Venezuela: familiares iniciam greve de fome após anistia ser adiada
Grupo de familiares de presos políticos cobram celeridade no processo de soltura prometido pelo governo venezuelano
atualizado
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Familiares de presos políticos iniciaram na manhã deste sábado (14/2) uma greve de fome em Caracas, na Venezuela, para pressionar por mais libertações. A iniciativa ocorre depois que o Parlamento venezuelano adiou a votação de uma lei de anistia no país que pode libertar presos por motivos políticos.
Confira:
Segundo o Comitê para a Liberdade de Presos Políticos, 17 detentos foram liberados de celas da Polícia Nacional conhecidas como Zona 7, durante a madrugada. O local é considerado um dos principais centros de detenção de Caracas. Entretanto, as famílias dizem que as solturas têm sido “lentas e insuficientes”.
Motivo do protesto
- Em 6 de fevereiro, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, deputado federal Jorge Rodríguez afirmou que todos os presos políticos que deverão receber indulto por meio da lei de anistia em tramitação no Parlamento poderiam ser libertados até essa sexta-feira (13/2).
- A proposta de anistia foi apresentada pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, irmã de Jorge Rodríguez, e prevê clemência para pessoas presas por participarem de protestos políticos ou por críticas a autoridades públicas. O texto cobre o período da chamada “violência política”, entre 1999 e 2026.
- O projeto foi aprovado por unanimidade em 5 de fevereiro, na primeira das duas votações necessárias na Assembleia Nacional, dominada pelo partido socialista no poder.
- A eventual aprovação da lei também é vista como um gesto de aproximação do governo venezuelano com os Estados Unidos, que vêm elogiando as recentes libertações.
- De acordo com a Foro Penal, organização venezuela de direitos humanos, 431 presos políticos foram libertados desde 8 de janeiro, quando o governo anunciou uma nova rodada de solturas.
- Ainda assim, o grupo estima que mais de 644 detidos permanecem na prisão.
Na entrada da Zona 7, cerca de 10 mulheres, usando máscaras, deitaram-se em fila como forma de protesto. Elas e outros parentes acampam no local há mais de um mês, esperando a promessa de libertação feita pelo Parlamento venezuelano.
Uma lista com os nomes dos grevistas foi deixada próxima ao local. Os familiares afirmam que iniciarão a greve “até que todos sejam libertados” e cobram celeridade no processo de soltura prometido pela presidente interina Delcy Rodríguez em 8 de janeiro.
O adiamento da votação da lei de anistia, que estava prevista inicialmente para esta semana, ocorreu devido a divergências entre deputados sobre o alcance da medida e o papel do Poder Judiciário em sua aplicação. A próxima sessão da Assembleia Nacional está marcada para 19 de fevereiro.
