Americanas aceita proposta e venderá Uni.Co por mais de R$ 150 milhões

A venda do Uni.co fazia parte da estratégia da Americanas, que está em recuperação judicial, para obter recursos e pagar aos credores

atualizado

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Fachada da Lojas Americanas do Setor Comercial Sul em Brasília
1 de 1 Fachada da Lojas Americanas do Setor Comercial Sul em Brasília - Foto: Matheus Veloso/Metrópoles

A Americanas, que está em processo de recuperação judicial, informou nessa terça-feira (30/9) que aceitou uma proposta apresentada pela BandUP! e venderá a Uni.Co, dona de marcas como Puket e Imaginarium.

Segundo o acordo firmado entre as empresas, a venda deve girar em torno de R$ 152,9 milhões. A BandUP!, dona da marca Piticas, se comprometeu a fazer a compra por esse valor, que engloba 100% das ações de emissão da Uni.Co, avaliada em R$ 180 milhões.

Também está previsto um pagamento de R$ 20 milhões, à vista, na data de fechamento da operação, além do pagamento remanescente repartido em cinco parcelas anuais, corrigidas pelo CDI – a primeira será desembolsada na data do primeiro aniversário do fechamento da operação.

Com isso, a BandUP! entra no processo de venda da Uni.Co com o direito de cobrir qualquer outra oferta maior que, eventualmente, surgir, desde que acrescente pelo menos 1% ao valor apresentado.

A BandUP! atua no mercado de cultura pop e tem produtos licenciados de mais de 200 marcas de filmes, séries, músicas e games. A companhia conta com diferentes canais de venda, entre os quais 175 lojas das franquias Piticas, além de parcerias com grandes varejistas.

A venda do Uni.co fazia parte da estratégia da Americanas, que está em recuperação judicial, para obter recursos e pagar aos credores.

Balanço financeiro da Americanas

Segundo dados do balanço financeiro da Americanas, divulgado em agosto, a varejista registrou um prejuízo líquido de R$ 98 milhões entre abril e junho de 2025.

No segundo trimestre de 2024, a empresa havia ficado no vermelho em 1,85 bilhão. De um ano para o outro, o prejuízo da empresa diminuiu 94,7%.

Ainda de acordo com o balanço da Americanas, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 329 milhões no segundo trimestre deste ano, o que representou uma alta de 1.216% em relação ao mesmo período de 2024 (R$ 25 milhões).

A receita líquida da Americanas somou R$ 3,84 bilhões no trimestre encerrado em junho, o que correspondeu a um aumento de 24,7% na base anual.

Escândalo na Americanas

No dia 11 de janeiro de 2023, a Americanas informou ao mercado que havia detectado “inconsistências contábeis” em seus balanços corporativos. Até então, o rombo era estimado em cerca de R$ 20 bilhões. Era o início do desmoronamento de uma das companhias mais tradicionais do país.

O episódio, hoje apontado como o maior escândalo corporativo da história do Brasil, deflagrou uma série de acontecimentos que levaram a Americanas à lona. Mais de 2 anos depois, a varejista ainda está longe de uma recuperação total.

Em abril de 2025, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas por supostas fraudes na companhia, cujo prejuízo é estimado em cerca de R$ 25 bilhões. A decisão foi tomada após a Polícia Federal (PF) indiciar os envolvidos.

Entre os denunciados pelo MPF, estão o ex-CEO da Americanas Miguel Gutierrez, além de Anna Saicali (ex-CEO da B2W) e dos ex-vice-presidentes Thimoteo Barros e Marcio Cruz.

Também fazem parte da lista os ex-diretores Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Correa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Fabiano, Luiz Augusto Saraiva Henriques, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira e Anna Christina da Silva Sotero.

Todos eles foram denunciados pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Nove pessoas também foram denunciadas por informação privilegiada.

Os três acionistas de referência da empresa – além de Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira – não foram denunciados.

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