Americanas reduz perdas e pede saída da recuperação judicial
Americanas também anunciou que concluiu o processo para a venda da unidade de negócios Uni.Co, dona de marcas como Puket e Imaginarium
atualizado
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A Americanas informou, nessa quarta-feira (25/3), que apresentou um pedido formal para o encerramento de sua recuperação judicial. O documento foi entregue à 4 ª Vara Empresarial do Estado do Rio de Janeiro.
De acordo com a companhia, todas as obrigações determinadas no plano de recuperação judicial foram cumpridas.
“Os administradores da companhia adotarão as medidas necessárias para o encerramento da recuperação judicial do Grupo Americanas”, disse a varejista em comunicado.
O pedido de recuperação judicial da Americanas foi oficializado no dia 19 de janeiro de 2023, dias depois de a empresa ter reportado fraudes contábeis bilionárias.
Ainda no âmbito da recuperação judicial, a Americanas também anunciou que concluiu o processo para a venda da unidade de negócios Uni.Co, dona de marcas como Puket e Imaginarium. A compradora é a BandUP!, dona da marca Piticas.
A BandUP! atua no mercado de cultura pop e tem produtos licenciados de mais de 200 marcas de filmes, séries, músicas e games. A companhia conta com diferentes canais de venda, entre os quais 175 lojas das franquias Piticas, além de parcerias com grandes varejistas.
A recuperação judicial é um processo que permite às organizações renegociarem suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, as demissões ou a falta de pagamento aos funcionários. Por meio desse instrumento, as empresas ficam desobrigadas de pagar aos credores por algum tempo, mas têm de apresentar um plano para acertar as contas e seguir em operação.
Em linhas gerais, a recuperação judicial é uma tentativa de evitar a falência.
Prejuízo diminui no 4º trimestre
Nessa quinta-feira, a Americanas divulgou seus resultados financeiros referentes ao quarto trimestre do ano passado. No período entre outubro e dezembro de 2025, a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 44 milhões.
O resultado apagou grande parte das perdas da Americanas no mesmo período de 2024, que foram de R$ 586 milhões. A recuperação, no intervalo de um ano, foi de 92,5%.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 276 milhões, com uma alta de 1,9% em relação ao quarto trimestre do ano anterior.
Entre outubro e dezembro de 2025, a Americanas teve uma receita líquida de R$ 3,69 bilhões, uma queda anual de 3,8%.
A varejista fechou 2025 com 1.470 lojas, das quais 906 convencionais e 564 no modelo “express”. A Americanas conta, atualmente, com 44 milhões de clientes ativos e tem uma média de 90 milhões de visitas mensais em lojas físicas, site e aplicativo.
Escândalo na Americanas
No dia 11 de janeiro de 2023, a Americanas informou ao mercado que havia detectado “inconsistências contábeis” em seus balanços corporativos. Até então, o rombo era estimado em cerca de R$ 20 bilhões. Era o início do desmoronamento de uma das companhias mais tradicionais do país.
O episódio, hoje apontado como o maior escândalo corporativo da história do Brasil, deflagrou uma série de acontecimentos que levaram a Americanas à lona. Três anos depois, a varejista ainda está longe de recuperação total.
Em abril de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas por supostas fraudes na companhia, cujo prejuízo é estimado em cerca de R$ 25 bilhões. A decisão foi tomada após a Polícia Federal (PF) indiciar os envolvidos.
Entre os denunciados pelo MPF, estão o ex-CEO da Americanas Miguel Gutierrez, além de Anna Saicali (ex-CEO da B2W) e dos ex-vice-presidentes José Thimoteo de Barros e Marcio Cruz.
Também fazem parte da lista os ex-diretores Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Correa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Fabiano, Luiz Augusto Saraiva Henriques, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira e Anna Christina da Silva Sotero.
Todos eles foram denunciados pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Nove pessoas também foram denunciadas por informação privilegiada.
Os três acionistas de referência da empresa – além de Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira – não foram denunciados.
