Sob efeito da guerra, inflação nos EUA acelera e é a maior em 3 anos

O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação nos EUA, ficou em 3,8% em abril, na base anual

atualizado

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Bandeira dos Estados Unidos flamulando num céu azul celeste - Metrópoles
1 de 1 Bandeira dos Estados Unidos flamulando num céu azul celeste - Metrópoles - Foto: Getty Images

Com os preços ainda sob os efeitos da guerra no Oriente Médio, a inflação nos Estados Unidos em abril deste ano acelerou em relação ao mês anterior e veio acima das estimativas dos analistas do mercado, de acordo com números divulgados nesta terça-feira (12/5) pelo Departamento do Trabalho.


O que aconteceu

  • O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 3,8% em abril, ante 3,3% do último levantamento.
  • Na comparação mensal, por sua vez, o índice foi de 0,6%, abaixo do resultado anterior (0,9%).
  • A média das estimativas do mercado apontava para índices de 3,7% (anual) e 0,6% (mensal).
  • A inflação em 12 meses nos EUA atingiu o nível mais alto em três anos, desde maio de 2023.
  • A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano.

Núcleo de inflação

O núcleo da inflação nos EUA, que exclui variações de preços de alimentos e energia, mais voláteis, foi de 2,8% em abril, na base anual.

O resultado, que veio pouco acima do esperado pelo mercado, superou o do mês anterior (2,6%).

Na comparação mensal, o núcleo da inflação norte-americana ficou em 0,4%, também acima do resultado de fevereiro (0,2%).

Dado é observado com atenção pelo Fed

O dado de inflação é considerado um dos mais importantes para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

Na última reunião do Fed, na semana passada, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Análise

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, o resultado da inflação norte-americana em abril “foi puxado, principalmente, por energia, que avançou 3,8% e representou por 40% da variação total no mês”.

“Apesar da aceleração dos itens voláteis, vemos o núcleo da inflação também acelerar, de 0,2% para 0,4%. Tal aceleração do núcleo foi devida à alta de 0,6% nos gastos com habitação. Esse movimento era esperado, devido ao fim da memória de cálculo da inflação de aluguel, que ficou viesada com o impacto do ‘shutdown’. Tal memória é de seis meses e o relatório de abril é o primeiro sem essa memória”, avalia.

Para Valério, em termos de política monetária, é um resultado que não altera o cenário. “Ainda serão necessários mais algumas leituras para se ter total noção do repasse do choque de energia para os outros preços e se sua natureza será temporária. Por ora, mantemos expectativa de um Fed paralisado pelo futuro próximo. Mercados já começam a empurrar os cortes de 2026 para 2027. No contexto atual, uma retomada dos cortes necessitará de uma piora no mercado de trabalho, o que não tem ocorrido. Entretanto, o choque de energia, se longo o suficiente, poderá desacelerar a economia. Até lá, o Fed manterá os juros constantes, monitorando qual será o efeito líquido do choque de petróleo para agir”, projeta.

Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, avalia que “os números indicam que as pressões inflacionárias estão se dispersando por diversas categorias, indo além do choque energético, o que é natural considerando que energia pode gerar um impacto indireto em outros setores/componentes”. “Enquanto o setor de energia foi o principal componente de aumento (+3,8% no mês, com a gasolina aumentando 28,4% no ano), outros segmentos se mantiveram mais estáveis, como os custos de habitação e vestuário, que avançaram 0,6%”, destaca.

Para Lobo, “o principal fator detrator de crescimento americano é a inflação, que vem impactando negativamente os salários reais”. “O longo processo de desinflação, que se estabelece desde 2022, segue encontrando obstáculos externos, que podem levar o Fed a manter a postura de maior cautela e contínua vigilância. Embora a variação mensal tenha vindo conforme o esperado, a aceleração da taxa anual e a persistência do núcleo acima dos 2,5% reforçam a tese de que o ‘timing’ para o início do corte de juros pode ser adiado”, afirma.

“Este cenário afasta as expectativas de uma normalização monetária rápida, uma vez que a disseminação da alta de preços em serviços e bens sensíveis a tarifas exige que o banco central americano mantenha condições restritivas por mais tempo para assegurar a convergência da inflação para a meta de longo prazo”, conclui.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que “os dados do CPI de abril sugerem que a inflação americana está sentindo os impactos da ofensiva dos EUA e de Israel ao Irã sobre os preços do petróleo”. “Os preços do segmento de energia, por exemplo, subiram 3,8% no mês, puxados principalmente pelo aumento de 5,4% na gasolina”, diz.

“O conflito no Oriente Médio permanece sem solução, o que reforça as preocupações em relação à inflação no mundo todo. Nesse contexto, acreditamos que não há espaço para cortes de juros nos EUA. Nossa expectativa é de que os juros sejam mantidos no intervalo atual (de 3,5 a 3,75%) neste ano.”

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