Após IPCA, economistas divergem sobre ritmo de corte de juros em março

Copom indicou que o início do ciclo de cortes será em março. A dúvida do mercado é se a queda será de 0,25 ou de 0,5 ponto percentual

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metropoles.com

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Fachada do Banco Central, em Brasília. Copom decide Juros nesta quarta
1 de 1 Fachada do Banco Central, em Brasília. Copom decide Juros nesta quarta - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Após a divulgação dos dados oficiais de inflação no Brasil em janeiro de 2026, economistas e analistas do mercado ouvidos pela reportagem do Metrópoles divergiram em relação à magnitude do corte da taxa básica de juros (a Selic) a partir de março, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país.

Os preços de bens e serviços do país cresceram 0,33% em janeiro. Nos últimos 12 meses, a inflação acumula alta de 4,44 %, ainda acima do centro da meta (3%), mas abaixo do teto (4,5%). No mesmo mês de 2025, a variação foi de 0,16%.

A meta de inflação para 2026 é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, o índice tem piso de 1,5% e teto de 4,5%, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A inflação cumprirá a meta se ficar dentro desse intervalo.

Em sua última reunião, em janeiro, o Copom manteve os juros básicos em 15% ao ano – a maior taxa em duas décadas –, mas indicou que o início do ciclo de cortes será em março. A dúvida do mercado é se a queda será de 0,25 ou de 0,5 ponto percentual.

O que diz o mercado

Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank, “a melhora da inflação vista nos últimos meses de 2025 foi puxada pela queda dos preços das commodities em reais, que ajudou a reduzir a pressão sobre os alimentos e bens industriais”. “Olhando para 2026 e 2027, porém, projetamos um IPCA a 4,5%, refletindo um mercado de trabalho aquecido e a nossa perspectiva de uma leve desvalorização do real”, afirma.

Para Moreno, o Copom deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75%, na reunião de março, mas “as últimas comunicações deixam em aberto a possibilidade de um corte um pouco maior”. “Nossa projeção é de que os juros terminem o ano em 12,5%”, avalia a economista.

André Valério, economista sênior do Banco Inter, observa que, no qualitativo, “o índice mantém a tendência vista nos dados de dezembro, com a média dos núcleos variando marginalmente, recuando de 0,46% em dezembro para 0,45% em janeiro”. “Com isso, a média móvel de três meses acelerou para 0,38%, maior valor desde maio de 2025, indicando reversão na tendência de desinflação. Entretanto, lembramos que o período de dezembro a março possui bastante sazonalidade de alta, com a média da inflação do núcleo para o mês de janeiro sendo de 0,63%”, diz Valério.

“Ainda assim, a inflação do núcleo acumulada em 12 meses permanece em queda, atingindo 4,44%, menor valor desde dezembro de 2024. A inflação de serviços recuou de maneira significativa, de 0,72% para 0,1%, com a inflação de serviços ex-passagem aérea também recuando, de 0,49% para 0,29%, refletindo as quedas intensas em transporte por aplicativo (-17,23%) e passagens aéreas (-8,90%)”, detalha o economista.

“Entretanto, a inflação de serviços subjacentes e de serviços intensivos em trabalho permanecem pressionadas, avançando 0,57% e 0,65%, respectivamente, sugerindo que o mercado de trabalho aquecido ainda pressiona a inflação de serviços”, pondera Valério.

“As últimas leituras do IPCA sugerem uma piora na margem, mas dentro do esperado dada a sazonalidade do período. Mesmo com essa piora, vemos o indicador no limite inferior para os meses em questão, indicando que a sazonalidade atual não tem sido tão intensa quanto a de anos anteriores. De toda forma, dada a sinalização do Copom em iniciar o ciclo de cortes em março, não vemos o resultado como um fator que altere a decisão do Copom. Esperamos um corte de 50 pontos-base na reunião de março, mas um Copom mais cauteloso ao longo de 2026, com a Selic alcançando 12,5% em dezembro”, completa o economista.

De acordo com Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, o IPCA de janeiro veio levemente acima do esperado, “mas ainda em patamar desconfortável”. “O dado confirma um cenário de inflação mais comportada na margem, com algum alívio em serviços, especialmente em passagens aéreas, transporte por aplicativo e seguros, além da bandeira verde de energia ajudando o índice”, aponta.

“No entanto, o mercado esperava um número qualitativo mais fraco, e isso não se materializou. Os núcleos e os serviços subjacentes vieram mais pressionados do que o previsto, o que explica a abertura dos juros futuros e reforça a leitura de que a desinflação segue irregular e sujeita a ruídos”, afirma Spyer.

O economista prossegue: “Seguimos observando pressões em preços administrados, com o repasse do ICMS na gasolina e reajustes de tarifas de transporte urbano. A persistência da inflação de serviços sugere que a demanda ainda não está completamente arrefecida, o que limita uma leitura mais confortável do cenário inflacionário”.

“Para a política monetária, o resultado não impede o início do ciclo de cortes da Selic, mas reduz o grau de conforto do BC. O cenário-base segue apontando para um corte de 0,25 ponto percentual em março, enquanto a probabilidade de um corte de 0,5 ponto percentual diminui caso os núcleos sigam pressionados. O BC deve manter uma postura cautelosa, com flexibilização gradual e dependente dos dados, diante de um processo de desinflação ainda incompleto”, aposta Spyer.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, observa que “a composição relativamente heterogênea faz com que o IPCA de janeiro possa ser encarado como um de dado de transição entre uma conjuntura de crescimento acelerado para um cenário de acomodação e maior normalidade econômica”. “A composição do grupo de serviços, inclusive, deixa evidente a importância do hiato do produto para o debate atual sobre a trajetória futura da inflação”, diz.

“A consolidação do cenário de desaceleração prevista para o decorrer do ano pode reduzir a resiliência apresentada pela inflação de componentes mais intensivos em mão de obra, descomprimindo, por consequência, a pressão sobre seus pares com maior sensibilidade inercial, criando uma composição significativamente mais benigna para o grupo de serviços como um todo e permitindo que o BC consiga construir um ciclo mais sólido de queda de juros”, analisa Pizzani.

“A materialização deste cenário passa ainda pelo bom comportamento dos demais pilares macroeconômicos, em especial o câmbio, que pode ajudar a conter eventuais recrudescimentos da inflação dos grupos de alimentação e bens industriais.”

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Em outras palavras, se há  aumento da inflação, o dinheiro passa a valer menos. A principal consequência é a perda do poder de compra ao longo do tempo, com o aumento dos preços das mercadorias e a desvalorização da moeda
Existem várias formas de medir a inflação, contudo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o mais comum deles
No Brasil, quem realiza a previsão da inflação e comunica a situação dela é o Banco Central. No entanto, para garantir a idoneidade das informações, a pesquisa dos preços de produtos, serviços e o cálculo é realizado pelo IBGE, que faz monitoramento nas principais regiões brasileiras
De uma forma geral, a inflação pode apresentar causas de curto a longo prazo, uma vez que tem variações cíclicas e que também pode ser determinada por consequências externas
No entanto, o que influencia diretamente a inflação é: o aumento da demanda; aumento ou pressão nos custos de produção (oferta e demanda); inércia inflacionária e expectativas de inflação; e aumento de emissão de moeda
Inflação é o termo da economia utilizado para indicar o aumento generalizado ou contínuo dos preços de produtos ou serviços. Com isso, a inflação representa o aumento do custo de vida e a consequente redução no poder de compra da moeda de um país
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Inflação é o termo da economia utilizado para indicar o aumento generalizado ou contínuo dos preços de produtos ou serviços. Com isso, a inflação representa o aumento do custo de vida e a consequente redução no poder de compra da moeda de um país

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Em outras palavras, se há  aumento da inflação, o dinheiro passa a valer menos. A principal consequência é a perda do poder de compra ao longo do tempo, com o aumento dos preços das mercadorias e a desvalorização da moeda
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Em outras palavras, se há aumento da inflação, o dinheiro passa a valer menos. A principal consequência é a perda do poder de compra ao longo do tempo, com o aumento dos preços das mercadorias e a desvalorização da moeda

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Existem várias formas de medir a inflação, contudo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o mais comum deles
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Existem várias formas de medir a inflação, contudo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o mais comum deles

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No Brasil, quem realiza a previsão da inflação e comunica a situação dela é o Banco Central. No entanto, para garantir a idoneidade das informações, a pesquisa dos preços de produtos, serviços e o cálculo é realizado pelo IBGE, que faz monitoramento nas principais regiões brasileiras
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No Brasil, quem realiza a previsão da inflação e comunica a situação dela é o Banco Central. No entanto, para garantir a idoneidade das informações, a pesquisa dos preços de produtos, serviços e o cálculo é realizado pelo IBGE, que faz monitoramento nas principais regiões brasileiras

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De uma forma geral, a inflação pode apresentar causas de curto a longo prazo, uma vez que tem variações cíclicas e que também pode ser determinada por consequências externas
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De uma forma geral, a inflação pode apresentar causas de curto a longo prazo, uma vez que tem variações cíclicas e que também pode ser determinada por consequências externas

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No entanto, o que influencia diretamente a inflação é: o aumento da demanda; aumento ou pressão nos custos de produção (oferta e demanda); inércia inflacionária e expectativas de inflação; e aumento de emissão de moeda
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No entanto, o que influencia diretamente a inflação é: o aumento da demanda; aumento ou pressão nos custos de produção (oferta e demanda); inércia inflacionária e expectativas de inflação; e aumento de emissão de moeda

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No bolso do consumidor, a inflação é sentida de formas diferentes, já que ela não costuma agir de maneira uniforme e alguns serviços aumentam bem mais do que outros
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No bolso do consumidor, a inflação é sentida de formas diferentes, já que ela não costuma agir de maneira uniforme e alguns serviços aumentam bem mais do que outros

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Isso pode ser explicado pela forma de consumo dos brasileiros. Famílias que possuem uma renda menor são afetadas, principalmente, por aumento no preço de transporte e alimento. Por outro lado, alterações nas áreas de educação e vestuário são mais sentidas por famílias mais ricas
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Isso pode ser explicado pela forma de consumo dos brasileiros. Famílias que possuem uma renda menor são afetadas, principalmente, por aumento no preço de transporte e alimento. Por outro lado, alterações nas áreas de educação e vestuário são mais sentidas por famílias mais ricas

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Ao contrário do que parece, a inflação não é de todo mal. Quando controlada, é sinal de que a economia está bem e crescendo da forma esperada. No Brasil, por exemplo, temos uma meta anual de inflação para garantir que os preços fiquem controlados. O que não pode deixar, na verdade, é chegar na hiperinflação - quando o controle de todos os preços é perdido
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Ao contrário do que parece, a inflação não é de todo mal. Quando controlada, é sinal de que a economia está bem e crescendo da forma esperada. No Brasil, por exemplo, temos uma meta anual de inflação para garantir que os preços fiquem controlados. O que não pode deixar, na verdade, é chegar na hiperinflação - quando o controle de todos os preços é perdido

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Lucas Ghilardi, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital, entende que não há um ‘repique’ inflacionário, que seria uma reversão clara da tendência de queda com altas generalizadas, mas “uma resistência técnica”. “A inflação parou de cair na velocidade desejada devido ao comportamento de dois grupos específicos: transportes e serviços (com a gasolina sendo o vilão), e habitação/alimentos (beneficiado pela redução nas contas de luz e estabilidade de preços em alguns alimentos básicos). Em suma, o processo de desinflação não acabou, mas ele se tornou mais lento e difícil”, avalia.

“Temos uma evolução benigna do IPCA, com uma composição qualitativa que reforça a confiança no controle da moeda. Com o balanço de riscos se tornando mais simétrico, torna-se natural a expectativa por uma recalibragem dos juros no curto prazo, visando ao equilíbrio entre controle de preços e fomento da atividade”, explica.

Para Ghilardi, “há espaço para um afrouxamento monetário mais robusto no Brasil do que o antecipado pelos ‘players’ financeiros”. “Dado que a inflação já convergiu para a normalidade, a taxa de juros atual permanece excessivamente restritiva. Ao longo do ano, poderemos ter cortes de três ou quatro pontos. E, se o Brasil, no pós-eleição, fizer o dever de casa fiscal, o espaço pode ser ainda maior. Portanto, dando um palpite, a Selic terminal de 2026 pode ser 12%”, completa.

Julio Barros, economista do Banco Daycoval, avalia que, em linhas gerais, “a parte de serviços baixa contribui para uma visão benigna da inflação”. “Entretanto, existem desafios importantes a serem observados no curto prazo. Embora a inflação dos serviços tenha vindo em patamar baixo, puxada por queda de passagens aéreas e devolução dos preços de transportes por aplicativos, a parte ligada à atividade econômica e ao mercado de trabalho ainda segue bem pressionada”, afirma.

“Nesse sentido, o cenário em que enxergamos uma desinflação com mais impacto, refletindo mais os efeitos do câmbio do que a desaceleração da atividade em si, não muda a nossa expectativa de início de corte de juros em 0,25% em março”, conclui.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, diz que o IPCA de janeiro “trouxe uma leitura razoavelmente benigna, vindo praticamente em linha com a mediana das expectativas do mercado”.

“Embora os serviços ainda permaneçam pressionados, é observada a desaceleração desse componente, sugerindo menor força da demanda agregada sobre o nível de preços e reforçando o processo gradual de desinflação em curso”, afirma. “Além disso, a valorização recente do real tem ajudado a aliviar preços mais sensíveis ao câmbio, contribuindo para um quadro inflacionário mais favorável. Nesse contexto, ontem, o Boletim Focus voltou a ajustar suas projeções de inflação para baixo neste ano, reforçando a percepção de melhora marginal do cenário. Somados, esses elementos dão suporte à expectativa de um corte de 50 pontos-base na Selic já na reunião de março do Copom.”

O economista Maykon Douglas, por sua vez, observa que a inflação “continua com uma figura mais benigna do que a vista em outros momentos”. “Um destaque positivo vem dos serviços intensivos em trabalho, talvez o grande calcanhar de Aquiles do Copom, que desaceleraram em janeiro. No entanto, a métrica variou 7,4% ao anualizarmos os últimos resultados, o que é um patamar ainda muito elevado”, aponta.

“A inflação caminhou o suficiente para que a autoridade monetária anteveja um ciclo de cortes da taxa Selic. Porém, sigo esperando um corte de 25 pontos-base na reunião de março, diante do meu cenário para o mercado de trabalho ao longo deste ano.”

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