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Eleições 2026Mundo

Eleições: ONU alerta para "disseminação preocupante" de desinformação

Direitos Humanos da ONU acompanha cenário eleitoral após carta do Instituto Vladimir Herzog sobre possível interferência dos EUA

02/10/2026 15:03
Sam Pancher/Metrópoles
81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA)

A Organização das Nações Unidas (ONU) acompanha a situação dos direitos humanos no Brasil às vésperas das eleições e demonstrou preocupação com a disseminação de desinformação durante o processo eleitoral. A manifestação ocorre em meio a alertas sobre possível interferência dos Estados Unidos no pleito de 2026.

A porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Ravina Shamdasani, afirmou que o órgão recebeu uma carta do Instituto Vladimir Herzog sobre o assunto.

“Estamos cientes das preocupações nela levantadas”, destacou Shamdasani.

Segundo a porta-voz, a ONU não se pronuncia sobre processos políticos em curso. Ela ressaltou que o Escritório de Direitos Humanos acompanha a situação brasileira no período que antecede as eleições, assim como ocorre em outros países que passam por processos eleitorais.

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“[Acompanhamos] a situação dos direitos humanos no Brasil no período que antecede as eleições, como faz em todo o mundo em países que passam por processos eleitorais, incluindo a preocupante disseminação de desinformação, que tem afetado eleições em diversas partes do mundo”, disse.

Carta do Instituto Vladimir Herzog

O Instituto Vladimir Herzog enviou, em 19 de setembro, uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, alertando para uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O documento cita medidas adotadas pelo governo de Donald Trump em relação ao Brasil e pede que os países-membros reconheçam o resultado das urnas, independentemente de quem seja o vencedor.

A entidade também manifestou preocupação com possíveis tentativas de contestação do resultado eleitoral e de deslegitimação das instituições brasileiras. No documento, o instituto afirma que eventual pressão estrangeira poderia alimentar campanhas de desinformação e ampliar contestações ao processo eleitoral.

O alerta ocorre em um momento de tensão entre Brasília e Washington. Nos últimos meses, o governo Trump adotou medidas contra o Brasil, incluindo tarifas sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades do país. O governo dos EUA, por sua vez, afirma que respeitará a escolha dos brasileiros em eleições “livres e justas”.

A preocupação com uma eventual interferência americana também foi manifestada por parlamentares dos próprios Estados Unidos. Em setembro, congressistas democratas enviaram cartas ao governo Trump cobrando o compromisso de respeitar o processo eleitoral brasileiro e reconhecer o resultado das urnas.

Na quinta-feira (1º/10), Donald Trump afirmou que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras. A declaração foi dada a jornalistas na Casa Branca a três dias do primeiro turno, marcado para domingo (4/10).