Venezuela abre investigação sobre mortes após ataque dos EUA
Procuradoria-Geral da Venezuela nomeou três procuradores e classifica operação que capturou Maduro como “crime de guerra”
atualizado
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O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab (foto em destaque), anunciou nesta terça-feira (6/1) a nomeação de três procuradores para investigar as “dezenas” de mortes provocadas pelo ataque militar dos Estados Unidos ao país, operação que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Até o momento, o governo venezuelano não divulgou números oficiais de mortos ou feridos. Segundo Saab, a investigação vai apurar a morte de civis e militares durante a ofensiva norte-americana ocorrida na madrugada do último sábado (3/1), em Caracas e outras regiões do país.
“Nós, do Ministério Público, nomeamos três procuradores para investigar as dezenas de vítimas civis e militares inocentes que morreram durante este crime de guerra, essa agressão sem precedentes contra a pátria venezuelana”, afirmou.
O chefe do Ministério Público classificou a ação como uma violação grave do direito internacional e reiterou que se trata da primeira agressão militar direta de uma potência estrangeira contra o território venezuelano em mais de 200 anos.
Denúncia de sequestro internacional
Durante o evento, Saab voltou a criticar a detenção de Maduro nos Estados Unidos e pediu ao juiz estadunidense Alvin Hellerstein, responsável pelo processo contra o presidente venezuelano em Nova York, que reconheça a “absoluta falta de jurisdição” da Justiça norte-americana para julgar um chefe de Estado em exercício.
O procurador-geral descreveu a captura de Maduro como um “sequestro internacional”, afirmando que a medida viola princípios universais da imunidade diplomática, reconhecidos pela Corte Internacional de Justiça.
Saab exigiu a libertação imediata do chavista e da esposa e convocou a comunidade internacional a condenar o que chamou de terrorismo de Estado. “Que cessem todas as violações dos direitos humanos cometidas contra o presidente, sua esposa e o povo venezuelano”, enfatizou.
Mortes e versões divergentes
Segundo Havana, os soldados estavam no país a pedido do governo venezuelano e atuavam em missões oficiais.
Pouco antes do anúncio cubano, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que “muitos do outro lado” morreram na operação, incluindo “muitos cubanos”, sem detalhar números. Fontes venezuelanas citadas pelo The New York Times estimaram que cerca de 80 pessoas teriam morrido na ofensiva.
Autoridades dos Estados Unidos, por sua vez, informaram que pelo menos seis soldados dos norte-americanos ficaram feridos, dado que Trump se recusou a confirmar oficialmente.








