Americanas reduz prejuízo, mas resultado negativo é de R$ 329 milhões
Segundo a Americanas, a receita líquida avançou 20,2% na comparação anual e bateu R$ 3,08 bilhões nos três primeiros meses do ano
atualizado
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A Americanas, que está em recuperação judicial, reportou uma queda em seu prejuízo líquido no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados do balanço financeiro da companhia divulgados na noite dessa quarta-feira (13/5).
No período entre janeiro e março de 2026, o resultado negativo ficou em R$ 329 milhões, o que representou uma diminuição de 34% em relação ao prejuízo registrado no primeiro trimestre do ano passado.
O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado reverteu prejuízo anterior de R$ 26 milhões e ficou positivo em R$ 15 milhões.
Segundo a Americanas, a receita líquida avançou 20,2% na comparação anual e bateu R$ 3,08 bilhões nos três primeiros meses deste ano.
Vendas
De acordo com a Americanas, as vendas em mesmas lojas subiram 22,2% em relação ao mesmo período do ano passado
O indicador mede o crescimento orgânico da receita ao comparar o desempenho de vendas apenas de lojas abertas há, pelo menos, um ano. A métrica exclui aberturas ou fechamentos de lojas e foca na eficiência operacional e aceitação do produto.
As vendas em lojas físicas da Americanas somaram R$ 3,3 bilhões no primeiro trimestre, com alta de 16,5% em relação ao mesmo período de 2025. O montante corresponde a 91% da receita total.
Lojas deficitárias
Ainda na quarta-feira, a Americanas informou que segue com o processo de venda da rede de hortifrutis Natural da Terra, embora não haja evolução neste momento. A companhia diz esperar o melhor cenário para a venda do ativo.
A Americanas também anunciou a assinatura de um acordo com o Oba Hortifruti para a venda de dez lojas deficitárias da Hortifruti Natural da Terra, localizadas no estado de São Paulo, por R$ 69,3 milhões.
Escândalo na Americanas em 2023
No dia 11 de janeiro de 2023, a Americanas informou ao mercado que havia detectado “inconsistências contábeis” em seus balanços corporativos. Até então, o rombo era estimado em cerca de R$ 20 bilhões. Era o início do desmoronamento de uma das companhias mais tradicionais do país.
O episódio, hoje apontado como o maior escândalo corporativo da história do Brasil, deflagrou uma série de acontecimentos que levaram a Americanas à lona. Três anos depois, a varejista ainda está longe de recuperação total.
Em abril de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas por supostas fraudes na companhia, cujo prejuízo é estimado em cerca de R$ 25 bilhões. A decisão foi tomada após a Polícia Federal (PF) indiciar os envolvidos.
Entre os denunciados pelo MPF, estão o ex-CEO da Americanas Miguel Gutierrez, além de Anna Saicali (ex-CEO da B2W) e dos ex-vice-presidentes José Thimoteo de Barros e Marcio Cruz.
Também fazem parte da lista os ex-diretores Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Correa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Fabiano, Luiz Augusto Saraiva Henriques, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira e Anna Christina da Silva Sotero.
Todos eles foram denunciados pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Nove pessoas também foram denunciadas por informação privilegiada.
Os três acionistas de referência da empresa – além de Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira – não foram denunciados.
