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Eleições 2026Mundo

Congressistas dos EUA acusam Trump de interferência na eleição do Brasil

Carta enviada a Marco Rubio acusa governo dos EUA de pressionar instituições brasileiras e pede compromisso com o resultado das eleições

24/09/2026 19:19, atualizado 24/09/2026 19:35
Arte/Metrópoles
Imagem colorida mostra Donald Trump e Lula - Metrópoles

Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, nesta quinta-feira (24/9), na qual manifesta preocupação com o que classifica como uma tentativa de interferência do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras de 2026.

O documento, obtido pelo Metrópoles, é assinado por 30 deputados e pelo senador Bernie Sanders e cobra do governo norte-americano um compromisso público de respeito ao processo eleitoral brasileiro e de reconhecimento do resultado certificado das urnas.

Os parlamentares também pedem respostas sobre uma série de medidas adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil desde 2025. Entre elas estão tarifas sobre produtos brasileiros, sanções contra autoridades brasileiras, a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras e ações relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro.

A carta afirma que as medidas adotadas pelo governo Trump configurariam uma campanha de pressão diplomática, econômica e política contra instituições brasileiras. A interpretação, contudo, é dos próprios parlamentares que assinam o documento.

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“As ações do governo Trump constituíram uma interferência extraordinária na soberania nacional do Brasil e uma tentativa flagrante de pressionar autoridades brasileiras em relação a um processo judicial em andamento”, afirmam os congressistas.

A carta chega dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordar soberania e interferência estrangeira em discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Sem citar os EUA, o petista afirmou que o Brasil não permitiria “ingerência externa em processos eleitorais” nem ações contra a vontade popular.

Eleição de outubro

Os parlamentares afirmam estar especialmente preocupados com a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo sábado, 4 de outubro.

Segundo o grupo, as ações recentes do governo americano apontariam para um “aparente esforço para interferir e potencialmente enfraquecer” as eleições brasileiras.

A carta cita a reunião realizada em maio entre Trump e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com o documento, durante o encontro, Flávio teria solicitado aos Estados Unidos a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras.

Dois dias depois, segundo os parlamentares, o Departamento de Estado anunciou a designação de ambas as facções como Foreign Terrorist Organizations (FTOs).

Os congressistas relacionam os episódios e afirmam que o governo brasileiro havia apresentado propostas para ampliar a cooperação com os EUA no combate ao crime organizado transnacional.

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Trump em encontro com Lula
Reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
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Reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Ricardo Stuckert/PR
Trump em encontro com Lula
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Trump em encontro com Lula

Andrew Harnik/Getty Images

Tarifaço e sanções

Os parlamentares também citam as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e as sanções aplicadas a autoridades do país.

Na carta, o grupo afirma que o governo Trump utilizou medidas econômicas e diplomáticas para pressionar autoridades brasileiras durante o processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os congressistas questionam ainda os critérios utilizados pelo governo americano para aplicar a Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.

Um dos pedidos feitos a Rubio é que o Departamento de Estado explique os padrões jurídicos e probatórios utilizados para determinar que o ministro preenchia os critérios para ser alvo da legislação estadunidense.

Sistema eleitoral

Outro ponto citado é a tentativa de visita ao Brasil de dois funcionários do Departamento de Estado: Riley M. Barnes e Samuel Samson.

Segundo a carta, os parlamentares receberam informações de que a delegação pretendia colocar em dúvida a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro.

O Itamaraty negou os vistos aos dois americanos.

O documento afirma que, posteriormente, o governo Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.

Os congressistas classificam a sequência de episódios como parte de uma escalada nas relações entre os dois países e demonstram preocupação com novas ações americanas durante o período eleitoral.

Pedido de compromisso a Rubio

Ao final da carta, os parlamentares fazem sete pedidos ao secretário de Estado norte-americano.

Entre eles, estão:

  • explicar os critérios usados para possíveis sanções contra estrangeiros;
  • justificar as sanções contra Alexandre de Moraes;
  • justificar a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas;
  • detalhar a cooperação dos EUA com países do Hemisfério Ocidental em democracia e direitos humanos;
  • justificar a revogação do visto de Maria Luiza Viotti;
  • respeitar o processo eleitoral brasileiro;
  • reconhecer o resultado das eleições de 2026 e manter relações com o vencedor.

Os parlamentares deram prazo até 1º de outubro para que o Departamento de Estado apresente respostas aos questionamentos.