Americanas despenca na Bolsa após nova delação sobre escândalo

No pregão de terça-feira (7/10) da Bolsa de Valores do Brasil (B3), ações da varejista encerraram o dia em forte queda de 7,15%, a R$ 5,58

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1 de 1 Imagem colorida da fachada das Lojas Americanas - Metrópoles - Foto: Igor Estrela/Metrópoles

As ações da Americanas, gigante do varejo brasileiro que está em processo de recuperação judicial, fecharam o pregão dessa terça-feira (7/10) em forte queda.

O tombo dos papéis da companhia está ligado ao surgimento de um novo delator sobre o escândalo financeiro que abalou a empresa em janeiro de 2023. O ex-diretor estatutário da Americanas Márcio Cruz Meirelles firmou um acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF).

No pregão de terça-feira da Bolsa de Valores do Brasil (B3), as ações da varejista encerraram o dia em forte derrocada – queda de 7,15%, cotadas a R$ 5,58.

O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, fechou o pregão em baixa de 1,57%, aos 141,3 mil pontos.

A nova delação

O conteúdo das declarações do ex-diretor deve ser incluído na denúncia apresentada pelo órgão em março deste ano, na qual foram mencionados outros 12 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas.

De acordo com o MPF, o grupo teria sido responsável por fraudes estimadas em pelo menos R$ 22,8 bilhões. Segundo o MPF, as afirmações de Meirelles complementam as investigações.

A delação do ex-diretor da Americanas foi dividida em quatro anexos, com dados sobre sua relação patrimonial, seu histórico na varejista, a pressão por resultados na companhia e seu primeiro contato com as fraudes contábeis.

Até então, haviam sido firmadas três delações no caso Americanas, pelos ex-executivos Marcelo Nunes, Flávia Carneiro e Fabio Abrate.

Escândalo na Americanas

No dia 11 de janeiro de 2023, a Americanas informou ao mercado que havia detectado “inconsistências contábeis” em seus balanços corporativos. Até então, o rombo era estimado em cerca de R$ 20 bilhões. Era o início do desmoronamento de uma das companhias mais tradicionais do país.

O episódio, hoje apontado como o maior escândalo corporativo da história do Brasil, deflagrou uma série de acontecimentos que levaram a Americanas à lona. Mais de 2 anos depois, a varejista ainda está longe de uma recuperação total.

Em abril de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas por supostas fraudes na companhia, cujo prejuízo é estimado em cerca de R$ 25 bilhões. A decisão foi tomada após a Polícia Federal (PF) indiciar os envolvidos.

Entre os denunciados pelo MPF, estão o ex-CEO da Americanas Miguel Gutierrez, além de Anna Saicali (ex-CEO da B2W) e dos ex-vice-presidentes Thimoteo Barros e Marcio Cruz.

Também fazem parte da lista os ex-diretores Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Correa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Fabiano, Luiz Augusto Saraiva Henriques, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira e Anna Christina da Silva Sotero.

Todos eles foram denunciados pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Nove pessoas também foram denunciadas por informação privilegiada.

Os três acionistas de referência da empresa – além de Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira – não foram denunciados.

Balanço financeiro da Americanas

Segundo dados do último balanço financeiro da Americanas, divulgado em agosto, a varejista registrou um prejuízo líquido de R$ 98 milhões entre abril e junho de 2025.

No segundo trimestre de 2024, a empresa havia ficado no vermelho em 1,85 bilhão. De um ano para o outro, o prejuízo da empresa diminuiu 94,7%.

Ainda de acordo com o balanço da Americanas, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 329 milhões no segundo trimestre deste ano, o que representou uma alta de 1.216% em relação ao mesmo período de 2024 (R$ 25 milhões).

A receita líquida da Americanas somou R$ 3,84 bilhões no trimestre encerrado em junho, o que correspondeu a um aumento de 24,7% na base anual.

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