC, Gabriel Galípolo, e do TCU, Vital do Rêgo Filho, sobre a liquidação do Banco Master.
O encontro ocorre após o ministro do TCU Jhonatan de Jesus suspender a inspeção no BC determinada por ele mesmo, na semana passada, no contexto da apuração sobre a liquidação do Master.
Também participam da reunião desta segunda a secretária-geral de Controle Externo do TCU, Juliana Pontes; o secretário-geral de Comunicação, Flávio Takashi Sato; e a auditora-chefe adjunta da Secretaria-Geral de Controle Externo, Maria Bethânia Lahoz.
Após a repercussão do caso, o processo será submetido à análise do plenário do TCU. Vital do Rêgo adiantou o retorno ao trabalho em meio ao recesso para apaziguar os ânimos entre os órgãos.
O presidente do TCU disse, na semana passada, que a liquidação do Master “é fato consumado” e que é prerrogativa do BC fazer tal determinação. Vital do Rêgo também defendeu que é atribuição do TCU fiscalizar as ações do órgão.
Relatório Focus
Ainda no âmbito doméstico, os analistas do mercado financeiro consultados pelo BC reduziram a estimativa de inflação para 4,05% em 2026. Em relação ao PIB, houve manutenção. É o que mostra a nova edição do Relatório Focus, divulgada nesta segunda-feira.
De acordo com o relatório, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve terminar este ano em 4,05%, ante 4,06% da semana anterior. Em relação ao PIB de 2026, a projeção foi mantida em 1,8%.
Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
Os preços de bens e serviços do país avançaram 0,33% em novembro. No ano de 2025, a inflação acumulou alta de 4,26%, o que representa o estouro do centro da meta em 2025, mas valor abaixo do teto. Para 2027, o índice esperado foi mantido em 3,8%.
Segundo o Focus, o PIB do Brasil para 2026 deve ter crescimento de 1,80%, a mesma projeção da semana passada. Para 2027, a previsão de crescimento da economia foi mantida em 1,80%. Para 2028, a estimativa foi mantida em 2%.
Em relação à taxa básica de juros da economia, a Selic, o mercado financeiro manteve a estimativa para o fim de 2026 em 12,25% ao ano. Para 2027, a projeção foi mantida em 10,50% ao ano. Para 2028, o mercado aumentou a estimativa para a Selic de 9,75% para 9,88% ao ano.
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi mantida em 15%. A próxima reunião do colegiado está marcada para 27 e 28 de janeiro.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.
Os analistas consultados pelo BC também mantiveram a projeção para o dólar em 2026 em R$ 5,50. Para 2027, a estimativa se manteve em R$ 5,50. Para 2028, o mercado manteve em R$ 5,50.
