Zelensky propõe cessar-fogo aéreo à Rússia durante negociações com os EUA
Volodymyr Zelensky diz que Kiev suspenderia ataques pelo tempo necessário para as tratativas. Moscou ainda não confirmou a proposta

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, propôs à Rússia, nesta sexta-feira (4/9), um cessar-fogo limitado aos ataques durante a mais recente rodada de negociações com representantes dos Estados Unidos.
“Não haverá ataques aéreos de nossa parte, e a Rússia deve, de forma recíproca, garantir um cessar-fogo, sem ataques aéreos, pelo tempo necessário para conduzir essas negociações”, afirmou.
A iniciativa prevê que Kiev interrompa o uso de drones e outros meios de ataque pelo período necessário para que as conversas avancem, desde que o Kremlin concorde em adotar a mesma postura.
Tal declaração do ucraniano ocorre em novas tentativas de mediação para interromper a guerra, que já dura quatro anos e meio. As negociações contam com a participação de enviados dos Estados Unidos, entre eles Steve Witkoff e Jared Kushner, que estão envolvidos nos esforços diplomáticos entre Washington, Moscou e Kiev.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAté o momento, a Rússia não confirmou oficialmente a visita dos dois enviados norte-americanos a Moscou.
A proposta apresentada por Zelensky ocorre em um momento no qual os ataques de longa distância continuam sendo uma das principais características do conflito.
A suspensão desses ataques, caso seja aceita pelos dois lados, poderia funcionar como uma medida inicial de confiança durante as negociações. O alcance da proposta, porém, ainda não está claro e dependerá da disposição de Moscou em adotar uma pausa recíproca.
Rússia diz que Zelensky pode ir a Moscou
Enquanto Zelensky defende novas medidas para reduzir os combates, no início da semana o Kremlin indicou disposição em receber o presidente ucraniano em Moscou. O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou está aberta à participação de países interessados em contribuir para uma solução diplomática para a guerra.
Segundo ele, Putin mantém a posição de que Zelensky poderia viajar à capital russa caso queira negociar.
A disposição, no entanto, não significa que o Kremlin considere possível uma reunião imediata entre os presidentes. Segundo Peskov, uma eventual cúpula dependeria da conclusão de acordos prévios entre as delegações.
O porta-voz afirmou que os entendimentos necessários teriam de ser construídos em negociações consideradas complexas por Moscou. “Se estivermos falando de uma [cúpula trilateral], é necessário apenas finalizar alguns acordos”, declarou.
A posição russa mantém uma diferença importante em relação à proposta ucraniana.
Enquanto Kiev tenta estabelecer medidas concretas de interrupção dos ataques para criar condições para o diálogo, Moscou insiste que uma reunião entre Putin e Zelensky deve ser precedida por avanços nas negociações.









