
Eleições 2026: entenda como funciona o voto de brasileiros no exterior
Quase 919 mil brasileiros estão aptos a votar fora do país nas eleições de 2026. Veja regras, horários, locais e como justificar a ausência

O primeiro turno das eleições brasileiras acontecem neste domingo (4/10) em todo o Brasil. Mas para quase 919 mil brasileiros que vivem fora do país, a votação começou antes. Por causa dos diferentes fusos horários, as urnas no exterior vão sendo abertas e fechadas de acordo com o horário local de cada país.
A primeira votação começou na Nova Zelândia, ainda no sábado (3/10), pelo horário de Brasília, enquanto os últimos eleitores devem votar no Canadá. Ao todo, 918.876 brasileiros estão aptos a votar no exterior nas eleições de 2026.
O número representa crescimento de 31,8% em relação a 2022, quando 697.078 eleitores estavam cadastrados para votar fora do território nacional, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A principal diferença em relação aos eleitores que vivem no Brasil está nos cargos em disputa. Quem tem o domicílio eleitoral transferido para o exterior vota exclusivamente para presidente e vice-presidente da República.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAs demais regras eleitorais, como a obrigatoriedade do voto para pessoas alfabetizadas de 18 a 70 anos, seguem, em linhas gerais, os mesmos parâmetros aplicados no país.
Quem administra o voto no exterior
A organização eleitoral dos brasileiros que vivem fora do país é centralizada pela Zona Eleitoral do Exterior, identificada pela sigla ZZ e vinculada ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).
É essa estrutura que administra o cadastro eleitoral de quem tem domicílio eleitoral no exterior, processa pedidos de alistamento e transferência, atualiza dados e recebe justificativas de ausência. A preparação das urnas e a organização logística são feitas em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), responsável pela estrutura das representações diplomáticas brasileiras.
A legislação determina que o material eleitoral seja encaminhado pelo TRE-DF às embaixadas e repartições consulares, que ficam responsáveis por providenciar a instalação das mesas receptoras e o funcionamento das seções.
Onde estão os eleitores
- O eleitorado brasileiro está espalhado por 134 países e 186 cidades.
- Os Estados Unidos concentram a maior quantidade, com cerca de 265,4 mil eleitores, seguidos por Portugal, com 134,7 mil, e Japão, com 88,4 mil.
- Entre as cidades, Lisboa aparece na liderança, com 78.833 brasileiros aptos a votar.
- Depois vêm Boston, com 53.406; Porto, com 47.676; Nagóia, com 44.570; Miami, com 40.104; e Nova York, com 39.026.
- Os dez maiores locais de votação concentram 46,2% de todo o eleitorado brasileiro no exterior.
- Considerados os 20 maiores, a concentração chega a 66,7%.
- A distribuição não significa, porém, que o eleitor precise necessariamente votar em uma embaixada ou consulado. A Justiça Eleitoral pode instalar seções em outros espaços, conforme a concentração de eleitores e as condições logísticas de cada região.
Por que alguns locais não têm urna eletrônica?
Pelas regras do TSE, é necessário haver pelo menos 30 eleitores aptos na jurisdição para a criação de uma seção. Quando há mais de 800 inscritos, uma nova seção deve ser instalada. Se uma localidade não atingir o mínimo, os eleitores podem ser agregados a outra seção no mesmo município eleitoral e país.
Existe ainda uma regra específica para a urna eletrônica. Mesmo depois das agregações, se uma seção não alcançar 100 eleitores aptos, a votação ocorre por meio de cédulas de papel.
Para 2026, foram previstas 1.310 seções eleitorais ativas no exterior. Desse total, 1.282 utilizarão urnas eletrônicas e 28 funcionarão com votação manual.
Como funciona o horário da votação
Diferentemente do que ocorre no Brasil, a votação no exterior segue o horário local de cada país. A regra está prevista na resolução do TSE que regulamenta as eleições de 2026. A votação e a apuração nas seções instaladas fora do Brasil devem observar o fuso horário da localidade.
Na prática, isso faz com que o processo eleitoral brasileiro se estenda por mais de 29 horas ao redor do mundo.
Depois do encerramento em cada localidade, os resultados são encaminhados para consolidação pela Justiça Eleitoral brasileira.
Quem mora no exterior pode votar para deputado e senador?
Não.O eleitor que transferiu o domicílio eleitoral para a Zona Eleitoral do Exterior vota apenas nas eleições para presidente e vice-presidente da República.
Não há, nesse caso, votação para governador, senador, deputado federal, deputado estadual ou deputado distrital.
A regra está prevista no Código Eleitoral e nas normas do TSE para a votação no exterior.
E quem estiver no exterior só durante a eleição?
Quem mantém o título vinculado a uma zona eleitoral no Brasil, mas estiver viajando para o exterior, não pode votar nas seções destinadas aos eleitores com domicílio eleitoral fora do país. Nesse caso, é necessário justificar a ausência pelo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral – Título Net ou após o retorno ao Brasil, dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral.
O que acontece se o eleitor não votar?
Quem tem domicílio eleitoral no exterior também precisa justificar a ausência. A obrigatoriedade, nesse caso, está restrita às eleições presidenciais.
Para o primeiro turno de 2026, o prazo para justificar a ausência vai até 3 de dezembro. Para eventual segundo turno, realizado em 25 de outubro, o prazo termina em 8 de janeiro de 2027.









